31 de julho de 2025
NOVA GUERRA

Irã autoriza trânsito de ajuda humanitária no Estreito de Ormuz; durante a semana aumentou o trânsito em Ormuz segundo um relatório da empresa de dados Windward.

Rumores sobre tratativas de um pedágio ganham força

Por Politica Real com agências
Publicado em
Mais navios passam pelo Estreito de Ormuz FotoL; Le point

Com agências

(Brasília-DF, 04/04/2026) Neste sábado, 04,  Irã autorizou no trânsito de navios que transportam produtos básicos e ajuda humanitária pelo Estreito de Ormuz com destino a portos iranianos ou que se encontram em suas águas, em meio ao conflito na região.

“O objetivo é permitir o trânsito de navios que se dirigem aos portos iranianos ou que se encontram em operação dentro de suas águas", anunciou o Ministério da Agricultura do Irã em um comunicado divulgado pela agência Tasnim, vinculada à Guarda Revolucionária.

Segundo a agência, a decisão foi adotada após a aprovação do governo iraniano e das Forças Armadas, e contempla especialmente a passagem de navios carregados com bens essenciais, incluindo alimentos básicos e suprimentos para o gado.

O ministério indicou que foram estabelecidos protocolos específicos e as disposições necessárias para garantir a passagem segura dessas embarcações pelo Estreito de Ormuz, que está praticamente bloqueado pelo Irã desde o começo da guerra, em 28 de fevereiro.

O fechamento dessa passagem estratégica, por onde é transportado 20% do petróleo mundial, fez disparar o preço do barril de petróleo Brent.

Desde o início do conflito, o preço do petróleo acumulou aumentos entre 40% e 50%, o que impulsionou altas em múltiplos setores da economia mundial, como energia, transporte e alimentos.

Mais navios

O número de navios que atravessaram o Estreito de Ormuz aumentou nesta semana, segundo um relatório da empresa de dados Windward.

A Windward informou que 16 navios de carga transitaram pelo estreito na quarta-feira, em comparação com 11 na terça-feira, mas o tráfego ainda representa uma fração do registrado nessa rota marítima antes de Israel e os Estados Unidos iniciarem os ataques contra o Irã no final de fevereiro.

A Windward afirmou que a maioria dos navios navegou perto da costa iraniana, passando pela ilha de Larak, permitindo que o Irã mantenha um "bloqueio seletivo baseado em permissão".

No entanto, três navios também teriam passado mais perto da costa de Omã, evitando o corredor controlado pelo Irã. Um dos navios, o petroleiro de gás natural liquefeito (GNL) Sohar, é considerado o primeiro petroleiro de GNL a atravessar o estreito desde o início da guerra.

Paralelamente, um navio porta-contêineres francês também teria atravessado o estreito e saído do Golfo Pérsico.  Ao que tudo indica, trata-se da primeira travassei realizada por um grande grupo de transporte marítimo europeu desde 1º de março.

Os dados de navegação da embarcação mostraram que ela cruzou o estreito por uma nova rota aprovada pelo Irã, apelidada de "Pedágio de Teerã" pela revista de navegação Lloyd's List.

Pelo menos duas embarcações pagaram para usar o corredor ao redor da Ilha de Larak, próxima à costa iraniana, afirmou um analista da Lloyd's List Intelligence em um relatório divulgado na quinta-feira.

O bloqueio do estreito elevou os preços do petróleo e do gás em todo o mundo, e crescem também as preocupações com a segurança alimentar, uma vez que um terço do comércio global de matérias-primas para fertilizantes normalmente passa pelo estreito.

Na quinta-feira, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, anunciou que seu país está elaborando um protocolo com Omã para garantir a segurança do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.

A Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) estaria buscando implementar pedágios a partir de US$ 1 por barril de petróleo e considerando pagamentos em yuan chinês ou stablecoins.

Há rumores de que estão sendo discutidas medidas para exigir que os navios enviem dados detalhados a intermediários ligados à IRGC para aprovação, com o acesso determinado por um sistema de classificação por país.

( da redação com DW. Edição: Política Real)