Irã autoriza trânsito de ajuda humanitária no Estreito de Ormuz; durante a semana aumentou o trânsito em Ormuz segundo um relatório da empresa de dados Windward.
Rumores sobre tratativas de um pedágio ganham força
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Com agências
(Brasília-DF, 04/04/2026) Neste sábado, 04, Irã autorizou no trânsito de navios que transportam produtos básicos e ajuda humanitária pelo Estreito de Ormuz com destino a portos iranianos ou que se encontram em suas águas, em meio ao conflito na região.
“O objetivo é permitir o trânsito de navios que se dirigem aos portos iranianos ou que se encontram em operação dentro de suas águas", anunciou o Ministério da Agricultura do Irã em um comunicado divulgado pela agência Tasnim, vinculada à Guarda Revolucionária.
Segundo a agência, a decisão foi adotada após a aprovação do governo iraniano e das Forças Armadas, e contempla especialmente a passagem de navios carregados com bens essenciais, incluindo alimentos básicos e suprimentos para o gado.
O ministério indicou que foram estabelecidos protocolos específicos e as disposições necessárias para garantir a passagem segura dessas embarcações pelo Estreito de Ormuz, que está praticamente bloqueado pelo Irã desde o começo da guerra, em 28 de fevereiro.
O fechamento dessa passagem estratégica, por onde é transportado 20% do petróleo mundial, fez disparar o preço do barril de petróleo Brent.
Desde o início do conflito, o preço do petróleo acumulou aumentos entre 40% e 50%, o que impulsionou altas em múltiplos setores da economia mundial, como energia, transporte e alimentos.
Mais navios
O número de navios que atravessaram o Estreito de Ormuz aumentou nesta semana, segundo um relatório da empresa de dados Windward.
A Windward informou que 16 navios de carga transitaram pelo estreito na quarta-feira, em comparação com 11 na terça-feira, mas o tráfego ainda representa uma fração do registrado nessa rota marítima antes de Israel e os Estados Unidos iniciarem os ataques contra o Irã no final de fevereiro.
A Windward afirmou que a maioria dos navios navegou perto da costa iraniana, passando pela ilha de Larak, permitindo que o Irã mantenha um "bloqueio seletivo baseado em permissão".
No entanto, três navios também teriam passado mais perto da costa de Omã, evitando o corredor controlado pelo Irã. Um dos navios, o petroleiro de gás natural liquefeito (GNL) Sohar, é considerado o primeiro petroleiro de GNL a atravessar o estreito desde o início da guerra.
Paralelamente, um navio porta-contêineres francês também teria atravessado o estreito e saído do Golfo Pérsico. Ao que tudo indica, trata-se da primeira travassei realizada por um grande grupo de transporte marítimo europeu desde 1º de março.
Os dados de navegação da embarcação mostraram que ela cruzou o estreito por uma nova rota aprovada pelo Irã, apelidada de "Pedágio de Teerã" pela revista de navegação Lloyd's List.
Pelo menos duas embarcações pagaram para usar o corredor ao redor da Ilha de Larak, próxima à costa iraniana, afirmou um analista da Lloyd's List Intelligence em um relatório divulgado na quinta-feira.
O bloqueio do estreito elevou os preços do petróleo e do gás em todo o mundo, e crescem também as preocupações com a segurança alimentar, uma vez que um terço do comércio global de matérias-primas para fertilizantes normalmente passa pelo estreito.
Na quinta-feira, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, anunciou que seu país está elaborando um protocolo com Omã para garantir a segurança do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
A Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) estaria buscando implementar pedágios a partir de US$ 1 por barril de petróleo e considerando pagamentos em yuan chinês ou stablecoins.
Há rumores de que estão sendo discutidas medidas para exigir que os navios enviem dados detalhados a intermediários ligados à IRGC para aprovação, com o acesso determinado por um sistema de classificação por país.
( da redação com DW. Edição: Política Real)