31 de julho de 2025
ECONOMIA MUNDIAL

FED, banco central dos EUA, aumentou taxa de juros depois de 3 anos; veja algumas análises sobre a decisão

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Por Política Real com assessoria
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Uma imagem do FED nos Estados Unidos Foto: Arquivo da Política Real

(Brasília-DF, 16/09/2026). Nesta quarta-feira, 16, o Banco Central dos Estados unidos, o FED, aumentou a taxa de juros depois de três anos. 

Confira algumas análises de especialistas do mercado financeiro sobre a decisão:

Marcelo Bassani, economista e sócio-fundador da Boa Brasil Capital

A decisão veio dentro do esperado. A decisão foi unânime mostrando que o consenso apontava para esse movimento, então não há surpresa relevante de curto prazo aqui.

Comunicado veio hawkish, e o principal ponto, na minha visão, não é nem a alta em si, mas o fato do Fed elevar a projeção de juros para o fim de 2026 de 3,8% para 4,1%, sinalizando que pode haver mais uma alta ainda este ano. É um tom de comitê que não está satisfeito com o processo desinflacionário e prefere apertar um pouco mais os juros, do que ceder a cortes ou mantimento.

Acredito que a decisão se justifica pelos próprios fundamentos citados no comunicado: atividade econômica em ritmo sólido, gastos domésticos resilientes (mesmo com a incerteza geopolítica do Oriente Médio), produtividade forte, investimentos robustos e mercado de trabalho ainda equilibrado, sem sinais de deterioração. Ou seja, a economia americana está aguentando juros altos sem travar e isso provavelmente deve dar ao Fed conforto para continuar priorizando o combate à inflação em vez de se preocupar somente com crescimento ou emprego.

Neste momento acredito que teremos novas altas até o fim do ano. Na minha leitura este é o dado mais importante da rodada: a projeção mediana do próprio Fed para 2026 subiu para 4,1%, o que matematicamente só se sustenta com pelo menos mais uma alta de 25pb em uma das duas reuniões restantes do ano (outubro/dezembro). Vejo que o mercado pode começar a precificar isso de forma mais consistente a partir de agora, então o viés de curto prazo possa ser de juros americanos mais altos, e não de pausa.

Os futuros de Wall Street não tiveram grandes reações, o que é coerente com decisão dentro do esperado, o mercado já esperava por esta decisão. Já por aqui, o Ibovespa e o dólar seguiram em linha com o esperado e também não tiveram grandes reações. O mercado também está de olho na decisão do Copom, que sai horas depois da do Fed.

Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital Nova York

A decisão do Fed veio dentro do esperado. Diante dos dados de inflação da semana passada, que não foram suficientes para acalmar o mercado, e com o petróleo voltando a superar os US$ 100 por barril, o Fed optou por elevar as taxas em 25 bps a fim de preservar sua credibilidade.

Na minha visão, o tom foi direto, mas a palavra "timelier return to the Committee's 2 percent goal", junto com uma projeção de juros mais alta para 2027, indica um tom mais hawkish, sinalizando que podemos estar diante de um início de ciclo de aumentos na taxa de juros americana. O FED com certeza começou o seu esforço máximo contra a inflação.

O Fed optou por elevar a taxa a fim de evitar um choque de credibilidade no mercado de renda fixa americano. Ainda assim, o movimento me parece precipitado. A inflação implícita de 5 e 10 anos está ancorada, o PCE (índice de inflação alvo do Fed) passará por uma revisão metodológica do Bureau of Economic Analysis em 30 de setembro que pode reduzir a leitura da inflação em cerca de 20 bp e as forças-tarefa lideradas por Warsh já vêm promovendo mudanças estruturais relevantes. O último dado do PCE registrou alta de 0,2%, sendo que metade veio justamente da categoria de serviços financeiros e seguros, cuja metodologia será revisada nessa data. Há tempos se sabe que parte desses dados é imputada e distorce a leitura de inflação. Elevar juros duas semanas antes de uma mudança metodológica dessa magnitude não me parece o melhor movimento.

A depender do desdobramento do conflito no Irã, acredito que podemos ter mais um aumento na taxa de juros ainda este ano. Entretanto, tudo mais constante, caso o petróleo volte a níveis mais estáveis, $70-$80 dólares por barril, a inflação deve continuar convergindo para 2%, dado as mudanças metodológicas que vão acontecer no PCE, além do final da passagem das tarifas a inflação. Nesse cenário, acreditamos que o FED mantém as taxas de juros estáveis pelo restante do ano. Além disso, a projeção do FED de 3.4% para o Core PCE me parece exagerada, dado que ela implica que a inflação não irá ter um progresso positivo ao longo do resto do ano, o que não concordamos.

O comunicado causou uma leve queda nas bolsas americanas, que manteram seu desempenho positivo no dia, dado que o aumento na taxa de juros já estava amplamente precificado. O dólar se manteve estável, assim como a Ibovespa, que já registrava uma performance negativa no dia.

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)