Preço do petróleo e gás disparam após ataques do Irã no Catar; Arábia Saudita insta o Irão a parar os ataques aos vizinhos do golfo
Veja mais
Publicado em
Com agências.
(Brasília-DF, 19/03/2026) Nesta quinta-feira, 19, os preços do petróleo e do gás dispararam depois que o Irã atacou a maior instalação de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, no Catar, e ameaçou destruir a infraestrutura energética da região.
O Brent, referência internacional no mercado de petróleo, subiu 10% antes de recuar, enquanto o gás europeu subiu 35% após o Irã atacar a enorme instalação de GNL de Ras Laffan, no Catar, em retaliação a um ataque israelense ao seu campo de gás de South Pars.
O presidente dos EUA, Donald Trump, cujo país iniciou a guerra ao lado de Israel ao lançar uma ofensiva contra o Irã em 28 de fevereiro, disse que Washington não tiveram participação o ataque a South Pars.
Mas ele advertiu que os próprios Estados Unidos "explodiriam" o campo de gás iraniano se Teerã não parasse de atacar o Catar.
As forças armadas do Irã responderam nesta quinta-feira, afirmando que foi um "grande erro" atacar South Pars, que fornece cerca de 70% do gás natural doméstico do país.
"Se isso se repetir, os ataques subsequentes contra sua infraestrutura energética e a de seus aliados não cessarão até sua completa destruição, e nossa resposta será muito mais severa", afirmou o comando operacional Khatam Al-Anbiya em comunicado divulgado pela agência de notícias iraniana Fars.
O Catar é um dos principais produtores mundiais de gás natural liquefeito, ao lado dos Estados Unidos, da Austrália e da Rússia, e sua instalação em Ras Laffan é o maior centro de GNL do mundo.
A instalação tem sido alvo repetido do Irã desde o início da guerra, e a estatal QatarEnergy informou na quinta-feira que duas ondas de ataques iranianos causaram "incêndios consideráveis e danos extensos" a várias instalações de GNL.
Os preços da energia já haviam disparado desde que o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, que normalmente transporta um quinto do petróleo e do GNL do mundo, foi praticamente paralisado pela ameaça de ataques iranianos.
Reação
A Arábia Saudita instou o Irã nesta quinta-feira ,19, a cessar seus ataques aos países vizinhos do Golfo, afirmando que se reserva o direito de tomar medidas militares contra Teerã.
"Os ataques do Irã aos países vizinhos foram premeditados e o que estamos testemunhando agora confirma isso", disse o príncipe Faisal bin Farhan, ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, rejeitando o argumento do Irã de que seus ataques têm como alvo as bases militares dos EUA na região.
Bin Farhan falava à emissora catariana Al Jazeera após conversas com ministros das Relações Exteriores de outros países árabes e islâmicos em Riade na noite de quarta-feira. Segundo ele, o regime de Teerã estava aprofundando seu próprio isolamento por meio de suas ações.
"Espero que eles entendam a mensagem da reunião de hoje, repensem rapidamente e parem de atacar seus vizinhos. Vamos usar todos os meios à nossa disposição, políticos, econômicos, diplomáticos, para fazer com que esses ataques cessem", disse bin Farhan.
"Se o Irã não parar imediatamente, acho que não haverá quase nada que possa restabelecer a confiança. Essa pressão do Irã terá um efeito contrário, tanto politicamente quanto moralmente. Certamente nos reservamos o direito de tomar medidas militares, se for considerado necessário", completou.
A Reuters informou que mísseis interceptadores foram vistos sendo disparados sobre a capital saudita, perto do hotel onde os ministros de cerca de uma dúzia de países estava reunidos. Entre os participantes, estavam representantes da Turquia, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Catar e Síria.
O Ministério da Defesa saudita afirmou que quatro mísseis balísticos iranianos com alvo em Riade foram abatidos, assim como centenas de mísseis e drones anteriormente.
(da redação com informações da AFP, DW. Edição: Política Real)