Lula, no Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), em São Caetano do Sul, confere testes para ampliação da mistura de biodiesel aos combustíveis; entidades do setor dizem que o Brasil está pronto para avançar
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(Brasília-DF, 13/07/2026) Nesta segunda-feira, 13, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre agenda em São Paulo. Pela manhã, ele faz visita o Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), em São Caetano do Sul (SP), para acompanhar de perto o programa nacional de testes que avalia a viabilidade técnica da ampliação da mistura de biodiesel ao diesel. O grupo de entidades ligados ao setor do biodiesel vão entregar documento afirmando que o Brasil está pronto para avançar na adição do biodiesel nos combustíveis.
A agenda também contará com a presença do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e ocorre em um momento decisivo para a implementação da Lei do Combustível do Futuro. O IMT é o laboratório central responsável pelos ensaios que avaliarão misturas entre B16 e B25, etapa considerada fundamental para embasar futuras decisões regulatórias sobre o aumento do percentual obrigatório de biodiesel no diesel, atualmente fixado em 15%.
Os testes fazem parte do trabalho conduzido pelo Subcomitê de Avaliação da Viabilidade Técnica de Misturas de Altos Teores de Biocombustíveis em Combustíveis Fósseis, criado pelo Ministério de Minas e Energia, em outubro de 2025. O grupo coordena os estudos técnicos que deverão subsidiar a regulamentação e a implementação da Lei do Combustível do Futuro.
A APROBIO participa do projeto
No eixo dedicado ao biodiesel, foi elaborado o Plano de Testes de Avaliação da Viabilidade Técnica do B16 ao B25. A Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (APROBIO) participa das discussões como colaboradora do projeto.
Para o Presidente da APROBIO, Jerônimo Goergen, a iniciativa representa um passo fundamental para dar segurança técnica às próximas decisões sobre a evolução da mistura.
“É muito importante a metodologia do programa de testes, que deve dissipar qualquer dúvida sobre a viabilidade do avanço da mistura até o B25, assim como já podemos considerar existir elementos suficientes de análise para garantir a adoção segura de B16 e B17 o quanto antes”, afirma.
Sucesso com misturas superiores
Segundo Goergen, a experiência acumulada pelo setor já demonstra resultados consistentes com percentuais superiores aos atualmente utilizados.
“O setor automotivo já registra vários testes de misturas superiores a essa com sucesso comprovado e o setor se mobiliza junto ao governo federal para agilizar o processo de testagem considerando, inclusive, que já existem várias experiências bem-sucedidas de uso do biocombustível em misturas de 20%”, completa.
A visita presidencial aos laboratórios do Instituto Mauá reforça a importância estratégica dos estudos técnicos para o futuro da política brasileira de biocombustíveis e coloca o avanço da mistura de biodiesel novamente no centro das discussões sobre transição energética, segurança no abastecimento e descarbonização da matriz de transportes.
Confira o documento das entidades que defendem o biodiesel sobre a iniciativa
O Brasil está pronto para o B17
O Brasil vive um momento singular para consolidar sua liderança mundial em
soberania energética e renovável. Em um cenário internacional marcado pela
volatilidade dos preços do petróleo, instabilidade geopolítica, os biocombustíveis
brasileiros representam uma resposta concreta para ampliar a competitividade
nacional, reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e fortalecer a
economia do país.
Essa posição tem sido reiteradamente reconhecida no cenário internacional,
destacando a capacidade brasileira de produzir energia limpa em escala,
conciliando competitividade econômica, segurança energética e alimentar. Na
mesma direção, organismos internacionais e publicações especializadas têm
reconhecido o protagonismo brasileiro na produção sustentável de
biocombustíveis. Mais do que uma oportunidade conjuntural, trata-se de uma
vantagem estratégica construída ao longo de décadas de investimentos em ciência,
tecnologia, agricultura e indústria nacional.
Para assegurar a evolução das misturas obrigatórias de biodiesel, foi estruturado
um dos maiores programas nacionais de validação realizados no mundo. O
programa reúne 16 laboratórios e universidades, envolve motores, veículos e
máquinas agrícolas e contempla ensaios de durabilidade, desempenho, emissões,
testes de campo e análises físico-químicas. Um esforço coordenado entre governo,
indústria de biodiesel, universidades e fabricantes para garantir que cada etapa da
ampliação da mistura ocorra com absoluta segurança técnica.
Os resultados obtidos até o momento reforçam a robustez dessa iniciativa e
oferecem ao país condições técnicas para prosseguir com a política pública
prevista na Lei do Combustível do Futuro, iniciando um novo ciclo com a adoção
da mistura B17.
O biodiesel impulsiona o esmagamento da soja, amplia a produção de óleo
vegetal, aumenta a disponibilidade de farelo e fortalece toda a cadeia brasileira de
proteínas animais. Mais farelo no mercado, significa ração mais barata e
consequentemente carne mais barata. Essa cadeia representa cerca de 18% do
Produto Interno Bruto, gera aproximadamente 16 milhões de empregos diretos e
indiretos e responde por cerca de 26% das exportações brasileiras, tornando-se um
dos principais motores da economia circular e do desenvolvimento econômico.
Ao mesmo tempo, a expansão do biodiesel promove a industrialização do
agronegócio, agrega valor à produção nacional, fortalece a agricultura familiar por
meio do Selo Biocombustível Social, estimula o desenvolvimento regional e reduz
emissões de gases de efeito estufa e de poluentes locais, contribuindo também para
a saúde pública.
Do ponto de vista econômico, o aumento da participação dos biocombustíveis
reduz a exposição do Brasil às oscilações internacionais do mercado de petróleo,
aumenta a segurança do abastecimento e cria um importante mecanismo de
amortecimento para a volatilidade dos preços dos combustíveis.
O Brasil reúne todas as condições para avançar: possui capacidade produtiva
instalada, disponibilidade de matéria-prima, indústria consolidada, tecnologia
nacional, segurança regulatória e validação técnica em andamento.
A implementação do B17 representa um passo natural na trajetória estabelecida
pela política energética brasileira e pelos compromissos assumidos pelo país em
matéria de descarbonização, desenvolvimento industrial e soberania energética.
Por essas razões, as entidades signatárias manifestam seu apoio à elevação da
mistura obrigatória de biodiesel para B17, entendendo que o Brasil vive o
momento mais favorável para consolidar sua posição como referência mundial em
bioenergia, transformando uma vantagem competitiva nacional em
desenvolvimento econômico, geração de empregos, fortalecimento da
agroindústria e maior segurança energética para todos os brasileiros. O Brasil está
preparado. Os testes demonstram responsabilidade técnica. O contexto
internacional reforça a urgência. Este é o momento de avançar para o B17.
Abiove – Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais
Aprobio – Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil
FPBio – Frente Parlamentar do Biodiesel no Congresso Nacional
Ubrabio – União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene
São Paulo (SP), 13 de julho de 2026.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)