31 de julho de 2025
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Lideranças e redes sociais bolsonaristas preferem dar suporte a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro mesmo após o ataque de Michelle Bolsonaro

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Por Politica Real com agências
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Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro Foto: Montagem Política Real

Com agências.

(Brasília-DF, 27/06/2026). Depois do ataque da ex-primeira dama Michelle Bolsonaro , presidente do PL Mulher, ao senador Flávio Bolsonaro(PL-RJ), pré-candidato do PL à presidência da República  na última quarta-feira, 24, que foi forte abalo na pré-campanha do seu enteado, está sendo lido como um momento de disputa dentro do grupo bolsonarista mas a reação das lideranças bolsonaristas e monitoramentos da repercussão da briga nas redes sociais, porém, indicam que a ex-primeira-dama também sofreu desgaste com o episódio, devido à leitura de parte do campo bolsonarista de que ela teria exposto questões internas e prejudicado as chances de derrotar o PT em outubro

Por outro lado, também há quem veja um saldo positivo para a ex-primeira-dama, fora do núcleo duro bolsonarista. Para Carolina Althaller, diretora executiva do Instituto Update, o episódio mostra que há uma clara "disputa de poder dentro do mesmo campo' que não pode ser resumida a uma 'briga de família'.

"No curto prazo, ela sai com capital político elevado, sem se colocar formalmente como candidata, e com a narrativa de quem foi desrespeitada mesmo sendo leal. Para sua base feminina evangélica, esse frame é muito poderoso", analisa.

As reações negativas nas redes sociais

Segundo monitoramento do instituto Quaest, o assunto gerou 580 mil mensagens no Instagram, TikTok e X entre 20h de quarta-feira, pouco depois dos dois vídeos serem divulgados, até 12h do dia seguinte.

"Desse total, 42% das publicações defenderam Flávio e criticaram a postura de Michelle, argumentando que ela não deveria expor conflitos pessoais durante a campanha eleitoral. Por outro lado, 31% manifestaram apoio à ex-primeira-dama", apontou a Quaest.

"Entre seus defensores, ganhou força o argumento de que Michelle representaria uma alternativa eleitoral mais competitiva e viável. Os 27% restantes corresponderam a manifestações neutras, sem apoio explícito a nenhum dos dois", disse ainda o instituto.

Outro monitoramento, realizado pela AP Exata Inteligência, mostrou que o episódio ajudou Flávio a recuperar o percentual de menções positivas nas redes sociais, após o desgaste causado pela revelação de que ele pediu dezenas de milhões ao Banco Master para financiar um filme em homenagem ao pai — R$ 61 milhões chegaram a ser aportados na produção da obra pela instituição, antes de sua liquidação, devido a fraudes bilionárias.

Segundo postagens monitoradas no Instagram e no X até 14h30 de sexta-feira (26/6), as menções positivas ao senador subiram de 32% para 38,44% após o episódio, alta de 6,44 pontos percentuais e melhor índice dos últimos 45 dias.

A AP Exata utiliza um modelo próprio de inteligência artificial para interpretar o contexto emocional das conversas envolvendo candidatos e temas políticos nas redes sociais. A ferramenta mede sentimentos como confiança, tristeza, alegria e medo para identificar mudanças na percepção do eleitorado no ambiente digital.

Segundo o CEO da AP Exata e cientista de dados, Sergio Denicoli, o sentimento de confiança é um dos indicadores mais relevantes na análise. Esse índice associado a Flávio Bolsonaro também avançou, passando de 11,63% para 13,9%, crescimento de 2,27 pontos.

"A leitura é que Flávio capturou a reação defensiva da base bolsonarista, que o enquadrou como vítima da exposição pública do conflito e ajudou a reduzir o desgaste do episódio", disse à BBC News Brasil.

O levantamento mostra ainda que os vídeos da ex-primeira-dama chegaram a 18 milhões de visualizações e elevaram sua presença no debate presidencial de 5% para 20,9% das menções entre os nomes monitorados.

O aumento de exposição, porém, não rendeu impacto positivo e seus indicadores de imagem ficaram praticamente estáveis. As menções positivas recuaram de 46,5% para 46,11%, queda de 0,39 ponto, enquanto a confiança passou de 18,2% para 17,9%, recuo de 0,3 ponto, aponta a AP Exata.

"Os números indicam que Michelle evitou corrosão relevante de imagem e preservou apoio sobretudo entre mulheres conservadoras e evangélicos, mas sem transformar o episódio em ganho proporcional de popularidade, enquanto Flávio conseguiu ativar sua militância e também perfis moderados, que consideraram a exposição equivocada, entendendo que a ex-primeira-dama expôs um conflito familiar de forma desnecessária", destaca Denicoli.

Direita racha nos grupos de WhatsApp, e esquerda engrossa apoio à Michelle

Já a empresa de análise de dados Palver, que monitora cerca de 100 mil grupos públicos de WhatsApp e 5 mil canais abertos de Telegram, também analisou o impacto da briga.

Segundo Lucas Cividanes, coordenador de Inteligência da Palver, "a direita se dividiu entre apoio a Michelle e apoio ao Flávio".

No geral, Michelle teve mais menções positivas nos grupos, porque também recebeu apoio do campo da esquerda.

O assunto, aponta a Palver, ganhou tração rapidamente nos grupos monitorados e alcançou o pico de 219 menções por 100 mil mensagens na quinta-feira (25/6).

"Entre as mensagens classificadas (excluindo neutros, que representam 44% da amostra da Palver), 67% são desfavoráveis à conduta de Flávio Bolsonaro e 33% são favoráveis. A vantagem de Michelle na disputa narrativa é expressiva", diz o relatório.

"A esquerda se juntou à Michelle no ataque a Flávio Bolsonaro, aumentando o volume de menções contrárias ao pré-candidato. A narrativa dominante é a de traição ideológica: Flávio e André Fernandes [deputado federal do PL no Ceará] teriam ignorado a memória política do pai preso ao buscar o apoio de Ciro Gomes, que historicamente atacou a família Bolsonaro com insultos pesados. Michelle é enquadrada como guardiã dos valores bolsonaristas", continua o documento sobre os resultados do levantamento.

( da redação com informações de assessoria e BBC, Edição: Política Real)