Lula diz na Cúpula de IA na Índia que tem que haver uma governança global da inteligência artificial; antes, Narendra Modi disse que "Precisamos democratizar a IA"
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Com agências.
(Brasília-DF, 19/02/2026). Nesta quinta-feira, 19, presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao discurso na Cúpula sobre o Impacto da inteligência Artificial, em Nova Délhi, defendeu um modelo de governança global da inteligência artificial liderada pela Organização das Nações Unidas (ONU).
“A Quarta Revolução Industrial avança rapidamente enquanto o multilateralismo recua perigosamente. É nesse contexto que a governança global da inteligência artificial assume um papel estratégico. Toda inovação tecnológica de grande impacto possui caráter dual e nos confronta com questões éticas e políticas.”
Em sua fala, Lula destacou a iniciativa chinesa de criação de uma organização internacional para cooperação em inteligência artificial, com foco em países em desenvolvimento, além da Parceria Global em Inteligência Artificial, desenvolvida no âmbito do G7 (o grupo das maiores economias do mundo) sob as presidências canadense e francesa.
“Mas nenhum desses foros substitui a universalidade das Nações Unidas para uma governança internacional da inteligência artificial que seja multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento”, avaliou o presidente.
Lula acrescentou que a revolução digital e a inteligência artificial impactam positivamente a produtividade industrial, os serviços públicos, a medicina, a segurança alimentar e energética, mas também podem fomentar discursos de ódio, desinformação, pornografia infantil e feminicídio.
“Conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia. Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital”, disse.
“O Brasil defende uma governança que reconheça a diversidade de trajetórias nacionais e garanta que a Inteligência Artificial fortaleça a democracia, a coesão social e a soberania dos países”, concluiu.
Antes
O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, defendeu na quinta-feira a criação de estruturas responsáveis para a governança da inteligência artificial, bem como sua democratização, para garantir que pessoas em todo o mundo tenham acesso à tecnologia.
Isso ocorre em um momento em que a IA ameaça substituir empregos e as ferramentas de IA enfrentam maior escrutínio por parte de governos em todo o mundo.
Modi discursava no evento global AI Impact Summit, realizado em Nova Delhi, onde apresentou a Índia como um ator central no ecossistema global de IA.
O que Modi disse na cúpula de IA?
Modi disse aos líderes mundiais e executivos de tecnologia que garantam que a IA seja desenvolvida de forma que "os humanos não se tornem apenas um ponto de dados ou permaneçam matéria-prima para a IA".
"Precisamos democratizar a IA", disse Modi.
Modi apresentou a estrutura MANAV da Índia para a governança da IA. A sigla significa: sistemas morais e éticos, governança responsável e supervisão robusta, soberania nacional, acessível e inclusiva, válida e legítima.
Os organizadores disseram que a cúpula foi a primeira desse tipo a ser realizada no Sul Global para discutir a tecnologia desenvolvida e dominada por empresas ricas sediadas em países ricos.
A cúpula, realizada anteriormente na França, no Reino Unido e na Coreia do Sul, evoluiu de seus modestos começos como uma reunião focada no uso seguro da IApara uma feira comercial abrangente, onde a segurança é apenas um dos aspectos.
A Índia tem experiência na construção de infraestrutura pública em larga escala. Autoridades disseram que essa experiência oferece um modelo para implantar IA em grande escala, mantendo os custos baixos.
Entenda
A Cúpula sobre o Impacto da inteligência Artificial em Nova Délhi é o quarto encontro do chamado Processo de Bletchley, uma série de reuniões intergovernamentais sobre segurança e governança de inteligência artificial, iniciada em Bletchley Park, no Reino Unido, em novembro de 2023.
( da redação com agências. Edição: Política Real)