Scott Bessent, do Tesouro dos EUA, diz que quem fizer comércio com o Irã poderá ser excluído do mercado do dólar; Brasil poderá ser atingido
Donald Trump e sua "guerra econômica" contra o Irã
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(Brasília-DF, 24/08/2026). Nesta segunda-feira, 24, os Estados Unidos ampliaram nesta a pressão econômica sobre o Irã e abriram espaço para que empresas e países que mantenham negócios com Teerã sejam atingidos por sanções secundárias.
A "guerra econômica", como vem chamando o presidente Donald Trump, aumenta o risco de efeitos colaterais sobre parceiros comerciais como o Brasil.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, chamou a medida de "Dia D econômico" e afirmou que Washington pretende cortar as fontes de financiamento do governo iraniano.
A nova ofensiva mira setores como petróleo, ativos digitais, tecnologia, ouro, aviação e transporte marítimo. Segundo Bessent, entidades que continuarem facilitando transações com o Irã poderão ser excluídas do sistema financeiro em dólar.
Brasil e BRICS na zona de atenção
O Brasil não foi citado diretamente como alvo das novas sanções, mas mantém relações comerciais relevantes com o Irã. Segundo o Ministério da Agricultura, as exportações brasileiras ao país somam cerca de US$ 5 bilhões por ano, principalmente em milho, soja, óleo comestível, carne bovina e açúcar.
O risco para empresas brasileiras estaria sobretudo em operações que dependam do sistema financeiro, transporte marítimo, seguradoras ou intermediários sujeitos à jurisdição americana.
A experiência de outros países mostra que sanções secundárias podem dificultar pagamentos e elevar custos mesmo quando uma empresa não é diretamente sancionada.
A proximidade do Brasil com o Irã também tem uma maior dimensão estratégica com participação de Teerã no BRICS. O país ingressou no grupo em 2024 e anunciou neste mês que entrará no Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), com apoio inclusive do Brasil.
O Irã também já defendeu publicamente a ampliação do comércio em moedas nacionais entre os integrantes do BRICS, justamente para reduzir a dependência do dólar. Brasil e Irã vêm discutindo mecanismos para ampliar o comércio bilateral, o fim do uso da moeda americana e acordos bilaterais de investimentos.
Um caminho para a desdolarização
O dólar americano tem sido a principal moeda de reserva mundial desde a Segunda Guerra Mundial e atualmente representa 58% das reservas internacionais, segundo dados do think tank Atlantic Council.
No entanto, nos últimos anos, e especialmente desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, em 2022, e a subsequente escalada das sanções financeiras por parte do Ocidente, diversos países — incluindo membros do BRICS — expressaram a intenção de acelerar os esforços para diversificar suas economias e reduzir sua dependência do dólar.
Ao mesmo tempo, o atual conflito no Oriente Médio, embora não tenha eliminado o petrodólar, acelerou a tendência já existente de desdolarização do comércio internacional. A escalada do conflito levou bancos centrais internacionais a se desfazerem massivamente desses ativos, reduzindo as reservas do Banco da Reserva Federal de Nova York para US$ 2,7 trilhões, o nível mais baixo em 14 anos.
( da redação com informações da RT News. Edição: Política Real)