Segundo Coaf, filme Dark Horse recebeu mais 1,6 milhão de dólares de Daniel Vorcaro, informa revista; Vorcaro teria liberado inicialmente 10,6 milhões de dólares a pedido de Flávio Bolsonaro
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Com agência
(Brasília-DF, 01/09/2026). Nesta terça-feira, 01, a revista Piauí informa que o balanço estimado do valor pago pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, para financiar o filme Dark Horse subiu em mais 1,6 milhão de dólares (R$ 8,2 milhões na cotação atual), com base em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) O montante conhecido até então era de, pelo menos, 10,6 milhões de dólares (R$ 54,5 milhões hoje).
Segundo a reportagem, o repasse teve como destino o Havengate Development Fund, um fundo americano no estado do Texas que servia para financiar a produção bolsonarista, em 16 de setembro do ano passado. Duas semanas antes, o Banco Central rejeitara a venda do Master para o BRB, um embrião da crise envolvendo o banco de Vorcaro.
Há indícios de ainda mais uma transação, de acordo com um diálogo entre Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda, que ajudou a captar recursos para o filme, em outubro — o que poderia ter elevado o valor total a cerca de 14 milhões de dólares (R$72 milhões), segundo a piauí.
O Intercept Brasil divulgou, em maio deste ano, conversas entre Flávio Bolsonaro, senador e candidato à Presidência nas eleições deste ano, e Vorcaro, preso sob a acusação de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras. As mensagens indicaram que os dois negociaram repasses milionários em meio a avanço das investigações da Polícia Federal sobre o caso Master.
Indagado por jornalistas em Brasília sobre o repasse de Vorcaro revelado pela Piauí, Flávio disse que a pergunta deveria ser direcionada à produtora responsável pelo filme, a Go Up Entertainment.
Cronograma de pagamentos
Vorcaro teria pagado R$ 61 milhões para a produção do Dark Horse entre fevereiro e maio de 2025. Essa seria uma parte de um repasse total, combinado com Flávio, de um cronograma de aportes abarcando cerca de R$ 134 milhões para o filme, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro
O valor é excepcionalmente alto para um longa filmado no Brasil, o que levantou dúvidas se o dinheiro seria mesmo canalizado para a produção.
Flávio, que confirmou a veracidade das mensagens divulgadas pelo Intercept, tem afirmado que atuou apenas na busca de investidores para uma obra sobre a história de seu pai.
Segundo o senador, os recursos discutidos eram exclusivamente privados, sem participação de verbas públicas, e não houve oferta de qualquer vantagem em troca de aportes financeiros.
Flávio também nega que os valores tenham sido destinados ao irmão e ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que tem feito lobby a favor do pai junto ao governo de Donald Trump nos Estados Unidos desde que se mudou para lá, em fevereiro de 2025.
Flávio também admitiu ter visitado Vorcaro na casa dele no fim de 2025, após a primeira prisão do empresário pela PF. A jornalistas, ele disse que a reunião teria como principal objetivo encerrar sua relação com o ex-banqueiro.
STF
Em julho, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a abertura de um inquérito para investigar movimentações financeiras ligadas à produção do Dark Horse.
A produtora Go Up Entertainment negou ter recebido recursos diretamente de Vorcaro ou de empresas ligadas ao ex-banqueiro, mas admitiu repasses do fundo Havengate. O deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor-executivo do filme, também rejeitou que recursos provenientes do Banco Master tenham financiado as gravações.
Vorcaro tem ligações suspeitas com uma série de figuras políticas. Dentre elas estão o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e outros.
( da redação com informações da DW. Edição: Política Real)