Conselho de Segurança da ONU se reúne sai sem decisão de consenso sobre Venezuela; Estados Unidos diz que não há guerra na Venezuela, China se disse “chocada” e Rússia condenou ato de agressão armada
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Com agências.
(Brasília-DF, 05/01/2026). Nesta segunda-feira, 05, o Conselho de Segurança da ONU, em Nova York (EUA) realizou sessão emergencial para discutir a questão da Venezuela em que foram ouvidas posições contrárias à intervenção dos Estados Unidos em Caracas.
A maioria dos países rejeitou o uso da força e defendeu o respeito à Carta das Nações Unidas, que prevê a resolução pacífica dos conflitos.
Entre os países latino-americanos, Argentina e Paraguai manifestaram apoio a uma mudança de regime na Venezuela, enquanto outros, como México, Brasil, Cuba e Chile, rejeitaram a intervenção militar.
Várias nações afirmaram ainda que o governo de Maduro não tinha legitimidade, diante das acusações de fraude nas eleições de 2024.
Estados Unidos
O representante dos Estados Unidos, Michael Waltz, iniciou sua intervenção afirmando que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro é “um narcoterrorista foragido”, responsável por ataques contra a população norte-americana, por desestabilizar o hemisfério ocidental e por “reprimir ilegitimamente o povo venezuelano”.
Ele disse que Maduro não era um chefe de Estado, pois manipulou, por anos, as eleições venezuelanas para se manter no poder e que 50 países rejeitaram a legitimidade da reeleição de 2024.
Waltz descreveu a ação militar do dia 3 como uma “operação cirúrgica de aplicação da lei” para prender dois fugitivos indiciados. O embaxador enfatizou que "não há guerra contra a Venezuela ou seu povo" e comparou a ação à prisão do ex-líder do Panamá, Manuel Noriega, em 1989.
O embaixador dos EUA disse que o país não vai permitir que o hemisfário ocidental “seja usado como base de operações para nações adversárias, concorrentes e rivais”. Segundo ele, a Venezuela não pode se tornar um hub de operações do Irã, do Hazzbollah, de gangues, de agentes da inteligência cubana, e outros atores malignos”.
Waltz disse ainda que “as maiores reservas de energia do mundo não podem continuar sob controle de adversários dos Estados Unidos e líderes ilegítimos”.
China.
A China se disse chocada com os ataques dos Estados Unidos contra a Venezuela, que chamou de atos unilaterais e ilegais de bullying.
O representante do país afirmou que o uso indiscriminado da força só vai criar crises ainda maiores e que “nenhuma nação pode agir como polícia do mundo ou presumir ser um juiz internacional”.
O embaixador chines demandou que os Estados Unidos mudem de rumo, pare o bullying e práticas coercivas e desenvolva relações em cooperação com países da região na base do respeito mútuo, equidade e não interferência em assuntos internacionais.
A China se disse pronta para garantir a paz e estabilidade na América Latina e no Caribe.
Rússia.
A Rússia condenou de forma firme o "ato de agressão armada" contra a Venezuela e a detenção do presidente Nicolás Maduro e sua esposa. O representante russo, Vassily A. Nebenzia, pediu a libertação imediata de ambos.
Ele afirmou que o ataque contra o presidente da Venezuela tem sido encarado como um retorno a “uma era de dominação dos Estados Unidos pela força, caos e ilegalidade”. O embaixador enfatizou que não há justificativa para os “crimes cinicamente” perpetrados pelos forças norte-americanas em Caracas.
O representante da Rússia afirmou que Washington está criando novas condições para o colonialismo e o imperialismo, modelos que foram amplamente rechaçados e pelos povos da América-Latina.
Ele disse que é extremamente importante que a comunidade internacional se una e rejeite “os métodos e ferramentas da política externa militar dos Estados Unidos”, que foram demonstrados no caso da Venezuela.
( da redação com Onu News. Edição: Política Real)