31 de julho de 2025
CONTAS PÚBLICAS

Estatísticas fiscais do BC apontam déficit público em 2025 maior que em 2024; neste ano ,o destaque foi o déficit das estatais que foi de R$ 5,9bi

Veja mais

Por Política Real com assessoria
Publicado em
BC divulga estatísticas fiscais. Foto: site do Banco Central

(Brasília-DF, 30/01/2026) No dia seguinte a divulgação pelo Tesouro Nacional do resultado fiscal de 2025, o Banco Central divulgou o seu Estatísticas Fiscais com os dados atualizados até dezembro de 2025. Déficit público acumulado de 2025 foi maior que o visto em 2024 – o destaque negativo foi no déficit das estatais no ano de 2025, chegando a R$ 5,9 bilhões

O setor público consolidado registrou em 2025 déficit primário de R$55,0 bilhões (0,43% do PIB), ante déficit de R$47,6 bilhões (0,40% do PIB) em 2024. No ano, o déficit primário do Governo Central atingiu R$58,7 bilhões (0,46% do PIB), elevando-se ​em comparação ao resultado de 2024, déficit de R$45,4 bilhões (0,39% do PIB). Os Governos Regionais permaneceram superavitários, em termos primários, tanto em 2024, R$5,9 bilhões (0,05% do PIB), quanto em 2025, R$9,5 bilhões (0,07% do PIB).

Em dezembro, o setor público consolidado foi superavitário em R$6,3 bilhões, ante superávit de R$15,7 bilhões no mesmo mês de 2024. No mês, houve superávits de R$21,6 bilhões no Governo Central e de R$4,5 bilhões nas empresas estatais, e déficit de R$19,8 bilhões nos governos regionais.

Os juros nominais do setor público consolidado, apropriados por competência, alcançaram R$1.007,6 bilhões (7,91% do PIB) em 2025, comparativamente a R$950,4 bilhões (8,07% do PIB) em 2024. Em dezembro, os juros nominais somaram R$121,8 bilhões, comparativamente a R$96,1 bilhões em dezembro de 2024. Contribuíram para essa elevação interanual os aumentos da taxa Selic e do estoque do endividamento líquido no período.

O resultado nominal do setor público consolidado, incluindo primário e juros, foi deficitário em R$1.062,6 bilhões (8,34% do PIB) em 2025, ante déficit nominal de R$998,0 bilhões (8,47% do PIB) em 2024. Em dezembro, o resultado nominal foi deficitário em R$115,5 bilhões, comparativamente a déficit de R$80,4 bilhões em dezembro de 2024.

A redução de 0,13 p.p. do PIB no déficit nominal em 2025 decorreu da redução dos juros nominais apropriados no ano, uma vez que o déficit primário apresentou ligeira elevação (0,03 p.p. do PIB). Ressalte-se que a redução nos juros nominais em 2025 foi a primeira após sequência de 4 (quatro) elevações anuais, tendo contribuído para isso a evolução favorável do resultado das operações de swap cambial no período (ganho de R$105,9 bilhões, em 2025, e perda de R$115,9 bilhões, em 2024).

Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) e Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG)

A DLSP atingiu 65,3% do PIB (R$8,3 trilhões) em 2025, elevando-se 4,0 p.p. do PIB no ano. Essa elevação refletiu, em especial, os impactos dos juros nominais apropriados (+7,9 p.p.), do efeito da valorização cambial acumulada de 11,1% (+1,3 p.p.), do déficit primário do período (+0,4 p.p.), dos demais ajustes da dívida externa líquida (-1,1 p.p.) e da variação do PIB nominal (-4,6 p.p.).

Em dezembro a relação DLSP/PIB elevou-se 0,1 p.p. do PIB, evolução que refletiu os impactos dos juros nominais apropriados (1,0 p.p.), da desvalorização cambial de 3,2% no mês (-0,3 p.p.), do efeito da variação do PIB nominal (-0,4 p.p.), e dos demais ajustes da dívida externa líquida (-0,1 p.p.).

A DBGG – que compreende o Governo Federal, o INSS e os governos estaduais e municipais – atingiu 78,7% do PIB (R$10,0 trilhões) em 2025, elevando-se, no ano, 2,4 p.p. do PIB. Essa evolução refletiu, principalmente, os impactos da incorporação de juros nominais (+8,9 p.p.), do reconhecimento de dívidas (+0,2 p.p.), do crescimento do PIB nominal (-5,7 p.p.), do efeito da valorização cambial (-0,5 p.p.), das emissões líquidas de dívida (-0,3 p.p.), e dos demais ajustes da dívida externa (-0,2 p.p.).

Em dezembro a relação DBGG/PIB reduziu-se 0,3 p.p. do PIB, refletindo, sobretudo, os resgates líquidos de dívida (-0,7 p.p.), o efeito da variação do PIB nominal (-0,5 p.p.), e os juros nominais apropriados (0,8 p.p.).

(da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)