Lula, em campanha, faz evento com mulheres em Belo Horizonte
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(Brasília-DF, 29/08/2026) Neste sábado, 29, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na condição de candidato à reeleição presidencial, cumpriu agenda em Minas Gerais.
Ele participou em Belo Horizonte do evento Mulheres com Lula. O evento organizado pela secretária nacional de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho, foi discutido o “direito das brasileiras de viver sem violência”.
“Eu quero que vocês imaginem um mundo em que vocês estão seguras, em que vocês estão livres. Agora abram os olhos. Vocês conseguem imaginar esse mundo? Eu consigo”, afirmou Sheila.
Um dos principais marcos citados foi o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, assinado em 2026. Pela primeira vez, Executivo, Legislativo e Judiciário passaram a atuar de forma articulada em uma estratégia nacional de enfrentamento à violência contra as mulheres, com o tema colocado no centro da agenda da Presidência da República. Desde o pacto, foram aprovadas 11 leis e quatro decretos.
Lula afirmou que levar o pacto para o centro do Governo Federal foi uma decisão para dar ao enfrentamento ao feminicídio a dimensão de prioridade nacional.
“Quando eu trouxe para a Presidência da República, é porque eu queria dar importância a esse tema”, disse. Segundo o presidente, o objetivo é fazer com que o país avance até que “o feminicídio seja coisa do passado”, com redução dos casos “a zero ou muito próximo disso”.
A atuação integrada também chegou às ruas. Operações realizadas no período resultaram em 34 mil prisões, 167 mil medidas protetivas e atendimento a 407 mil mulheres. O tempo médio de análise das medidas protetivas caiu de 16 para três dias, uma resposta cinco vezes mais rápida para quem busca proteção.
Outro avanço está no Ligue 180. O número de denúncias encaminhadas pelo canal passou de 9,6 mil entre 2019 e 2022 para 439,5 mil entre 2023 e 2026, volume 46 vezes maior. Em 2025, segundo a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o serviço ultrapassou 1 milhão de atendimentos.
A tecnologia passou a integrar a proteção. Em 2025, 22 mil agressores estavam sendo monitorados por tornozeleiras eletrônicas e 9 mil mulheres utilizavam unidades portáteis de rastreamento, que permitem acompanhar situações de risco e a aproximação do agressor.
“O Brasil quer as mulheres vivas, livres e sem medo”, afirmou Márcia Lopes. Ela destacou ainda a retomada da rede presencial de acolhimento. Hoje, 13 Casas da Mulher Brasileira estão em funcionamento e outras 31 em implementação ou em obras. Desde 2023, 14 Centros de Referência da Mulher Brasileira foram entregues e outros 17 estão em construção.
Para Márcia, enfrentar a violência também exige dar condições para que as mulheres rompam ciclos de dependência. “Quem carrega a responsabilidade do cuidado são as mulheres, na sua maioria mulheres negras”, afirmou. Autonomia econômica, igualdade salarial e serviços que diminuam a sobrecarga do cuidado, segundo ela, fazem parte dessa proteção.
Na saúde, o acolhimento ganhou nova frente. A secretária de Atenção Primária do Ministério da Saúde, Ana Luiza Caldas, destacou o início do teleatendimento pelo SUS para mulheres vítimas de violência. “Nenhuma mulher precisa enfrentar a sua dor sozinha”, afirmou. “Nenhuma mulher deveria precisar escolher entre permanecer em casa, em silêncio, sob ameaça ou se arriscar para buscar ajuda”, acrescentou Ana Luiza.
A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, ampliou o olhar para mulheres que enfrentam vulnerabilidades sobrepostas, como idosas, mulheres com deficiência, LGBTQIA+ e em situação de rua, além de meninas e adolescentes. “Vivemos um momento desafiador na defesa dos direitos de mulheres e meninas. Um momento em que ainda lutamos não só pela nossa existência política e social, mas pela nossa existência física”, afirmou.
A ministra da Igualdade Racial, Raquel Barros, chamou atenção para as mulheres negras, que, segundo ela, representam mais de 60% das vítimas de feminicídio. O combate ao problema passou a ser pré-requisito para a adesão de estados e municípios ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial.
O mundo que Sheila pediu às mulheres que imaginassem ainda está em construção. As falas em Belo Horizonte apontam que viver sem medo não pode ser desejo distante nem privilégio. É poder sair de casa, amar, trabalhar, circular pela cidade e voltar em segurança. É ter uma rede pronta para agir quando a violência ameaça esse direito. “Eu quero que vocês imaginem um mundo em que vocês estão seguras, em que vocês estão livres”, disse Sheila. Um mundo em que liberdade também signifique, simplesmente, poder viver.
(da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)