31 de julho de 2025
NOVA GUERRA

Guerra contra o Irã completa um mês e depois do Estreito de Ormuz, o Estreito de Bab el-Mandeb pode complicar mais ainda a economia mundial

Neste sábado ,28, os houthis lançaram um ataque com mísseis contra Israel pela primeira vez desde o início da guerra

Por Politica Real com agências
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Estreito de Bab el-Mandeb. Foto: DNnoticias

Com agências

(Brasília-DF, 28/03/2026). Neste sábado, 28 de março, a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã completa um mês.

O chamado fechamento do Estreito de Ormuz que está gerando o maior aperto na oferta de petróleo desde os anos 70 do século 20 agora ganha um novo problema.

Há um outro ponto estratégico no Oriente Médio — igualmente vital para os mercados globais de energia — que o Irã ameaça bloquear caso Donald Trump não ponha fim à guerra: o Estreito de Bab el-Mandeb.

Situado entre o Iêmen, Djibuti e Eritreia, no Mar Vermelho, o estreito controla o tráfego marítimo em direção ao Canal de Suez e transporta cerca de 12% do petróleo comercializado por via marítima no mundo.

No último mês, a rota ganhou ainda mais importância ao se tornar uma alternativa para o escoamento de petróleo do Oriente Médio, diante do fechamento do Estreito de Ormuz.

Na quinta-feira ,26, a agência semioficial iraniana Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, informou que os houthis — grupo armado do Iêmen apoiado pelo Irã— estariam prontos para assumir o controle do estreito como parte do que chamam de "forças de resistência".

"Se houver necessidade de controlar o Estreito de Bab el-Mandeb para punir ainda mais o inimigo, os heróis do Ansar Allah do Iêmen estão totalmente preparados para desempenhar um papel fundamental", disse uma fonte militar iraniana à agência, acrescentando que os houthis já provaram que fechar a rota "é uma tarefa fácil para eles".

No dia anterior, a mesma Tasnim já havia publicado uma advertência feita por uma fonte: "Se os americanos quiserem pensar em uma solução para o Estreito de Ormuz com medidas imprudentes, devem ter cuidado para não adicionar outro estreito aos seus problemas", disse a fonte, em referência à movimentação de tropas americanas na região.

Neste sábado ,28, os houthis lançaram um ataque com mísseis contra Israel pela primeira vez desde o início da guerra.

Segundo o grupo, o objetivo era atingir "alvos militares israelenses sensíveis". Israel confirmou ter interceptado um míssil lançado do Iêmen.

Antes mesmo do ataque deste sábado, o líder houthi Abdul Malik Al-Houthi já havia reforçado as ameaças sobre uma escalda, dizendo que o grupo responderia militarmente a ataques dos EUA e de Israel caso os desdobramentos da guerra exigissem, segundo noticiou a Bloomberg.

À Reuters, um outro dirigente houthi, em anonimato, afirmou que eles estão "militarmente prontos" para atacar o Estreito de Bab el-Mandab em apoio a Teerã.

"Estamos com todas as opções à nossa disposição. A decisão sobre o momento cabe à liderança, que acompanha os desdobramentos e definirá a hora certa de agir", declarou.

Após as ameaças, os Estados Unidos emitiram um alerta sobre a possibilidade de ataques de houthis no Estreito de Bab el-Mandab.

"Embora o grupo terrorista houthi não tenha atacado navios comerciais desde o acordo de cessar-fogo entre Israel e Gaza em outubro de 2025, os houthis continuam a representar uma ameaça aos ativos dos EUA, incluindo embarcações comerciais, nesta região", disse um aviso publicado pela Administração Marítima do Departamento de Transportes dos EUA na quinta-feira.

Em outros momentos, como durante a Guerra em Gaza, o Estreito de Bab el-Mandeb já foi alvo dos houthis, que bloquearam a rota atacando navios, usando drones e mísseis.

Mas um eventual bloqueio da passagem hoje agravaria a crise no mercado de energia, já pressionado pela situação no Estreito de Ormuz.

Ormuz se tornou um dos epicentros da guerra. A rota, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, está fechada, dificultando a passagem de navios na região.

A interrupção do transporte marítimo no Golfo fez os preços do petróleo Brent saltarem de cerca de US$ 70 (cerca de R$ 350) por barril antes do início da crise para mais de US$ 100 (aproximadamente R$ 500).

O comércio global de uma ampla gama de produtos — de bens de consumo a matérias-primas agrícolas — também está sendo afetado.

Por isso, a interrupção de mais uma rota marítima poderia elevar ainda mais os preços e intensificar o impacto econômico do conflito com o Irã.

Mar Vermelho

O corredor do Mar Vermelho é um dos mais movimentados do mundo, transportando aproximadamente um quarto de todo o comércio marítimo do planeta.

Entre os bilhões de toneladas de carga que atravessam esta rota, passam diariamente cerca de 4,5 milhões de barris de petróleo com origem em países do Médio Oriente e da Ásia e com destino ao Ocidente, segundo a Administração de Informação sobre Energia dos Estados Unidos.

Além disso, remessas globais de gás natural liquefeito (GNL) transitam por este estreito, tornando-o uma artéria vital para o fornecimento global de energia.

Desde o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, a rota ganhou ainda mais importância.

A Arábia Saudita passou a usar Bab el-Mandeb como passagem para o escoamento do petróleo saudita proveniente do porto de Yanbu. Riade envia milhões de barris de petróleo bruto por dia de seus campos orientais para lá através de um oleoduto.

Pelo estreito também passa parte significativa das exportações russas de petróleo com destino à Ásia.

Além do petróleo bruto e do gás, o Estreito de el-Mandeb faz parte da principal rota entre o Oriente e o Ocidente, com várias dezenas de navios de carga passando pelas suas águas todos os dias.

Por isso, caso a Irã bloqueie a via, isso pode ter efeitos imediatos nos preços mundiais destes recursos vitais.

( da redação com informações de agências e da BBC. Edição: Política Real)