31 de julho de 2025
NOVA GUERRA

Democratas face as ameaças ao Irã já defendem destituição com base na Emenda 25; republicanos já não escondem reprovação a Trump por ameaça contra uma “civilização”

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Por Politica Real com agências
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Capitólio, o Congresso dos EUA está de recesso até o dia 14 de abril Foto: Arquivo da Política Real

Com agências

(Brasília-DF, 07/04/2026) Faltando pouco para que se cumpra o ultimato do presidente Donald Trump contra o Irã a pressão nos Estados Unidos contra o chefe da Casa Branca se acirra.

Um número crescente de políticos democratas nos Estados Unidos está defendendo a aplicação da 25ª Emenda após as ameaças feitas por Donald Trump ao Irã.

Esse é um mecanismo previsto na Constituição americana que permite ao vice-presidente assumir o cargo caso o presidente não consiga cumprir suas funções.

A Seção 4 da emenda trata de situações em que o presidente não pode ou não quer declarar sua própria incapacidade. Se o vice-presidente e a maioria do gabinete concordarem que ele não está apto para o cargo, podem enviar uma declaração nesse sentido aos líderes do Congresso — o que o presidente ainda pode contestar.

Não há sinais de que integrantes do gabinete de Trump ou o vice-presidente JD Vance estejam considerando essa possibilidade, o que torna o cenário improvável. Ainda assim, isso não impediu os democratas de defenderem a medida.

Dezenas de parlamentares democratas acusaram Trump de "ameaçar cometer crimes de guerra genocidas" ou de ser "perigoso demais" para "ter acesso aos códigos nucleares".

A deputada Alexandria Ocasio-Cortez escreveu nas redes sociais:"Isso é uma ameaça de genocídio e justifica sua remoção do cargo. As faculdades mentais do presidente estão entrando em colapso e ele não pode ser considerado confiável."

Separadamente, líderes democratas na Câmara pediram que republicanos se juntem a eles em uma "votação para encerrar esta guerra imprudente e voluntária no Oriente Médio antes que Donald Trump arraste nosso país para a Terceira Guerra Mundial", classificando o presidente como "completamente desequilibrado".

"Sua declaração ameaçando erradicar uma civilização inteira exige uma resposta firme do Congresso."

A Câmara está atualmente em recesso e só deve retomar os trabalhos no dia 14 de abril.

Trump perde apoio de republicanos

Alguns dos aliados de longa data de Donald Trump no Partido Republicano condenaram suas ameaças contra a "civilização" iraniana e os ataques aéreos contínuos dos EUA.

O congressista da Geórgia, Austin Scott, que integra as comissões de Serviços Armados e de Inteligência da Câmara, disse à BBC News que os comentários de Trump pouco farão para interromper os combates.

"Os comentários do presidente são contraproducentes e não concordo com eles", afirmou Scott.

O republicano do Texas, Nathaniel Moran, postou no X que discorda da ameaça de Trump:

"Nossa nação sempre conduziu operações militares por causas justas e de maneira moral. Isso deve continuar no futuro; caso contrário, perderemos nossa legitimidade para liderar o mundo."

"Então, para deixar claro: não apoio a destruição de uma 'civilização inteira'. Isso não é quem somos, nem condiz com os princípios que há muito norteiam a América", acrescentou.

Trump também enfrentou críticas de vozes conservadoras influentes na mídia, incluindo Tucker Carlson, Alex Jones, Candace Owens e Joe Rogan.

A ex-congressista Marjorie Taylor Greene, que rompeu com Trump após construir sua carreira política como leal ao ex-presidente, chamou sua mais recente ameaça de "insana" e pediu sua remoção do cargo:

"Não podemos destruir uma civilização inteira. Isso é maldade e loucura", escreveu no X.

Joe Kent, ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, que renunciou em protesto à decisão de Trump de atacar o Irã, afirmou que o presidente coloca em risco a reputação dos EUA caso decida atingir infraestrutura civil.

"Trump acredita que está ameaçando o Irã com destruição, mas quem agora corre perigo é a própria América", publicou no X.

"Se ele tentar erradicar a civilização iraniana, os Estados Unidos deixarão de ser vistos como força estabilizadora no mundo e passarão a ser um agente do caos — efetivamente encerrando nosso status como maior superpotência global."

( da redação com agências. Edição: Política Real)