31 de julho de 2025
ESTADOS UNIDOS X VENEZUELA

Mercado financeiro avalia o impacto da crise na Venezuela no Brasill confira algumas avaliações que chegaram a Política Real

Veja mais

Por Politica Real com agências
Publicado em
Mercados financeiros já fazem avaliações Foto: Blog Pag Bank

(Brasília-DF, 05/01/2026). Na tarde desta segunda-feira, 05, na prática  o primeiro dia útul para os chamados mercados avaliarem a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, oportunidade em que capturaram o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro e sua esposa, que já estão preso em Nova York.

 Veja algumas das análises que chegaram à redação:

O impacto eleitoral da captura de Maduro tende a ser neutro no Brasil

Erich Decat, head do time de Análise Política da Warren Investimentos

Nas últimas horas, as principais lideranças políticas brasileiras se manifestaram sobre a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos. Como era esperado, o episódio rapidamente foi incorporado ao debate político doméstico.

Parte das análises iniciais sugeriu a existência de um possível “perde e ganha” eleitoral entre o presidente Lula e lideranças da centro-direita e da extrema direita. Com as informações disponíveis até aqui, contudo, a leitura mais consistente é a de que se trata de um jogo de soma zero, sem efeitos relevantes de conversão eleitoral.

Ao adotar o discurso da defesa da soberania venezuelana, Lula recorre a uma retórica já utilizada recentemente, como no episódio do tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil. Naquele caso, a estratégia contribuiu, em alguma medida, para a melhora da avaliação do governo. No entanto, o contexto venezuelano é distinto. Aqui, a defesa é percebida majoritariamente como ideológica, leitura que o próprio PT acaba reforçando ao classificar a captura de Maduro como um ato inaceitável.

Esse enquadramento se soma a um histórico que limita o alcance eleitoral da narrativa. A reeleição de Maduro, em julho de 2024, ocorreu sob fortes críticas internacionais quanto à transparência do processo. Embora o governo brasileiro não tenha reconhecido formalmente o resultado, Lula também evitou caracterizá-lo como fraudulento. A proximidade entre os dois líderes ficou evidente em declarações públicas do próprio presidente brasileiro, que relatou conversas recentes com Maduro sobre a conjuntura geopolítica e a necessidade de evitar conflitos na região.

Lula em café da manhã com jornalistas brasileiros realizado no último dia 18 de dezembro: “Conversei quase 40 minutos com o presidente Maduro. Defendi diálogo. Não queremos guerra no nosso continente”.

Do ponto de vista eleitoral, essa posição tende a reverberar apenas entre eleitores já alinhados ao campo da esquerda, especialmente a militância petista. Não há sinais de que o episódio amplie esse apoio para além da base consolidada.

No campo oposto, o movimento é simétrico. Declarações de lideranças da centro direita e da extrema direita celebrando o enfraquecimento do regime venezuelano dialogam quase exclusivamente com seus respectivos públicos. O discurso anticomunista e de condenação à ditadura venezuelana reforça identidades já estabelecidas, mas dificilmente atrai novos eleitores.

Além disso, o desfecho político da Venezuela segue altamente incerto. Não há clareza sobre os próximos passos, sobre uma eventual transição ou sobre o arranjo institucional que pode emergir. Nesse cenário, os posicionamentos no Brasil funcionam mais como sinalizações ideológicas do que como propostas capazes de alterar preferências eleitorais.

Entre esses polos, permanece o eleitorado de centro: menos ideológico, menos mobilizado por narrativas externas e mais sensível a temas domésticos como economia, renda e serviços públicos. É justamente essa distância em relação às bolhas políticas que torna o episódio venezuelano irrelevante do ponto de vista eleitoral agregado.

Em síntese, a captura de Maduro reforça discursos já conhecidos, consolida bases existentes, mas não altera o equilíbrio eleitoral. Por isso, do ponto de vista político-eleitoral, trata-se de um evento essencialmente neutro

Mais

O Head de Alocação do escritório, Daniel Nogueira, comentou sobre os desdobramentos da invasão dos EUA à Venezuela e os possíveis impactos para o Brasil e sobre a indústria de Petróleo.

Daniel Nogueira, Head de Alocação da InvestSmart XP

Petróleo: entre a geopolítica e a disciplina de oferta, o que muda para o Brasil?

O mercado de petróleo iniciou o ano sob um grande evento de incerteza geopolítica, com os desdobramentos na Venezuela e por sinais de coordenação mais cautelosa da OPEP+. Embora o barril tenha reagido com volatilidade limitada, os impactos setoriais, especialmente em mercados emergentes, têm sido assimétricos, com penalização maior sobre companhias listadas do que sobre o preço da commodity em si.

Venezuela: risco de curto prazo, impacto estrutural diluído

A prisão de Nicolás Maduro por forças dos EUA e a sinalização explícita de Washington de que pretende reorganizar o setor energético venezuelano recolocaram o país no centro do tabuleiro global do petróleo. O discurso da Casa Branca é claro: garantir acesso estratégico às maiores reservas comprovadas do mundo e, no médio prazo, reconstruir uma indústria hoje operando muito abaixo do seu potencial histórico.

Apesar da retórica forte, o consenso entre analistas é que a Venezuela não representa um choque imediato de oferta. A produção atual gira em torno de 1 milhão de barris/dia, menos de 1% da oferta global, e qualquer expansão relevante exigiria anos de investimento pesado, reconstrução logística e estabilidade institucional, algo estimado em mais de US$ 100 bilhões.

No curto prazo o efeito predominante é psicológico e geopolítico, elevando prêmios de risco e fortalecendo ativos defensivos (dólar, ouro), mas sem grandes alterações no balanço global de oferta e demanda.

OPEP+: disciplina como contrapeso ao ruído político

Esse pano de fundo ajuda a explicar a postura recente da OPEP+, que decidiu pausar novos aumentos de oferta no primeiro trimestre. A leitura do cartel é pragmática: o risco de excesso de petróleo no mercado, especialmente diante de uma economia global crescendo de forma desigual, é mais relevante do que o risco de escassez.

Em outras palavras, a OPEP+ segue ancorando o piso do petróleo, mesmo diante de eventos geopolíticos ruidosos. Isso limita quedas mais abruptas do Brent, mas também restringe altas expressivas enquanto não houver aceleração clara da demanda global.

E o Brasil nisso tudo?

Para as empresas brasileiras de óleo e gás, o cenário é mais favorável do que a reação inicial do mercado sugere.

No caso da Petrobras, a queda recente das ações reflete muito mais aversão a risco global e fluxo do que fundamentos. A companhia segue exposta majoritariamente ao pré-sal, com lifting costs baixos, alta geração de caixa e produção pouco sensível a ruídos geopolíticos fora do Atlântico Sul. Além disso, qualquer normalização futura da produção venezuelana tende a afetar mais petróleos pesados e de maior desconto, como os produzidos na Faixa do Orinoco (Venezuela), do que o óleo brasileiro.

Entre as independentes, como PRIO e Brava Energia, o movimento de curto prazo também foi negativo, mas sem mudança estrutural de tese. O mercado penalizou o setor como bloco, apesar de modelos de negócio focados em eficiência operacional, revitalização de campos maduros e disciplina de capital.

Perspectivas: volatilidade no curto prazo, fundamentos intactos

O ponto central é que o petróleo vive hoje mais um ciclo de headlines do que de escassez física. A Venezuela é relevante como ativo geopolítico dos EUA, mas não como fornecedor marginal no curto prazo. A OPEP+ segue administrando a oferta para evitar colapsos de preço, e grandes produtores fora do cartel, como Brasil e EUA, continuam ganhando espaço de forma estrutural.

Para o investidor em empresas brasileiras de óleo e gás, isso sugere um ambiente de:

- volatilidade elevada no curto prazo, puxada por geopolítica e fluxo;

- suporte fundamental no médio prazo, ancorado em custos baixos, disciplina de capital e geração de caixa robusta;

- assimetria positiva caso o petróleo se mantenha em patamares confortáveis sem exigir novos cortes agressivos da OPEP+.

Em resumo, o noticiário da Venezuela adiciona ruído, mas não altera o eixo central da tese do setor no Brasil. Para quem olha além do curto prazo, o atual cenário parece mais um teste de estômago do que uma mudança estrutural de fundamentos.

 

( da redação com informações de assessorias. Edição: Política Real)