REAÇÃO: Mercados reagem com euforia com vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula no primeiro turno; dólar chegou a ficar abaixo de R$ 5,00 e Ibovespa chegou em um momento a avançar 8,75%
Veja mais
Publicado em
Com agências.
(Brasília-DF, 05/10/2026) Nesta segunda-feira, 05, os mercados financeiros brasileiros vivem um dia de euforia após o inesperado resultado do 1º turno das eleições, com Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por 47,03% a 45,16% dos votos válidos.
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, bateu o recorde histórico por volta da 10h40, aos 209,6 mil pontos. Há pouco, o índice operava em alta de 8,75%, aos 208,9 mil pontos.
Já o dólar comercial operava em queda de 4,32%, cotado a R$ 4,99, tendo chegado mais cedo abaixo de R$ 4,95.
Para Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, a forte reação positiva do mercado se deve em parte ao inesperado do resultado.
"Sera assim ainda nos próximos dias, e se as pesquisas confirmarem uma distância ainda maior do Flávio em relação ao Lula haverá novo rali", prevê Vale. "Rali" é a expressão usada no mercado financeiro para um período de alta forte e rápida nos preços das ações.
Para Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, não é apenas a vantagem de Flávio que explica o forte desempenho dos ativos domésticos, mas uma combinação de fatores.
Dentre eles, ele cita a expectativa de um ambiente mais propenso para um ajuste fiscal e a visão de que, se Lula for derrotado no segundo turno, a esquerda ficará sem sucessor nos próximos anos.
"Temos três fatores na nossa avaliação [para o rali dos mercado nesta segunda-feira]: a agenda fiscalista de Flávio; a composição mais ortodoxa do Congresso, que dentre diversas coisas viabilizaria um ajuste fiscal e reformas estruturantes necessárias; e a potencial ultima eleição em que Lula participará, deixando a esquerda sem sucessor e mitigando a possibilidade alternância tão em breve para um novo desarranjo expansionista", diz Sanchez.
Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), a bancada de direita na Câmara dos Deputados cresceu de 248 para 260 deputados — um ganho de 12 cadeiras em relação a 2022 —, enquanto os campos de centro e centro-esquerda encolheram.
No Senado, o movimento foi mais expressivo ainda: a bancada de direita aumentou de 32 para 48 senadores, de acordo com a análise do Diap.
Vale observa, porém, que ainda não é certo que Flávio vá de fato fazer um ajuste fiscal, se eleito.
"Vai depender das escolhas na Fazenda especialmente", afirma. "Não é um ajuste fiscal simples pela frente e vai precisar de alguém com articulação no Congresso pra aprovar tudo que se precisa."
Ele também avalia que existe um risco concreto de que Flávio, uma vez na presidência, desperdice a oportunidade de ajustar as contas públicas, gastando energia com a tentativa de livrar seu pai da prisão, uma de suas principais promessas de campanha.
"Isso é um grande risco e se for por aí vamos perder um tempo precioso para os ajustes. Seria um enorme erro", avalia.
Para Sanchez, da Ativa Investimentos, a volatilidade nos mercados financeiros deve se manter nas próximas semanas.
"Depois que concretizado o resultado das eleições presidenciais, deveremos assistir um novo movimento, seja no sentido que estamos assistindo caso o Flávio venha a vencer, ou no sentido contrario caso o Lula seja reeleito", prevê.
"Mas vale destacar que as incertezas ainda são grandes, apenas se reduziram. O que significa que ainda deveremos assistir alguma volatilidade."
( da redação com informações de agências. Edição: Política Real)