Os 10 anos que ainda não acabaram!
Eu já desconfiava da política de campeões nacionais montado por Dilma Rousseff que, na prática, excluía os estados menos desenvolvidos dos grandes investimentos nacionais
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(Brasília-DF) Nesta segunda-feira, 31 de agosto, se completa 10 anos do impeachment da então presidente Dilma Rousseff.
Ninguém é dono da verdade. Mas em 2013, antes dos eventos de junho de 2013 que foram fundamentais para criar a legislação de delação premiada com Lei nº 12.850/2013, berço legal que proporcionou os efeitos positivos e negativos da Operação Lavo – já me convencia (isso não é bom para o jornalismo, mas ninguém pode dizer que não existe!) de que aquele Governo Dilma Rousseff estava fadado a infeliz termo.
Em janeiro de 2013, eu liberei a equipe que trabalhava comigo para tirar férias de 15 dias pois iria ficar trabalhando no Palácio do Planalto, acompanhando basicamente a então chefe de Estado e Governo, Dilma Rousseff, recebendo, alternadamente, os prefeitos eleitos de 2012 e empresários nacionais e internacionais que relutavam em aceitar o seu programa de investimentos voltados para as Olímpiadas de 2014.
Eu já desconfiava da política de campeões nacionais montado por Dilma Rousseff que, na prática, excluía os estados menos desenvolvidos dos grandes investimentos nacionais. Dilma, nacionalista, tinha uma visão centralizadora típica das pessoas formadas no centralismo do socialismo real, que ele era apaixonada, apesar de não ter condições políticas para implementá-lo.
Soube, só ao final de fevereiro, que Dilma Rousseff ao receber empresários internacionais apresentava planilhas de lucro sobre o patrimônio líquido que eles tiveram em grandes obras pelo Mundo e que eles não queriam aceitar nas propostas governamentais que os convidava a participar das obras estruturantes para as Olimpiadas. Soube que, ao menos um desses empresários afirmou que o “Custo Brasil” (que incluiu a corrupção endêmica que envolve direita e esquerda) era impeditivo.
Dilma, que de fato é socialista, queria, na prática dizer o que um capitalista deveria ganhar. Na lógica da “mais valia”, ela queria controlar o lucro. Se negocia tudo com um capitalista, nunca seu lucro.
Se Lula estivesse aboletado naquela cadeira presidencial, em 2013, teria dito para os capitalistas que sabia o quanto eles estavam ganhando, mas perguntaria quantos empregos eles dariam e por quanto tempo. Lula nunca deixou de ser um sindicalista. A lógica sindical do win-to-win, ganha-ganha é o que lhe interessa.
Na economia, se guarda dinheiro, faz poupança, para os dias difíceis. Na política. não se estoca fatos positivos para gastar em momentos ruins.
Dilma poderia ter feito um bom negócio com os empresários em janeiro de 2013, mas veio avalanche de eventos de rua em junho de 2013, a lei anticorrupção em agosto daquele ano e ela ainda teve que engolir o que os empresários quiseram e ela lhes negou, em janeiro.
A eleição de 2026 ainda é fruto do que aconteceu em 2013 e que resultou no impeachment de agosto de 2016.
Há sinais de que existe um jeito de Lava Jato com discussão sobre corrupção, mas é certo que Lula não é uma Dilma Rousseff e nem Flávio Bolsonaro é um improvável e esfaqueado Jair Bolsonaro.
Temos uma eleição presidencial onde o desencanto e a desesperança são as marcas mais destacadas. Nesses 10 anos vimos um país enraivecido, um país amedrontado e hoje um país desiludido. Não sei o que é mais perigoso para um povo!
Por Genésio Araújo Jr. jornalista
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