31 de julho de 2025
UNIÃO EUROPEIA / MERCOSUL

Lula teve artigo defendendo o multilateralismo contra o isolamento em 27 países por conta do acordo União Europeia-Mercosul

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Por Política Real com redes sociais
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Imagem dos artigos de Lula em 27 países Foto: Imagem do X de Lula

(Brasília-DF, 17/01/2026) Por conta do acordo União Europeia-Mercosul que está sendo assinado em Assunção, no Paraguai, neste sábado, 17, o presidente  do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, fez artigo que foi publicado em 27 jornais em diversos países ainda nessa sexta-feira, 16, quando ele se encontro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.   A chefe da Comissão Europeia veio dizer um “muito obrigado” a Lula que ela considerou “fundamental” para a assinatura do acordo.

Artigo do presidente Lula publicado em jornais de 27 países do Mercosul e da União Europeia: Brasil  Argentina, Bolívia, Paraguai, Uruguai, Alemanha, Áustria, Bélgica , Bulgária , Chipre  Croácia, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia  França, Grécia, Irlanda, Itália, Letônia, Luxemburgo, Malta, Polônia, Portugal, República Tcheca, Romênia, Suécia.

 

Veja a íntegra do artigo:

 

Acordo Mercosul-UE é a resposta do multilateralismo ao isolamento

 

Em uma época em que o unilateralismo isola mercados e o protecionismo inibe o crescimento global, duas regiões que compartilham valores democráticos e a defesa do multilateralismo escolhem um caminho diferente. Contra a lógica das guerras comerciais que segregam economias, empobrecem nações e aumentam a desigualdade, Mercosul e União Europeia assinam amanhã um dos acordos mais amplos do século XXI.

 

Firmado após mais de 25 anos de negociações e baseado na certeza de que só a integração e a abertura comercial promovem a prosperidade compartilhada, o acordo cria a maior área de livre comércio do mundo. Não existe economia isolada. O comércio internacional não é um jogo de soma zero. Todos querem crescer, e a nova parceria irá criar oportunidades mútuas de emprego, geração de renda, desenvolvimento sustentável e progresso econômico.

 

Somados, os 31 países que integram o Acordo Mercosul-União Europeia reúnem cerca de 720 milhões de cidadãos. Nosso PIB conjunto supera 22 trilhões de dólares. O acordo irá ampliar o acesso mútuo a mercados estratégicos, com regras claras, previsíveis e equilibradas. Ao remover barreiras comerciais e estabelecer padrões regulatórios comuns, os investimentos, as exportações e as cadeias produtivas se multiplicarão nos dois lados do Atlântico.

 

Uma complementaridade comercial robusta une as economias da América do Sul e da Europa. A versão do acordo que aprovamos resguarda os interesses de setores vulneráveis, garante a proteção ambiental, promove valores compartilhados como a democracia e os direitos humanos, fortalece os direitos dos trabalhadores e preserva o papel do Estado como indutor estratégico do desenvolvimento econômico e social.

 

A celebração desse acordo só é possível porque Mercosul e União Europeia entenderam ter muito mais a ganhar juntos do que individualmente e optaram por dialogar em condições de respeito e igualdade. Os blocos encontraram convergências mesmo diante de visões distintas, mostrando que a cooperação é muito mais vantajosa e eficaz do que a intimidação e o conflito. Agradecemos os países do Mercosul e da União Europeia por terem se empenhado na conclusão de acordo tão significativo.

 

A assinatura, no entanto, constitui só um primeiro passo. Amanhã começa uma nova fase de cobrança para a implementação ágil e transparente do que foi pactuado. O sucesso real do acordo será medido pela velocidade com que os seus benefícios alcançarem as prateleiras dos mercados, o campo, as fábricas e os bolsos dos cidadãos.

 

Inúmeros setores de ambos os lados sairão beneficiados, da bioeconomia à indústria de alta tecnologia, dos pequenos e médios agricultores às pequenas, médias e grandes empresas. Consumidores europeus e sul-americanos terão acesso a produtos mais diversificados e com preços menores, enquanto produtores alcançarão novos mercados.

 

Para além dos ganhos comerciais e econômicos, o acordo aproxima ainda mais parceiros unidos por laços históricos, de vocação democrática e multilateral. A interdependência é uma necessidade e uma realidade. Só o trabalho conjunto entre Estados e blocos é capaz de promover a paz, prevenir atrocidades e enfrentar os piores efeitos da mudança do clima.

 

Em um contexto de crescente protecionismo e unilateralismo, o acordo prova como outra governança mundial é possível, mais ativa, representativa, inclusiva e justa. Estes mesmos princípios orientam nossa busca por instituições multilaterais renovadas, como a reforma da Organização Mundial do Comércio e do Conselho de Segurança da ONU.

 

Ante o crescimento do extremismo político, Mercosul e União Europeia demonstram na prática como o multilateralismo, que tantos benefícios trouxe ao mundo depois da Segunda Guerra, segue atual e imprescindível.

 

Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da República Federativa do Brasil

 

 

( da redação com informações de assessoria e redes sociais. Edição: Política Real)