31 de julho de 2025
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REAÇÃO: CNI diz que o fim da “taxa das blusinhas” pode pôr em risco 109 mil empregos e a geração de cerca de R$ 21,8 bilhões em produção doméstica em 2026.

Indústria de transformação será a principal prejudicada

Por Politica Real com agências
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Ricardo Alban, presidente da CNI Foto: Arquivo da Política Real

(Brasília-DF, 26/08/2026)  Na tarde desta quarta-feira, 26, após as declarações dos chefes de poderes ao final de encontro no Palácio do Alvorada em que foi definida a pauta prioritária de votação no chamado “esforço concentrado” que será realizado na primeira semana de setembro, a última antes das eleições nacional, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nota técnica em que diz que o fim da “taxa das blusinhas” pode pôr em risco 109 mil empregos e a geração de cerca de R$ 21,8 bilhões em produção doméstica em 2026.

O estudo estimou os efeitos da retirada do Imposto de Importação (II) sobre o volume e o valor das compras internacionais de pequeno valor — de até US$ 50. 

“Com o imposto em vigor, o consumo que hoje vai para compras internacionais por meio do Programa Remessa Conforme seria direcionado a produtos e serviços produzidos no Brasil. O imposto funcionava como uma redução parcial da assimetria tributária entre a produção doméstica e os similares importados”, aponta Marcio Guerra, Superintendente de Economia da CNI.

Segundo o economista, o cálculo mostra quão nociva para a economia pode ser a aprovação da Medida Provisória 1.357/2026, que acaba com a "taxa das blusinhas”.

“Zerar o imposto sobre produtos de até US$ 50 estabelece um tratamento tributário diferenciado para as importações. Isso prejudica o mercado interno, viola a isonomia, a livre concorrência e o preceito constitucional de proteção do mercado interno como patrimônio nacional. A retomada da cobrança do imposto é fundamental para que a indústria brasileira recupere a competitividade”, avalia.

Volume e valor total de pequenas importações deve disparar

A CNI projeta que 249,5 milhões de encomendas de pequeno valor vão entrar no país por meio do Programa Remessa Conforme (PRC) este ano, alta de 56,3% em relação a 2025. O crescimento seria menor caso o Imposto de Importação sobre as compras ainda estivesse valendo. Nesse cenário, seriam 194,9 milhões de remessas, volume que ainda é 22,1% superior ao registrado no ano passado. Logo, o fim da “taxa das blusinhas” deve aumentar a quantidade de remessas em 28%.

Em valores, as projeções da CNI apontam R$ 23,6 bilhões em importações via PRC, crescimento de 65,7% frente a 2025. Com a taxação, porém, seriam R$ 16,6 bilhões, montante 16,2% acima do ano passado. Portanto, a nova política adotada deve aumentar em 42,3% o valor das compras internacionais de pequeno valor a entrar no país.

Indústria de transformação será a principal prejudicada

De acordo com a nota técnica, para cada R$ 1 importado por meio do Programa Remessa Conforme, deixa-se de gerar R$ 3,11 ao longo das cadeias produtivas do país.

O impacto atinge, principalmente, a indústria de transformação. Como boa parte dos produtos comprados pelo programa — como eletrônicos, vestuário e bens de consumo em geral — concorre mais diretamente com itens fabricados no Brasil do que com serviços ou produtos primários, dois terços do efeito total recaem sobre o segmento.

( da redação com informações da Ag.CNI. Edição: Política Real)