31 de julho de 2025
IRÃ EM CRISE

Segundo ONG morreram mais de 500 pessoas nos proteste que se espalham no Irã desde o final de dezembro de 2025

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Por Politica Real com agências
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Irã protestos são divulgados por agências internacionais Foto: imagem de streaming

(Brasília-DF, 11/01/2025)   A ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA) informou hoje, 11, às agências internacionais que pelo menos 538 pessoas morreram nos protestos que começaram no Irã em 28 de dezembro devido à crise econômica e que vêm se multiplicando desde então por mais de 100 cidades de todo o país.

A organização opositora ao regime dos aiatolás, que opera a partir dos Estados Unidos, detalhou que, desse número, 48 seriam membros das forças de segurança iranianas e 490 manifestantes, entre eles, oito menores de idade.

Segundo os números fornecidos à agência de notícias EFE por Skylar Thompson, subdiretora da HRANA, o número de mortos nos 15 dias de protestos pode chegar a 579, embora este dado ainda esteja em processo de verificação.

Ainda segundo esta organização, o número de prisões desde o último dia 28 de dezembro no Irã já atinge 10.675 pessoas, das quais 160 seriam menores de idade e 52 estudantes.

Manifestações ocorrem em centenas de cidades do Irã, onde não há internet nem cobertura telefônica há mais de 72 horas e onde os protestos, surgidos a princípio pela má situação econômica do país, tornaram-se queixas contra a República Islâmica e o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei .

Trump avaliaria opções militares

Com o regime dos iatolás enfrentando as maiores manifestações desde 2022, o presidente dos EUA, Donald Trump, vem ameaçando repetidamente intervir caso a força seja usada contra os manifestantes.

Em uma publicação nas redes sociais no sábado, Trump disse: "O Irã está olhando para a LIBERDADE, talvez como nunca antes. Os EUA estão prontos para ajudar!!!"

Em um telefonema no sábado, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu , e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, discutiram a possibilidade de intervenção dos EUA no Irã, de acordo com uma fonte israelense presente na conversa.

Segundo a emissora de TV americana CNN, Trump está avaliando uma série de potenciais opções militares contra o Irã. Ele considera cumprir suas recentes ameaças de atacar o regime iraniano caso este use força letal contra civis.

Entre as opções apresentadas a Trump estariam ataques contra os serviços de segurança de Teerã usados ​​para reprimir os protestos.

Segundo o Wall Street Journal Trump teria agendada uma reunião nesta terça-feira para ser informado por seus assessores sobre as opções em relação ao Irã, incluindo ataques militares, uso de armas cibernéticas secretas, ampliação das sanções e fornecimento de ajuda online a fontes antigovernamentais.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, alertou Washington contra "um erro de cálculo".

"Sejamos claros: em caso de ataque ao Irã, os territórios ocupados (Israel), bem como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos", disse Qalibaf, ex-comandante da Guarda Revolucionária de elite do Irã.

Regime convoca manifestações

Os protestos começaram em 28 de dezembro em resposta à alta dos preços, antes de se voltarem contra os religiosos que governam o país desde a Revolução Islâmica de 1979.

As autoridades iranianas acusam os EUA e Israel de fomentarem a instabilidade e convocaram uma manifestação nacional nesta segunda-feira para condenar as "ações terroristas lideradas pelos Estados Unidos e Israel" no Irã, informou a mídia estatal.

O fluxo de informações do Irã tem sido prejudicado desde quinta-feira devido a um apagão da internet.

Imagens postadas nas redes sociais no sábado, vindas de Teerã, mostram grandes multidões marchando por uma rua à noite, aplaudindo e cantando.

Em imagens da cidade de Mashhad, no nordeste do país, é possível ver fumaça subindo ao céu noturno vinda de incêndios na rua, manifestantes mascarados e uma rua coberta de destroços, como mostra outro vídeo postado no sábado. Explosões podiam ser ouvidas.

A TV estatal mostrou dezenas de sacos para cadáveres no chão do instituto médico legal de Teerã, afirmando que os mortos foram vítimas de eventos causados ​​por "terroristas armados", assim como imagens de familiares reunidos do lado de fora do Centro Médico Forense de Kahrizak, em Teerã, aguardando a identificação dos corpos.

Luto e Israel em alerta máximo

As autoridades declararam no domingo três dias de luto nacional "em homenagem aos mártires mortos na resistência contra os Estados Unidos e o regime sionista", segundo a mídia estatal.

Três fontes israelenses, presentes em consultas de segurança israelenses no fim de semana, afirmaram que Israel está em estado de alerta máximo para a possibilidade de qualquer intervenção dos EUA.

Um oficial militar israelense disse que os protestos eram uma questão interna iraniana, mas que as Forças Armadas de Israel estão monitorando os desdobramentos e prontas para responder "com força, se necessário".

Israel e Irã travaram uma guerra de 12 dias em junho do ano passado, na qual os Estados Unidos se envolveram brevemente, atacando importantes instalações nucleares. O Irã retaliou lançando mísseis contra Israel e uma base aérea americana no Catar.

 ( da redação com DW, EFE. Edição: Política Real )