Mesmo com juro alto, crédito deve crescer 1,4% em dezembro, com saldo da carteira total fechando 2025 com alta de 9,4%
Pesquisa Especial de Crédito da Febraban mostra que desaceleração do crédito foi bastante gradual em 2025
Publicado em
(Brasília-DF, 26/01/2026) Nesta segunda-feira, 26, no início da semana em que deverá ser iniciada a primeira reunião do Comitê de Política Monetário (Copom) de 2026, a Febraban divulgou a sua Pesquisa Especial de Crédito da Febraban mostrando que mesmo com juro alto o saldo da carteira de crédito total deve crescer 1,4% em dezembro, fechando 2025 com alta de 9,4%.
Se o resultado se confirmar com os dados oficiais do Banco Central, que serão divulgados em 29 de janeiro, indicará que o ritmo de expansão do crédito desacelerou de forma bastante gradual ao longo do ano, após registrar expansão de 11,5% em 2024, apesar da elevada taxa Selic.
A pesquisa é divulgada mensalmente como uma prévia da Nota de Crédito do Banco Central. As projeções são feitas com base em dados consolidados dos principais bancos do país.
Segundo o levantamento, o crescimento de dezembro deverá ser liderado pela expansão da carteira destinada às empresas (+2,4%), especialmente com recursos livres (+3,2%), refletindo a sazonalidade do período (compras de fim de ano), que eleva o uso de linhas de desconto de recebíveis e antecipação de faturas de cartão. Contudo, em 2025, a carteira Livre Pessoa Jurídica deverá crescer apenas 1,5%, com forte desaceleração no ano (+9,5% em 2024), refletindo os juros mais altos, a majoração do IOF, a concorrência com o mercado de capitais e as linhas direcionadas.
Já a carteira com recursos direcionados deve crescer 1,1% no mês, ainda impulsionada pelos programas de crédito governamentais, fato que levou a uma expressiva alta do segmento no ano de 2025, de 16,4% (ante +10,7% em 2024).
Famílias
O saldo do crédito destinado às famílias, por sua vez, deve crescer 0,8% em dezembro, também puxado pelos recursos livres (+1,0%), diante da expansão sazonal do cartão de crédito à vista e, em menor grau, da linha de veículos. Em 12 meses, a estimativa é que a carteira com recursos livres registre expansão de 12,6% no ano passado, mesmo nível observado em 2024, embora com alguma mudança na composição.
Houve ganho de participação de linhas rotativas e desaceleração no crédito pessoal e veículos no ano. Já os recursos direcionados devem subir 0,7% no mês, fechando 2025 com alta de 9,1%, desacelerando ante 2024 (+12,5%), devido ao aumento da inadimplência no crédito rural e consequente queda do apetite na linha.
“A pesquisa confirma que o mercado de crédito seguiu com bom ritmo de expansão ao longo de 2025, pouco abaixo de dois dígitos, apesar da política monetária em nível bastante contracionista. Esse crescimento foi sustentado pelas linhas com recursos direcionados para as empresas e destinadas ao consumo das famílias”, avalia Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban.
“Em 2026, a expectativa é que o crédito continue crescendo, mas mostrando continuidade do processo de desaceleração em linha com a perspectiva de menos crescimento da economia “, complementa o diretor.
Concessões
As concessões de crédito devem apresentar alta de 16% em dezembro. Contudo, o mês teve 22 dias úteis (ante 19 em novembro). Ajustando por este fator, as concessões ficaram praticamente estáveis (+0,2%) no mês. A ligeira alta refletiu a expansão do volume de crédito livre concedido (+0,3%), tanto em função de maior utilização do cartão de crédito à vista pelas famílias como pelas linhas de desconto de recebíveis, no caso das empresas. Já as concessões com recursos direcionados devem ter recuado 0,6% em dezembro, com ajuste por dias úteis.
Na comparação com dezembro de 2024, que elimina efeitos sazonais, as concessões devem crescer 1,6%, com a alta sendo liderada pelas linhas com recursos direcionados destinados às empresas, em função da continuidade do elevado patamar das concessões de crédito dos programas governamentais e com recursos do BNDES.
No acumulado do ano de 2025, o ritmo de crescimento das concessões seguiu com ligeira desaceleração, passando de 8,9% em novembro para 8,1% em dezembro, após alta de 15,5% em 2024, em linha com os sinais de acomodação gradual do crédito.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)