31 de julho de 2025
MERCADOS

Ibovespa tem alta, a maior desde maio e dólar recuou a R$ 5,02, segundo analistas, face a pesquisa Quaest mostrando empate técnico na disputa presidencial

Veja mais

Por Politica Real com agências
Publicado em
Mercados em alta Foto: Bloomberg Linea

(Brasília-DF, 02/09/2026). Nesta quarta-feira, 02, o Ibovespa fechou em forte alta no segundo dia consecutivo de rali dos ativos brasileiros, impulsionado pelo desempenho do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais para a corrida presidencial.

O principal índice da B3 saltou 3,05%, a 185.205 pontos, o maior nível de fechamento desde 4 de maio. Já o dólar caiu 1,26%, para R$ 5,0907, menor valor de fechamento em um mês.

Uma pesquisa Quaest, divulgada pelo jornal O Globo, mostrou redução da vantagem de Lula sobre Bolsonaro em um eventual segundo turno — a terceira pesquisa da semana a apontar esse cenário.

Entre as ações, a Azzas 2154 (AZZA3) ficou entre os maiores os ganhos do pregão, com alta de 11,28%, após Alexandre Birman e Roberto Jatahy chegarem a um acordo para dividir novamente a companhia em duas empresas independentes.

Mais

A pesquisa Quaest realizada com 2.004 eleitores entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro registra margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento aponta Lula com 37% das intenções de voto no primeiro turno e um empate técnico com Flávio Bolsonaro (42% a 41%) na simulação de segundo turno.

Eleitor indeciso e pendular é estratégico

De acordo com Beto Vasques, analista político e coordenador do Labop, a situação de empate técnico entre Lula e Flávio está se transformando em um empate numérico real no segundo turno, o que torna o processo eleitoral ainda mais instável. Para Vasques, o foco estratégico da disputa agora se divide em três dimensões: o comportamento do eleitor indeciso e pendular; o peso do eleitor abstencionista ou que opta pelo voto em branco e nulo; e a dinâmica de migração dos votos de candidatos como Cury, Caiado, Renan e Zema do primeiro para o segundo turno.

Cenário é desafiador para o governo

O cientista político e professor Hilton Fernandes destaca que, enquanto Lula (37%) e Flávio (30%) demonstram estabilidade em seus patamares de primeiro turno, Cury parece crescer principalmente entre eleitores de Renan, Caiado e Zema, que registram oscilações negativas. O dado chama a atenção por ocorrer justamente em um período de maior exposição e crescimento do conhecimento público sobre esses nomes, contrariando o que se espera tradicionalmente nesta fase das campanhas.

Fernandes alerta que o desenho atual das pesquisas impõe barreiras complexas ao atual governo. "Para Lula, o cenário apresentado pela Quaest é desafiador, pois mostra uma movimentação dos eleitores em torno de candidaturas de oposição, o que torna o segundo turno mais difícil para o presidente", avalia.

Ascensão de Cury sinaliza voto de desconforto

Para o cientista político Jairo Pimentel, a Quaest de hoje sugere que Flávio Bolsonaro tem demonstrado "crescente eficiência" em canalizar o sentimento antipetista diretamente em intenções de voto. No que diz respeito a Augusto Cury, o crescimento de sua candidatura nas intenções de voto não sinaliza necessariamente uma guinada do eleitorado ao centro ideológico, mas sim a expressão de um "voto de desconforto com as duas candidaturas dominantes", composto por cidadãos que buscam romper a escolha binária. "O ponto decisivo, portanto, deixa de ser quem lidera agora e passa a ser quem terá maior capacidade de incorporar, na reta final, esse contingente ainda não plenamente alinhado aos dois polos".

( da redação com informações da Bloomberg Linea. Edição: Política Real)