Deslizamento no Nepal/Tibete matou quase 600 e gerou mais de 2 mil desaparecidos; risco de lago transbordar e suspende operações de desgaste
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Com agências
(Brasília-DF, 28/08/2026). Um lago formado por um deslizamento de terra na fronteira entre Nepal e China começou a transbordar nesta sexta-feira ,28, colocando em risco áreas devastadas por uma inundação repentina dois dias antes e forçando a suspensão temporária das operações de resgate, informaram autoridades.
Quase 600 pessoas morreram e 2 mil estão desaparecidas após uma avalanche devastadora atingir a fronteira entre o Nepal e o Tibete na quarta-feira ,26.
Após o desastre, os detritos formaram um lago represado que ameaça provocar novas inundações nas comunidades já devastadas localizadas rio abaixo.
Até esta sexta, o reservatório havia superado 2,5 milhões de metros cúbicos de água, acima dos 1,5 milhão a 2 milhões de metros cúbicos estimados por uma equipe chinesa de engenharia no dia anterior.
Moradores do distrito de Rasuwa, no Nepal, na fronteira com o Tibete chinês, foram vistos correndo para encostas mais altas para escapar de uma possível elevação repentina do nível do rio, relatou a agência de notícias Reuters.
O risco de rompimento do lago levou todas as equipes e veículos de resgate chineses a se retirarem temporariamente para uma área segura de prontidão, segundo a emissora estatal CCTV. O resgate foi retomado momentos depois, dado que os riscos do lado represado foram considerados "administráveis".
Em uma reunião nesta sexta presidida pelo presidente chinês, Xi Jinping, as lideranças destacaram que existem "muitos riscos ocultos relacionados a geleiras, lagos glaciais e desastres geológicos nas áreas circundantes" e alertaram que "as operações de resgate enfrentam grandes dificuldades", segundo a agência estatal Xinhua.
No lado nepalês, o Exército confirmou a suspensão das operações de resgate por 90 minutos.
Nepal dispensa ajuda internacional
Embora ofertas de ajuda estejam chegando de diversos países, o Nepal afirmou que não precisa de assistência internacional para as missões de busca e resgate.
"Nossas agências de segurança estão realizando as operações de busca e resgate. Neste momento, não precisamos desse tipo de apoio", disse Lok Bahadur Chhetri, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, nesta sexta-feira.
Uma equipe sul-coreana de resposta rápida já está em Katmandu, mas ainda não foi mobilizada porque o governo nepalês não tem, por enquanto, um plano para aceitar equipes estrangeiras de resgate, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul.
Trabalhadores sul-coreanos de uma usina hidrelétrica na região estão na lista de mortos e desaparecidos na tragédia.
Além da Coreia do Sul, Índia, China, Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Sri Lanka e Bangladesh também teriam pedido autorização ao governo nepalês para ajudar nas operações de busca e resgate, segundo o jornal The Kathmandu Post.
Para Dinesh Bhattarai, ex-embaixador do Nepal junto às Nações Unidas em Genebra, a relutância do governo em aceitar equipes estrangeiras de busca e resgate pode estar relacionada à sensibilidade estratégica do distrito de Rasuwa, atingido pelas enchentes e localizado na fronteira com a região chinesa do Tibete.
"Eles podem ter levado em consideração a sensibilidade geográfica da região e decidido não aceitar equipes estrangeiras", disse Bhattarai à Reuters.
Até a noite de quinta-feira, os socorristas chineses ainda não haviam conseguido chegar à área mais afetada do lado chinês da fronteira, a passagem fronteiriça de Gyirong, segundo relatos da imprensa estatal. Equipes trabalhavam para remover os escombros da principal estrada de acesso à região.
Até agora, apenas cinco mortes foram confirmadas no lado chinês. As informações vindas do Tibete, que é em boa parte inacessível a jornalistas estrangeiros, dependem exclusivamente das autoridades chinesas.
O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, a segunda maior autoridade do país, chegou ao local do desastre em Gyirong na tarde de quinta-feira, informou a agência estatal Xinhua.A visita sugere que Pequim está tratando a tragédia como uma questão de máxima prioridade nacional.
( da redação com informações da AP, DW, AFP, BBC. Edição: Política Real)