Segundo ONG morreram mais de 500 pessoas nos proteste que se espalham no Irã desde o final de dezembro de 2025
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(Brasília-DF, 11/01/2025) A ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA) informou hoje, 11, às agências internacionais que pelo menos 538 pessoas morreram nos protestos que começaram no Irã em 28 de dezembro devido à crise econômica e que vêm se multiplicando desde então por mais de 100 cidades de todo o país.
A organização opositora ao regime dos aiatolás, que opera a partir dos Estados Unidos, detalhou que, desse número, 48 seriam membros das forças de segurança iranianas e 490 manifestantes, entre eles, oito menores de idade.
Segundo os números fornecidos à agência de notícias EFE por Skylar Thompson, subdiretora da HRANA, o número de mortos nos 15 dias de protestos pode chegar a 579, embora este dado ainda esteja em processo de verificação.
Ainda segundo esta organização, o número de prisões desde o último dia 28 de dezembro no Irã já atinge 10.675 pessoas, das quais 160 seriam menores de idade e 52 estudantes.
Manifestações ocorrem em centenas de cidades do Irã, onde não há internet nem cobertura telefônica há mais de 72 horas e onde os protestos, surgidos a princípio pela má situação econômica do país, tornaram-se queixas contra a República Islâmica e o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei .
Trump avaliaria opções militares
Com o regime dos iatolás enfrentando as maiores manifestações desde 2022, o presidente dos EUA, Donald Trump, vem ameaçando repetidamente intervir caso a força seja usada contra os manifestantes.
Em uma publicação nas redes sociais no sábado, Trump disse: "O Irã está olhando para a LIBERDADE, talvez como nunca antes. Os EUA estão prontos para ajudar!!!"
Em um telefonema no sábado, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu , e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, discutiram a possibilidade de intervenção dos EUA no Irã, de acordo com uma fonte israelense presente na conversa.
Segundo a emissora de TV americana CNN, Trump está avaliando uma série de potenciais opções militares contra o Irã. Ele considera cumprir suas recentes ameaças de atacar o regime iraniano caso este use força letal contra civis.
Entre as opções apresentadas a Trump estariam ataques contra os serviços de segurança de Teerã usados para reprimir os protestos.
Segundo o Wall Street Journal Trump teria agendada uma reunião nesta terça-feira para ser informado por seus assessores sobre as opções em relação ao Irã, incluindo ataques militares, uso de armas cibernéticas secretas, ampliação das sanções e fornecimento de ajuda online a fontes antigovernamentais.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, alertou Washington contra "um erro de cálculo".
"Sejamos claros: em caso de ataque ao Irã, os territórios ocupados (Israel), bem como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos", disse Qalibaf, ex-comandante da Guarda Revolucionária de elite do Irã.
Regime convoca manifestações
Os protestos começaram em 28 de dezembro em resposta à alta dos preços, antes de se voltarem contra os religiosos que governam o país desde a Revolução Islâmica de 1979.
As autoridades iranianas acusam os EUA e Israel de fomentarem a instabilidade e convocaram uma manifestação nacional nesta segunda-feira para condenar as "ações terroristas lideradas pelos Estados Unidos e Israel" no Irã, informou a mídia estatal.
O fluxo de informações do Irã tem sido prejudicado desde quinta-feira devido a um apagão da internet.
Imagens postadas nas redes sociais no sábado, vindas de Teerã, mostram grandes multidões marchando por uma rua à noite, aplaudindo e cantando.
Em imagens da cidade de Mashhad, no nordeste do país, é possível ver fumaça subindo ao céu noturno vinda de incêndios na rua, manifestantes mascarados e uma rua coberta de destroços, como mostra outro vídeo postado no sábado. Explosões podiam ser ouvidas.
A TV estatal mostrou dezenas de sacos para cadáveres no chão do instituto médico legal de Teerã, afirmando que os mortos foram vítimas de eventos causados por "terroristas armados", assim como imagens de familiares reunidos do lado de fora do Centro Médico Forense de Kahrizak, em Teerã, aguardando a identificação dos corpos.
Luto e Israel em alerta máximo
As autoridades declararam no domingo três dias de luto nacional "em homenagem aos mártires mortos na resistência contra os Estados Unidos e o regime sionista", segundo a mídia estatal.
Três fontes israelenses, presentes em consultas de segurança israelenses no fim de semana, afirmaram que Israel está em estado de alerta máximo para a possibilidade de qualquer intervenção dos EUA.
Um oficial militar israelense disse que os protestos eram uma questão interna iraniana, mas que as Forças Armadas de Israel estão monitorando os desdobramentos e prontas para responder "com força, se necessário".
Israel e Irã travaram uma guerra de 12 dias em junho do ano passado, na qual os Estados Unidos se envolveram brevemente, atacando importantes instalações nucleares. O Irã retaliou lançando mísseis contra Israel e uma base aérea americana no Catar.
( da redação com DW, EFE. Edição: Política Real )