31 de julho de 2025
ECONOMIA

Estatísticas de crédito mostra que avançou a inadimplência e chegou a 6,6% no total de carteiras as pessoas físicas

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Por Política Real com assessoria
Publicado em
Banco Central divulga seus estatísticas Foto: Rafa Neddermayer - Agência Brasil - EBC

(Brasília-DF, 29/09/2026). Na manhã desta terça-feira, 29, foi divulgada o seu Estatísticas Monetárias e de Crédito com os dados atualizados até agosto de 2026. O que se revelou o aumento da inadimplência. No crédito com recursos livres, a inadimplência atingiu 6,6% do total da carteira

​Em agosto, o saldo do crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$22,0 trilhões (164,9% do PIB), com avanço mensal de 0,6%. Esse resultado refletiu, principalmente, os aumentos de 2,5% em empréstimos externos, 0,6% em empréstimos do SFN e 1,6% em títulos de dívida securitizados. Em doze meses, o crescimento foi de 11,3%, destacando-se os crescimentos de 13,9% em títulos públicos, 9,1% em empréstimos do SFN, 15,9% em títulos privados de dívida e 18,3% em títulos de dívida securitizados.

​O crédito ampliado às empresas situou-se em R$7,3 trilhões em agosto (54,6% do PIB), avanço de 1,1% no mês, refletindo aumentos nos saldos dos empréstimos externos (2,5%), dos títulos de dívida securitizados (1,6%) e dos títulos privados de dívida (0,7%). Em doze meses, a expansão de 8,7% foi impulsionada pelos crescimentos de 15,9% nos títulos privados de dívida, 16,5% nos títulos de dívida securitizados e 7,1% nos empréstimos do SFN.

Sistema Financeiro Nacional (SFN)

O saldo total das operações de crédito do SFN somou R$7,4 trilhões em agosto, expansão de 0,5% no mês, com redução de 0,1% nas operações com as empresas e aumento de 0,8% nas operações com as famílias, totalizando R$2,7 trilhões e R$4,7 trilhões, na ordem. Em doze meses, o crédito total cresceu 9,2% (ante 9,3% nos doze meses até julho), com altas de 7,1% no crédito às pessoas jurídicas (7,3% no mês anterior) e de 10,5% no crédito às pessoas físicas (10,6% no mês anterior).

O saldo da carteira de crédito com recursos livres somou R$4,1 trilhões em agosto, com aumento de 0,2% no mês e de 6,5% em doze meses. No crédito livre às empresas, o saldo recuou 0,6% no mês e avançou 0,5% em doze meses, somando R$1,6 trilhão. Foram determinantes as reduções em capital de giro total e em desconto de duplicatas e outros recebíveis. O crédito livre às famílias totalizou R$2,6 trilhões, com altas de 0,8% no mês e de 10,5% em doze meses, sendo determinantes os incrementos em aquisição de veículos, cartão de crédito rotativo e crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor privado, modalidade na qual se concentram as operações de “Crédito do Trabalhador".

As concessões totais com ajuste sazonal cresceram 1,7% no mês, com avanços de 3,2% nas operações com pessoas jurídicas e de 0,7% nas operações com pessoas físicas.

​A taxa média de juros das concessões situou-se em 32,3% a.a. em agosto, com altas de 0,2 p.p. no mês e de 0,4 p.p. em doze meses. O spread bancário avançou 0,3 p.p. no mês e 0,4 p.p. em doze meses, alcançando 21,2 p.p.

A taxa média de juros das operações com recursos livres situou-se em 48,5% a.a. em agosto, com incrementos de 0,8 p.p. no mês e de 2,3 p.p. em doze meses. No crédito livre às empresas, a taxa média recuou 1,0 p.p. no mês e 0,7 p.p. em doze meses ao atingir 24,2% a.a. Prevaleceu o efeito da variação das taxas (efeito taxa), com destaque para as reduções das taxas médias de cartão de crédito rotativo (-26,9 p.p.), de capital de giro com prazo inferior a 365 dias (-4,1 p.p.) e de capital de giro com prazo superior a 365 dias (-1,0 p.p.).

No crédito livre às famílias, a taxa média de juros atingiu 61,7% a.a., com aumentos de 1,4 p.p. no mês e de 2,9 p.p. em doze meses, prevalecendo o efeito da variação da composição das carteiras (efeito saldo) em agosto. Destacaram-se os aumentos das taxas médias de cartão de crédito rotativo (8,7 p.p.) e de cartão de crédito parcelado (2,8 p.p.).

Inadimplências

O percentual de inadimplência da carteira de crédito total do SFN situou-se em 5,0%, com avanços de 0,1 p.p. no mês e de 0,9 p.p. em doze meses. Nas operações com pessoas jurídicas, a inadimplência manteve-se estável, situando-se em 3,3%. Nas operações com pessoas físicas, a inadimplência avançou 0,2 p.p. no mês, situando-se em 6,0%. Em doze meses, a inadimplência dessas carteiras cresceu 0,5 p.p. e 1,1 p.p., na mesma ordem.

No crédito com recursos livres, a inadimplência atingiu 6,6% do total da carteira, com incrementos de 0,2 p.p. no mês e de 0,9 p.p. em doze meses. Por segmento, a inadimplência das operações com empresas avançou 0,1 p.p. no mês e 0,5 p.p. em doze meses, situando-se em 4,3%, enquanto com as famílias esse indicador aumentou 0,2 p.p. no mês e 1,0 p.p. em doze meses, situando-se em 8,0%.

No crédito com recursos direcionados, a inadimplência atingiu 3,0% do total da carteira, com incrementos de 0,1 p.p. no mês e de 1,0 p.p. em doze meses. A inadimplência nas operações com as famílias cresceu 0,2 p.p. no mês e 1,2 p.p. em doze meses, situando-se em 3,6%.

​O endividamento das famílias atingiu 49,9% em julho, com aumentos de 0,2 p.p. no mês e de 1,1 p.p. em doze meses. O comprometimento de renda ficou estável em relação a junho, e aumentou 1,4 p.p. em doze meses, situando-se em 28,7%.

Agregados monetários

​A base monetária totalizou R$432,6 bilhões em agosto, mantendo-se estável em relação ao mês anterior e com retração de 1,4% em doze meses. No mês, o volume de papel-moeda em circulação diminuiu 0,5% e as reservas bancárias subiram 4,5%.

Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, apresentaram expansão as operações do Tesouro Nacional (R$2,9 bilhões), as operações com derivativos (R$9,3 bilhões) e as operações com títulos públicos federais (R$14,8 bilhões).  No sentido contracionista, destacaram-se as operações do setor externo (R$2,9 bilhões).

Os meios de pagamento restritos (M1) alcançaram R$651,7 bilhões, crescimento de 1,2% no mês, em consequência da diminuição de 0,4% do papel-moeda em poder do público e do aumento de 2,9% nos depósitos à vista.  Considerando-se dados dessazonalizados, o M1 cresceu 0,2%.

O M2 aumentou 0,7% em agosto, atingindo R$ 7,8 trilhões, resultado das elevações dos depósitos a prazo em 0,7% (R$ 4,0 trilhões), das Letras Financeiras em 1,8% (R$ 747 bilhões) e das letras de crédito em 1,1% (R$ 1,1 trilhão). O saldo da poupança (R$ 1,0 trilhão) teve captação líquida negativa de R$ 10,8 bilhões, recuando 0,4%.

 

​O M3 expandiu 0,8% no mês, totalizando R$ 14,2 trilhões, refletindo a elevação do M2 e o crescimento de 0,8% no saldo das quotas de fundos monetários. As operações compromissadas com títulos públicos cresceram 10,1%, enquanto as operações compromissadas com títulos privados recuaram 0,8%. O M4 cresceu 0,9% no mês e 12,1% em 12 meses, alcançando R$ 16,0 trilhões. O resultado refletiu as expansões de 0,8% do M3 e de 1,5% dos títulos federais em poder do público (R$ 1,8 trilhão). ​​​

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)