31 de julho de 2025
MERCADOS

Mesmo com alta do IPCA, bolsa brasileira tem novo recorde chegando a 197.324 pontos e dólar cai a R$ 5,01, a menor cotação em dois anos

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Por Politica Real com agências
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Dolar tem forte queda em dia de B3 com forte alta Foto: Arquivo da Política Real

(Brasília-DF, 10/04/2026) Nesta sexta-feira, 10, o Ibovespa fechou em alta e alcançou seu terceiro recorde consecutivo, depois de subir 1,12%, aos 197.324 pontos.

Na semana, o Ibovespa acumulou ganhos de 4,93%, impulsionado pelo fluxo de capital estrangeiro após o cessar-fogo entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Foi o segundo maior avanço semanal no ano para o principal índice da B3 e o maior desde o fim de janeiro.

Na terça-feira, 7, os países concordaram em interromper os ataques por duas semanas enquanto negociam o fim do conflito.

O otimismo também afetou o câmbio, com o dólar em queda de 1,02% contra o real nesta sexta-feira, encerrando a sessão cotado a R$ 5,01.

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Hoje ,10 foi divulgada a leitura do IPCA de março, em +0,88% na margem e +4,14% no acumulado dos últimos 12 meses. O número veio acima do teto das expectativas de mercado, em +0,77%

No que diz respeito aos itens mais sensíveis aos efeitos da guerra — que representam cerca de 15% da cesta do IPCA, conforme nosso estudo — se esperava aceleração para +2,36% em março; a alta foi mais forte do que o esperado, em +2,55%. Mesmo o agrupamento menos sensível, que tende a não responder tão fortemente a choques, subiu mais do que o esperado (+0,67%, contra projeção de +0,53%).

Entre os grupos de maior atenção, destaca-se a alta de alimentação no domicílio, que surpreendeu ao subir +1,94% (frente à nossa projeção de +1,50%). A surpresa no agrupamento partiu principalmente do leite longa vida (+11,74%), item volátil e que possui sensibilidade alta aos efeitos da guerra (via frete, principalmente). Ademais, o grupo também foi pressionado por alimentos in natura — notadamente os tubérculos, raízes e legumes (+16,78%) — e por carnes (+1,73%). No mesmo sentido, alimentação fora do domicílio subiu mais do que o esperado (+0,61%). Em Transportes, a pressão partiu do encarecimento da gasolina (+4,59%) e do óleo diesel (+13,90%), após a forte alta dos preços internacionais do petróleo. Em contraponto, passagem aérea (+6,08%) aliviou sua alta do mês anterior, assim como seguro de veículo (-2,43%). Vestuário voltou a subir, para +0,46%, conforme a sazonalidade do agrupamento. Já o grupo de Despesas pessoais (+0,65%) contou com avanço de recreação (+0,46%), em vista das altas de cinema, teatro e concertos (+3,95%) — após os descontos concedidos em fevereiro — e de hotel (+1,67%).

Em sentido decrescente, Educação se arrefeceu para +0,02%, em vista da dissipação do efeito dos reajustes sazonais de cursos regulares de fevereiro. Já Saúde e cuidados pessoais recuou para +0,42%, com desaceleração de higiene pessoal (+0,40%), liderada por perfume.

Para os serviços subjacentes, houve arrefecimento na margem, para +0,48% (ante +0,64%), com menor pressão de serviços de automóveis, aluguel e condomínio. Acreditavasse que as medidas de serviços não devem mostrar alívio ao longo do ano — a taxa acumulada em 12 meses dos serviços subjacentes ainda é elevada, em 5,34%. A média móvel de 3 meses dessazonalizada e anualizada dos serviços subjacentes se acelerou nesta leitura, de 5,86% para 6,16%, nível mais alto desde meados de 2025. Similarmente, a média móvel de 3 meses dessazonalizada e anualizada dos núcleos acompanhados pelo BC subiram de 4,29% para 4,65%.

Em síntese, o IPCA de março foi pior do que o esperado, com desvio concentrado em alimentos mais sensíveis aos efeitos da guerra. Em serviços subjacentes, o número veio pouco acima do esperado, por conta principalmente de alimentação fora do domicílio, mas com ajuda de serviços de veículos.

( da redação com informações da Bloomberg Linea e assessoria. Edição: Política Real)