Analistas de mercados avaliam o pré-tarifaço dos Estados Unidos ao Brasil e temem uma escalada
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(Brasília-DF, 21/07/2026). Na véspera do início do tarifaço de 25% proposto pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) com base na seção 301 do Código de Comércio dos Estados que deverá atingir 3 mil produtos brasileiros que são eventualmente exportados para os EUA, vários economistas comentaram as medidas.
No geral, eles avaliam o receio de uma escalada nas medidas.
Pré-Tarifaço: Brasil pode perder até R$ 25,4 bilhões em atividade econômica
"O maior risco não é a entrada em vigor da tarifa, mas uma possível escalada", Cassio Viana de Jesus, Diretor de Investimentos e Negócios da Pilar Capital.
Veja avaliações feitas por economistas que chegaram à redação
“O maior risco não está na tarifa que entra em vigor amanhã, já em boa parte antecipada pelos preços e amortecida pela lista de exceções e pelo reforço do Plano Brasil Soberano, mas na possibilidade de escalada nas semanas seguintes, seja por ampliação da medida, seja por retaliação. O que ainda não foi precificado é o efeito de segunda ordem, a compressão de margem e a renegociação de contratos que só aparecem depois que os embarques já fechados se esgotam. Por isso o impacto surge primeiro na carteira de pedidos e no capital de giro das empresas dos setores atingidos, e não nos indicadores agregados de atividade. A leitura na balança comercial vem com atraso, porque ela ainda carrega contratos em trânsito e tem defasagem de divulgação. Para as companhias expostas, a decisão relevante agora é estruturar capital de giro e alongar passivos antes que o quadro se defina, de forma a atravessar a volatilidade sem interromper o investimento”, Peterson Rizzo, Head de Relações com Investidores da Multiplike.
“O efeito menos precificado do tarifaço está no encadeamento financeiro das empresas atingidas. Uma exportadora que perde pedidos ou precisa conceder desconto ao comprador americano não sofre apenas uma redução de receita. Ela passa a ter estoques mais altos, menor geração de caixa, necessidade adicional de capital de giro e maior dificuldade para cumprir obrigações já contratadas. Esse movimento pode atingir recebíveis, garantias, contas vinculadas e fundos expostos a essas operações. No mercado de capitais, o impacto inicial tende a aparecer no câmbio, nos preços dos ativos e no aumento das exigências de garantia. Logo depois, a pressão deve alcançar a gestão de caixa e as estruturas financeiras das empresas, especialmente aquelas que dependem de poucos compradores ou mantêm obrigações em dólar sem proteção adequada. Os dados de atividade e comércio exterior exigirão mais tempo para mostrar essa transmissão. A balança comercial poderá registrar mudanças de volume entre 30 e 90 dias, conforme os embarques contratados anteriormente sejam concluídos e novas encomendas passem a refletir a tarifa. Já os efeitos sobre produção, emprego e investimento devem ficar mais claros ao longo de 1 ou 2 trimestres. O risco mais relevante não começa nem termina amanhã. A entrada em vigor da tarifa inaugura uma fase de reavaliação de contratos, limites de crédito e estruturas de garantia. Uma eventual escalada para 37,5%, acompanhada de reciprocidade brasileira, ampliaria a incerteza regulatória e poderia exigir revisões mais profundas nas operações. Nesse ambiente, governança, precisão das informações e segregação adequada dos recursos deixam de ser questões administrativas e passam a determinar a capacidade de atravessar o choque sem comprometer investidores e credores”, Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.
“Percebo que tarifa de 25% já foi parcialmente precificada, mas o mercado ainda subestima os efeitos indiretos, como renegociação de contratos, compressão de margens e redirecionamento das exportações. Os primeiros impactos devem aparecer nas encomendas, no faturamento das empresas exportadoras e na concessão de crédito, enquanto a balança comercial e os indicadores de atividade tendem a refletir esse movimento entre um e 3 meses. O maior risco, não começa com a entrada em vigor da tarifa, mas com uma eventual escalada das tensões comerciais nas próximas semanas, que ampliaria a incerteza, reduziria investimentos e elevaria os impactos sobre setores mais dependentes do mercado americano”, Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.
“Parte do tarifaço já está nos preços, mas o mercado precificou principalmente o anúncio, não toda a cadeia de consequências. Ainda falta calcular quanto da tarifa será absorvido pelas margens dos exportadores, quanto será repassado aos compradores americanos e quantos contratos perderão viabilidade econômica. Também não está totalmente refletido o risco de deterioração do crédito das empresas mais expostas, sobretudo aquelas com receitas concentradas nos Estados Unidos, custos em reais e pouca capacidade de redirecionar a produção. O primeiro impacto deve aparecer no câmbio, nas ações das companhias exportadoras atingidas e nos spreads de crédito privado. A taxa de câmbio pode reagir imediatamente ao aumento da incerteza, embora o efeito não seja necessariamente uma desvalorização linear do real, porque a redução das exportações também pode ser parcialmente compensada por juros domésticos elevados e entrada de capital financeiro. Na economia real, a transmissão será mais lenta. Cancelamentos de pedidos, renegociação de preços e redução de produção podem começar nas próximas semanas, mas os indicadores de atividade devem mostrar um efeito mais consistente entre o fim do 3º trimestre e o 4º trimestre. Na balança comercial, os primeiros sinais podem aparecer em agosto e setembro, mas será necessário observar pelo menos 2 ou 3 meses para separar o impacto tarifário das oscilações normais de preços, volumes e embarques. O maior risco, portanto, não está apenas na entrada em vigor da taxa. Está na possibilidade de uma nova tarifa de 12,5%, na adoção de medidas de reciprocidade e na transformação de uma disputa comercial localizada em um ciclo de retaliações. Para o investidor, esse cenário exige diversificação, liquidez e atenção à qualidade dos emissores, porque o choque agregado pode ser administrável para o Brasil, mas bastante severo para empresas e cadeias específicas”, Gustavo Assis, CEO da Asset.
“A um dia da entrada em vigor da tarifa de 25%, o impacto direto sobre os setores atingidos já está parcialmente incorporado aos preços, mas alguns efeitos ainda não foram completamente precificados. Entre eles estão a capacidade efetiva das empresas de repassar custos, renegociar contratos, redirecionar exportações e preservar margens e capital de giro. Também permanece incerta a reação brasileira e a possibilidade de novas medidas comerciais nas próximas semanas. O primeiro impacto tende a aparecer nas empresas com maior dependência do mercado americano, por meio de redução de pedidos, revisão de preços, alongamento de estoques e maior necessidade de financiamento. No mercado financeiro, o efeito inicial deve ocorrer na volatilidade setorial, no câmbio e na percepção de risco, e não necessariamente em uma deterioração generalizada dos ativos brasileiros. Nos indicadores de atividade e na balança comercial, a transmissão será mais gradual. Os primeiros sinais devem aparecer nos embarques e nas encomendas ao longo das próximas semanas, mas os efeitos mais consistentes sobre produção, investimento e emprego tendem a surgir apenas nos próximos meses, à medida que contratos forem renegociados e empresas ajustarem suas cadeias comerciais. A tendência é que parte das empresas afetadas busque alternativas para preservar liquidez, seja por meio da renegociação de contratos, diversificação de mercados ou utilização de linhas de crédito. As medidas de apoio que vêm sendo discutidas pelo governo podem reduzir impactos de curto prazo sobre capital de giro e fluxo de caixa, mas não substituem a adaptação comercial nem eliminam os efeitos sobre competitividade caso as tarifas permaneçam por um período prolongado. O maior risco não começa necessariamente amanhã. A tarifa inicial já é conhecida e parte relevante de seus efeitos foi mitigada pelas exceções concedidas. O ponto de maior atenção está nos efeitos de segunda ordem e em uma eventual escalada tarifária, acompanhada de retaliações ou ampliação das restrições comerciais. É nesse momento que o mercado passa a reprecificar o risco de crédito, revisar projeções de investimento, ajustar ratings corporativos e aumentar a seletividade na concessão de financiamento. Para empresas mais expostas ao comércio exterior, a capacidade de preservar liquidez, diversificar receitas e manter baixa alavancagem será determinante para atravessar esse novo cenário”, Valdir Piran Jr., CEO da Intra Asset.
“A um dia da vigência, o mercado já precificou o anúncio da tarifa de 25%, mas ainda não o impacto real, porque uma coisa é a expectativa e outra é a nota fiscal chegando mais cara na ponta. O primeiro lugar onde isso aparece é no caixa das empresas mais expostas aos Estados Unidos, que terão que escolher entre repartir a tarifa e espremer a margem ou perder o pedido. E há um alívio importante, o governo calcula que só cerca de 18% das exportações ao país serão atingidas, já que boa parte ficou nas exceções, então o choque é localizado. Na atividade e na balança comercial, o efeito tende a demorar de 1 a 2 trimestres, porque contratos em andamento e produtos já embarcados seguem fluindo. O maior risco não é amanhã, que já está no preço, e sim uma escalada nas próximas semanas, seja um adicional de tarifa, seja uma resposta brasileira via reciprocidade que gere uma contra-resposta. É aí que uma disputa pontual poderia virar um conflito comercial mais amplo, cenário que ainda não está refletido nos ativos brasileiros”, André Matos, CEO da MA7 Capital.
“Os dados até o momento indicam que o mercado parece ter absorvido parte relevante da expectativa de impacto direto da tarifa de 25%. O que ainda não está plenamente precificado são os efeitos de segunda ordem. O impacto aparecerá primeiro nas empresas mais expostas aos EUA, com adiamento de embarques, renegociação de contratos, pressão sobre margens e maior cautela em investimentos e contratações. Na balança comercial, considerando o lag temporal, os efeitos devem surgir entre agosto e setembro; na atividade, com mais clareza para ser medido, entre o terceiro e o quarto trimestre. O maior risco não é a entrada em vigor da tarifa, mas uma possível escalada, com novas medidas ou retaliações que pressionem o câmbio, elevem o risco-Brasil e reduzam o espaço para cortes de juros”, Cassio Viana de Jesus, Diretor de Investimentos e Negócios da Pilar Capital.
“O mercado ainda não precificou integralmente a necessidade de liquidez que pode surgir nas empresas afetadas pelo tarifaço. O exportador pode enfrentar uma combinação difícil de queda nas encomendas, prazo maior para receber, formação de estoques e redução das margens. Mesmo uma empresa com patrimônio sólido pode sofrer um descasamento temporário de caixa. O impacto aparecerá primeiro no câmbio e nas empresas listadas, mas, fora da bolsa, o sinal mais importante será o aumento da procura por capital de giro e por operações com garantia. Bancos e credores também devem revisar limites, projeções de receita e capacidade de pagamento, o que pode encarecer o financiamento justamente quando as companhias mais precisam de recursos. Esse efeito não deve aparecer de forma completa no primeiro dia. Durante algumas semanas, muitas empresas ainda trabalharão com contratos, estoques e embarques negociados antes da tarifa. A pressão mais visível sobre o caixa tende a surgir entre 30 e 90 dias, enquanto produção, emprego e investimento podem sentir o choque ao longo dos próximos 2 trimestres. Na balança comercial, agosto poderá trazer os primeiros sinais, mas setembro e outubro oferecerão uma leitura mais confiável. O risco maior está em uma escalada, porque uma tarifa adicional de 12,5% ou uma resposta brasileira elevaria custos, reduziria previsibilidade e dificultaria a reorganização dos fluxos comerciais. Nesse ambiente, crédito com garantias reais pode oferecer prazo e custo mais adequados, mas a operação precisa partir de uma análise conservadora da capacidade de pagamento. Tomar crédito apenas para adiar um problema estrutural aumentaria a vulnerabilidade da empresa”, Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco.
“O efeito ainda não precificado pelo investidor brasileiro é que o tarifaço não representa apenas um risco para empresas exportadoras. Ele aumenta a correlação entre risco político, câmbio, inflação e bolsa doméstica. O primeiro movimento tende a aparecer no real e nas ações das companhias afetadas, enquanto ativos dolarizados podem funcionar como proteção. Essa proteção, porém, não deve ser confundida com uma aposta simples na alta do dólar. Uma escalada comercial também pode afetar bolsas americanas, elevar custos nos Estados Unidos e pressionar as margens de empresas que dependem de insumos estrangeiros. Em um cenário global de juros ainda elevados, tensões geopolíticas e fragmentação do comércio, a volatilidade pode atingir simultaneamente diferentes mercados. Os efeitos sobre a balança comercial brasileira devem começar a aparecer entre agosto e outubro, enquanto produção, investimento e emprego podem levar 1 ou 2 trimestres para refletir a redução das encomendas. O maior risco não é a fotografia de amanhã, mas a sequência de decisões que pode vir depois. Uma tarifa adicional de 12,5%, a reciprocidade brasileira ou novas barreiras sobre outros países ampliariam o choque e poderiam fortalecer o dólar globalmente. Para o investidor, a resposta não deve ser concentrar todo o patrimônio no exterior após a notícia, mas construir uma exposição internacional permanente, diversificada entre moedas, setores e classes de ativos. A função de uma carteira global é reduzir a dependência de um único país justamente quando decisões políticas alteram preços, fluxos comerciais e expectativas em poucos dias”, Fábio Murad, Sócio e Fundador da Ipê Avaliações.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)