Fernando Haddad, em primeira fala como pré-candidato, diz que apesar do fortalecimento da extrema-direita em SP diz que enxerga possibilidades de crescimento da candidatura progressista face a áreas “problemáticas”
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(Brasília-DF, 20/03/2026) O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deixou o cargo ontem, 19, já se apresenta como pré-candidato a governador do Estado de São Paulo. Ele concedeu, hoje, 20, sua primeira entrevista como pré-candidato.
Haddad afirmou que começará, a partir de agora, conversas com aliados, em especial do campo progressista, para a formulação da chapa – em especial a definição do nome da vice e dos dois senadores. “Eu acredito que temos toda condição de vencer”, afirmou.
Perguntado sobre o quadro difícil no estado, com a expansão da extrema direita e o natural crescimento do governador Tarcisio de Freitas, candidato à reeleição - Haddad disse que enxerga hoje possibilidades de crescimento da candidatura progressista, já que há várias “áreas problemáticas” no estado. Segundo ele, há uma “falta de encantamento” da população com o destino de São Paulo e a atual gestão.
Como professor, disse estar extremamente preocupado com os rumos da educação no estado. “É uma das áreas mais frágeis”, apontou, citando ainda que a juventude de São Paulo vive uma situação de bastante fragilidade. “As vulnerabilidades estão muito patentes já”, afirmou, numa crítica à gestão do governador Tarcísio de Freitas.
O ex-ministro evitou citar ou cravar nomes para a chapa e afirmou, com transparência, que essas conversas começam a partir de hoje. Haddad disse que pediu “um pouquinho de paciência” aos aliados para definir a composição da chapa. “Não fiz ainda conversas, que pretendo realizar nos próximos dias”, acrescentou, citando os nomes de Geraldo Alckmin, Marina Silva, Márcio França, Caio França, Guilherme Boulos, Tábata Amaral, Érika Hilton, Juliano Medeiros, todos do PSB e PSOL, partidos que devem ser centrais na coligação.
“Nossa candidatura pode oferecer ideias que sejam debatidas no nível que São Paulo exige e merece. O Brasil inteiro está dentro de São Paulo”, afirmou. Segundo Haddad, São Paulo “pode iluminar a cena” com políticas públicas e debates nacionais e internacionais. “São Paulo já foi visto por outros países como vitrine de políticas públicas importantes. Gostaria que voltasse a ser”, disse. Haddad disse que o tom da campanha, com defesa de propostas, seguirá a linha de 2022.
Alckmin
A vaga para a vice foi um tema recorrente das perguntas de jornalistas, sobretudo porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante o lançamento da pré-candidatura de Haddad, o aconselhou a conversar com Alckmin para definir qual será seu melhor papel. Alckmin governou São Paulo por quatro mandatos, sendo o primeiro em substituição a Mário Covas, que faleceu em março de 2001.
Haddad relembrou que ele participou intensamente da costura política que levou Alckmin para a vice de Lula em 2002, e que seria natural o ex-governador continuar ao lado de Lula.
“É natural que o Alckmin seja o vice [de Lula]. O natural é isso, até pelos adjetivos que o próprio presidente fez questão de frisar ontem no ato [de lançamento da pré-candidatura]. Alckmin está muito confortável na vice e todos nós estamos muito confortáveis com a solução de 2022, da qual eu participei intensamente”, admitiu o ex-ministro.
Na avaliação de Haddad, a chapa Lula-Alckmin é “muito importante para o Brasil”. Mas o pré-candidato deixou claro que quer “ouvir a opinião de Alckmin” sobre as melhores chances em São Paulo e qual seria, na visão dele, “a melhor composição”.
Planos
Haddad negou que terá um tempo de descanso até a Páscoa e confirmou que as conversas políticas começam imediatamente. Ele antecipou que pretende “arregimentar um grupo grande de especialistas para pensar um grande plano para o estado”.
“Não gosto de assumir nenhuma função sem apresentar um plano consistente”, justificou. Segundo Haddad, São Paulo está desperdiçando muitas oportunidades de crescer, inovar e formular políticas públicas importantes, sobretudo na área de educação e saúde. “E tem muita gente querendo ajudar. Essas pessoas têm que ser o quanto antes contatadas, para formar os núcleos que vão ajudar a pensar este plano”, explicou.
Haddad disse que esses núcleos podem ser compostos por representantes de comunidades, favelas, universidades, classe artística, científica, gestores públicos, estudantes secundaristas e universitários.
Disposição
O ex-ministro e ex-prefeito afirmou, ainda, que ninguém pode colocar em dúvida a sua disposição para disputar o governo. Ele mencionou as disputas que enfrentou em 2016, 2018 e 2022:
“Vão colocar em dúvida a disposição de luta desta pessoa? Não me parece condizente com minha disposição de brigar pelas ideias que eu acredito”, disse.
Ao anunciar que deixaria o Ministério da Fazenda, após três anos e meio à frente da pasta, Haddad havia manifestado o desejo de conduzir um plano de governo para a reeleição de Lula. Ele ponderou que assumiu a economia, na verdade, em novembro de 2022, pois o ex-ministro de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, “pegou férias e foi embora”. Haddad relembrou que nunca conseguiu, na transição de governo, fazer uma única reunião com Guedes, o que é nada usual em passagens de poder nas democracias. “Eu comecei a ser ministro da Fazenda antes da posse.”
Haddad disse que, ao longo dos meses, em conversas com Lula ambos chegaram à conclusão que a colocação do nome dele para São Paulo seria “mais importante”.
Haddad lembrou, inclusive, a demora de Tarcísio de Freitas para colocar seu nome ao governo de São Paulo, uma vez que sua intenção inicial era disputar o Senado por Goiás, seu estado natal. “Porque é de onde ele é. Não tem nenhuma familiaridade com o estado de São Paulo”, alfinetou o petista.
( da redação com agências e assessorias. Edição: Política Real)