31 de julho de 2025
DESMATAMENTO

Dados apontam que desmatamento na Amazônia recuou 61,4% em relação a 2024/2025, a maior redução da série histórica, informa INPE

Desmatamento no Cerrado recuou 8,2% no mesmo período

Por Politica Real com agências
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Lula é informado sobre os dados do Deter/INPE Foto: Ricardo Stuckert

Com agências.

(Brasília-DF, 11/06/2026) Nesta quinta-feira, 11,  no Observatório Regional Amazônico (ORA) da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em Brasília (DF), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi oficialmente informado que houve uma redução histórica do desmatamento na Amazonia. Houve desmatamento, também, no Cerrado.

Lula esteve acompanhado do ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e do secretário-geral da OTCA, Martín Von Hildebrand, entre outras autoridades. Na ocasião, técnicos ambientais oficiais apresentaram os dados do Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Os painéis exibidos mostram uma redução generalizada do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, resultado do fortalecimento das políticas públicas ambientais e do setor após anos de sucateamento, segundo o governo federal.

Os números consolidados apontam que, na Amazônia, a queda no desmatamento foi de 61,4% em relação a 2024/2025, a maior redução da série histórica. No Cerrado, a diminuição no desmatamento foi de 8,2% em relação ao mesmo período de 2024/2025. O Deter informa em tempo real os órgãos de controle, e os dados são públicos.

O avanço é atribuído a ações coordenadas: os embargos do Ibama aumentaram 20% comparando o ano passado com o ano retrasado e, só na região da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, o desmatamento na beira da estrada foi reduzido em mais de 70%, com o governo assumindo o controle ambiental da região. As autoridades ambientais também destacaram que diferenciar o desmatamento ilegal do legal é de extrema importância.

Com esse desempenho, o Brasil alcançou as menores taxas de desmatamento da história na Amazônia, caminhando no fortalecimento das políticas públicas voltadas ao objetivo de alcançar o desmatamento zero.

Medidas concretas apresentadas sustentam os índices, como a criação e a ampliação de 16 novas Unidades de Conservação federais e a elaboração do Plano Clima, que traça o caminho para que o país enfrente a crise climática até 2035, com foco em promover a justiça climática.

Durante o evento, foi enfatizada a contribuição econômica da Amazônia não somente para o Brasil, mas para a região como um todo. Exemplo disso é o Fundo Amazônia, que hoje celebra R$ 1,3 bilhão por ano em aportes, contando com 153 projetos aprovados, enquanto o número de doadores subiu de dois para nove.

Reação firme contra ameaça de tarifaço dos EUA

A divulgação ocorre em meio a um embate diplomático e comercial. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) ameaçou impor um novo tarifaço contra produtos brasileiros, sob a alegação de que o Brasil estaria supostamente praticando desmatamento irregular, o que constituiria uma forma de "dumping".

O governo brasileiro rejeita fortemente a alegação. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, os dados já foram apresentados aos EUA em detalhes em Washington.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as negociações entre os países para tentar reverter a ameaça acontecem até, no máximo, esta sexta-feira ,12.

Defesa técnica dos dados e transparência

O ministro Capobianco, detalhou a solidez científica dos dados do INPE que dão suporte à posição do país:

"Estamos trabalhando para, em 31 de julho, termos a menor taxa da história da Amazônia. Isso põe por terra a acusação injusta dos EUA para justificar a imposição de tarifas". Ele rechaçou as suspeitas sobre a cadeia de produção nacional, assegurando que "o Brasil não está produzindo madeira ilegal".

Capobianco confirmou o envio prévio dos relatórios às autoridades americanas e a estratégia de total abertura dos sistemas de monitoramento: "Todos os dados foram mostrados para os EUA em Washington, mas mesmo assim veio essa acusação injusta contra nós".

O papel estrutural da OTCA e os desafios regionais

O secretário-geral da OTCA, Martín Von Hildebrand, contextualizou o funcionamento técnico e político do bloco, explicitando a complexidade da articulação entre as nações amazônicas:

"O tratado está sob o controle das chancelarias e dos ministérios relevantes. O tratado não executa projetos, e sim cria processos para que os países executem os projetos. Isso não é fácil, leva tempo." Ele alertou para a gravidade da situação ecológica global, pontuando que "evitar o ponto de não retorno é o nosso objetivo".

Para Hildebrand, reverter o cenário de degradação exige um esforço que ultrapassa os limites governamentais: "Precisamos da sociedade civil, das comunidades locais, das universidades, dos movimentos religiosos. Essa participação é fundamental, caso contrário não vamos conseguir manter a selva."

Por fim, o secretário-geral defendeu uma abordagem integral de desenvolvimento para a região que incorpore as demandas sociais e humanas de seus habitantes:

"Desenvolvimento sustentável não é só sobre bioeconomia. É também sobre segurança, com a crise de segurança pública na Amazônia. É também sobre investimentos em saúde. O que se busca é o bem-estar do povo", concluindo que "a OTCA precisa avançar nessas questões".

( da redação com informações da Sputnik News. Edição: Política Real)