31 de julho de 2025
ECONOMIA

REAÇÃO: CNC vê redução da Selic, mesmo tímida, um avanço, mas CNI continua sem ver nada muito bom

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Por Politica Real com agências
Publicado em
CNC e CNI divulgam nota sobre a decisão do Copom Foto: Montagem Política Real

(Brasília-DF, 30/04/2026) Nesta quinta-feira, 30, a Confederação Nacional do Comércio (CNC), divulgou nota avaliando a decisão do Copom sobre a redução da Selic para 14,50%, com redução de o,25%.

Ontem, 29, a Confederação Naconal da Indústria (CNI) divulgou nota em que destaca que atual taxa de juros agrava situação da economia.

Nota da CNC

“Redução de juros é bem-vinda, mas efeitos dependem de avanço em reformas e disciplina do gasto público. Decisão alivia crédito, mas não substitui medidas estruturais para reduzir o custo da economia e melhorar a confiança

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), nesta quarta-feira (29), de reduzir a taxa básica de juros em 0,25 p.p. reforça o movimento de alívio nas condições de crédito e é vista como positiva para famílias e empresas. O corte da Selic tende a reduzir o custo do financiamento, estimular o consumo e dar fôlego ao setor produtivo.

Mas o próprio movimento também evidencia um limite conhecido da política monetária: juros mais baixos, por si só, não resolvem os entraves estruturais da economia brasileira. Para o Banco Central do Brasil, é garantir que o ciclo de queda se sustente. E isso depende do ambiente econômico como um todo — especialmente da condução da política fiscal.

“A redução da Selic precisa ser acompanhada por sinais consistentes de equilíbrio nas contas públicas e avanço em iniciativas que aumentem a eficiência do Estado brasileiro, como a reforma administrativa”, afirma o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros. “Sem isso, o espaço para novos cortes tende a ser limitado, já que o risco fiscal pressiona expectativas de inflação e juros de longo prazo.”

Durante evento realizado na terça-feira (28), o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, Fabio Bentes, explicou que o comportamento do setor público influencia diretamente as decisões privadas. Segundo ele, a ausência de contenção de gastos reduz os incentivos para que famílias e empresas ajustem suas próprias finanças.

Na prática, a dinâmica econômica funciona de forma interdependente: o esforço de ajuste não ocorre de forma isolada. Quando o setor público aumenta despesas ou posterga reformas, o custo do financiamento tende a permanecer elevado, limitando os efeitos da política monetária.

 

Esse cenário também ajuda a explicar por que o corte de juros, embora necessário, não garante automaticamente melhora rápida das condições financeiras. Fatores como endividamento elevado, baixa produtividade e incertezas fiscais continuam influenciando o comportamento de consumo e investimento.

Mesmo fenômenos recentes — como o avanço das apostas on-line, que vêm sendo apontadas por estudos da Confederação como fator adicional de pressão sobre a renda das famílias — entram nessa equação como elementos que afetam o destino dos recursos na economia, mas não alteram o diagnóstico central: a necessidade de coordenação entre políticas.

Nesse contexto, ganha força a avaliação de que o Brasil precisa avançar em uma agenda mais ampla que inclua reformas administrativas, maior eficiência do gasto público e medidas para reduzir o chamado Custo Brasil. Esses fatores são considerados essenciais para melhorar o ambiente de negócios, elevar a produtividade e permitir uma trajetória sustentável de juros mais baixos.”,

Veja a nota da CNI:

“A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BCB) de reduzir em 0,25 ponto percentual (p.p) a taxa básica de juros, levando-a para 14,5% ao ano (a.a), ainda é insuficiente, avalia a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Nem mesmo a volatilidade nos preços do petróleo decorrente da guerra no Oriente Médio justifica a cautela excessiva do BCB em relação ao ciclo de cortes da Selic, postura que sufoca ainda mais a economia.

“O custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial. Ao mesmo tempo, o endividamento das empresas e das famílias bate recorde mês a mês, fragilizando a saúde financeira de toda a economia”, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI.

Para Alban, o Banco Central precisa intensificar os cortes na Selic a partir da próxima reunião do Copom. “Uma taxa de juros mais baixa deixou de ser apenas desejável e passou a ser essencial para recuperamos a produtividade e o bem-estar da população brasileira”, completa o presidente da CNI.

Petróleo e fluxo de capital estrangeiro aliviam pressão inflacionária

O Brasil está menos exposto ao choque de oferta do petróleo decorrente do conflito no Oriente Médio, especialmente em relação a países europeus. Por ser exportador líquido da commodity e utilizar biocombustível no consumo interno, o país tem vantagem estratégica. A alta dos preços do petróleo pode pressionar a inflação doméstica temporariamente, mas também gera forte entrada de divisas, permitindo que o governo adote medidas para minimizar os efeitos da alta dos combustíveis.

Além disso, há expressivo ingresso de dólares no mercado de capitais, consolidando o apetite externo pelo mercado acionário brasileiro. As duas fontes de entrada de moeda estrangeira conferem resiliência ao real, que se valorizou 10% frente ao dólar desde o início do ano, e ajudam a amortecer pressões inflacionárias externas.

A projeção da CNI é de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) vai fechar 2026 dentro do intervalo de tolerância da meta, cujo teto é fixado em 4,5%.

Endividamento de empresas e famílias se agrava

A manutenção da Selic em patamar elevado tem feito o endividamento corporativo e a inadimplência atingirem níveis jamais vistos, prejudicando, sobretudo, micro e pequenas empresas.

Os pedidos de recuperação judicial também batem recorde histórico, evidenciando que o alto custo financeiro prejudica a sustentabilidade operacional das companhias. A saúde financeira das famílias também se agravou nos últimos meses, com endividamento elevado e inadimplência crescente.

As consequências para a economia são claras: menor capacidade de investimento do setor produtivo e menor poder de compra das pessoas físicas.

Há margem para cortes adicionais na Selic

A política monetária excessivamente contracionista fica clara quando se considera a Regra de Taylor, que nada mais é do que o nível de juros que concilia pleno emprego e controle da inflação. Segundo estimativa da CNI, a Selic deveria estar em 11,1%, 3,4 pontos percentuais a menos do que o patamar atual. Isso significa que há espaço para o Copom promover cortes mais significativos dos juros sem comprometer a convergência da inflação à meta.”

( da redação com informações de assessorias. Edição: Política Real )