31 de julho de 2025
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Europa, ao final da Conferência de Segurança de Munique, diz que a prioridade, agora, será a Defesa por suas próprias forças

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Por Politica Real com agências
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Kaja Kallas chefe da diplomacia da UE fala sobre os novos caminhos da Europa Foto: imagem de streaming

(Brasília-DF, 15/02/2026) A Europa está mudando e é bom ficar de olho vivo no Velho Continente.

Os europeus neste último dia da Conferência de Segurança de Munique no tradicional e histórico hotel Bayerischer Hof deixou claro que não querer depender de Estados Unidos e que vai construir uma política de segurança, a prioridade será a defesa.

A chefe de política externa e segurança da União Europeia (UE), Kaja Kallas, afirmou neste domingo ,15, que está trabalhando em uma "nova estratégia de segurança europeia" com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Na 62ª edição da Conferência de Segurança de Munique, que chega ao terceiro e último dia, ela apontou para as percebidas ameaças que preocupam líderes europeus, sobretudo uma guerra híbrida e atos de sabotagem contra a infraestrutura europeia, supostamente pela Rússia.

A estratégia abordará "todas as dimensões da segurança europeia" numa era geopolítica lida como cada vez mais hostil. A defesa, segundo Kallas, é prioridade.

"Começa na Ucrânia, mas sabemos que o objetivo final da Rússia não é o Donbass", ela disse, mencionando a guerra em território ucraniano. "As exigências maximalistas da Rússia não podem ser respondidas com uma resposta minimalista."

Ao abrir um painel intitulado "Europeus, unam-se! Recuperando liderança em um mundo mais duro", Kallas exaltou a identidade, as conquistas e o poder de atração do bloco, numa resposta direta aos Estados Unidos.

"Contrariamente ao que algumas pessoas dizem, a Europa 'woke' e decadente não está enfrentando um apagamento civilizacional", disse ela, antes de reconhecer que a UE "pode ser lenta demais" e "precisa de reformas".

Ampliação da UE em pauta

Também presente na conferência, o secretário de Estado, Marco Rubio, retratou no sábado um cenário de desmantelamento da civilização europeia.

Ele ecoou a mais recente Estratégia de Segurança Nacional da Casa Branca, segundo a qual a Europa corre o risco de um "apagamento civilizacional" devido à migração, às mudanças culturais e religiosas e à queda nas taxas de natalidade. O relatório sugeriu que o continente poderia estar "irreconhecível” dentro de duas décadas.

Kallas também identificou a ampliação da UE como "o antídoto ao imperialismo russo". Nove países do Leste Europeu que estiveram sob a esfera de influência da antiga União Soviética, incluindo a Ucrânia, são candidatos a ingressar no bloco.

Entretanto, os Estados-membros não estão prontos para oferecer uma data concreta para a adesão ucraniana, segundo Kallas. Há "muito trabalho a ser feito" e "necessidade urgente" de "mostrar que a Ucrânia é parte da Europa", ela disse.

Cláusula de segurança

Diante da atmosfera de insegurança, von der Leyen já citara a cláusula de defesa mútua da UE durante a conferência.

 "Acredito que chegou a hora de dar vida à cláusula de defesa mútua da Europa”, argumentou ela no sábado. "A defesa mútua não é opcional para a UE, é uma obrigação prevista em nosso próprio tratado, o Artigo 42 (7).”

 O compromisso de "um por todos e todos por um" só tem peso "se for baseado na confiança e na capacidade", acrescentou.

O artigo estabelece que, em caso de ataque a um Estado-membro, todos os outros têm a "obrigação de prestar ajuda e assistência por todos os meios ao seu alcance". Até agora, ele só foi ativado uma vez, pela França, após os ataques terroristas de 2015 em Paris.

Afastamento dos EUA

Os governos europeus têm, ao mesmo tempo, ponderado maneiras de reduzir a sua dependência em relação aos EUA, percebido como parceiro cada vez mais instável. 

Diante de líderes políticos e militares, Rubio, pregou uma aliança conservadora com a Europa, condenando o que vê como "erros" de ambas as partes na manutenção da soberania nacional.

"Nós cometemos estes erros juntos, e juntos nós devemos ao nosso povo encarar estes fatos e seguir adiante," disse. "Nós estamos preparados, se necessário, para fazermos isso sozinhos. Mas é nossa preferência fazermos isso juntos."

O secretário explicitamente afirmou que a "imigração de massa" desestabiliza o Ocidente, num momento de esmagamento por agentes federais da comunidade imigrante nos EUA.

Também condenou a "perda de controle das cadeias de suprimento" do comércio global para a China e apelou a uma suposta "fé cristã compartilhada" entre Europa e Estados Unidos.

Embora tenha adotado um tom mais calmo e tranquilizador do que o que se ouviu frequentemente da Casa Branca ao longo do último ano, ele deixou claro que o governo Trump mantém suas posições.

(da redação com AFP, AP, DW. Edição: Política Real )