Países latino-americanos, divididos, encerram reunião sem declaração conjunta sobre Venezuela; União Europeia diz que “deve ser respeitado o direito do povo venezuelano de determinar o seu próprio futuro”
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(Brasília-DF, 04/01/2026) Neste domingo, 4, a reunião ministerial extraordinária da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) sobre o ataque dos Estados Unidos à Venezuela terminou sem acordo para uma declaração unificada.
Segundo fontes do Itamaraty, isso já era esperado, devido às fortes divisões que existem hoje na região.
Argentina e Paraguai, dois países que apoiaram a queda de Nicolás Maduro, participaram da reunião a nível técnico, ou seja, sem a presença dos seus chanceleres.
Já o Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que reforçou a posição do presidente Lula de condenação do ataque americano e da captura de Maduro.
Mais cedo, o Brasil também divulgou uma nota conjunta com Chile, Colômbia, México, Uruguai e Espanha criticando a "gravidade dos eventos ocorridos na Venezuela" após a intervenção dos EUA no país sul-americano — embora esse fato não seja diretamente citado no comunicado.
O texto repudia "as ações militares executadas unilateralmente no território da Venezuela", as quais iriam de encontro a "princípios fundamentais do direito internacional" consagrados pela Carta das Nações Unidas — mais especificamente a proibição da ameaça e do uso da força e o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados.
"Essas ações criam um precedente extremamente perigoso para a paz, para a segurança regional e colocam a população civil em risco", diz a nota conjunta.
União Europeia
A União Europeia faz um apelo à calma e à moderação de todos os atores para evitar uma escalada da situação após a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela.
Em uma nova declaração da alta representante da UE para Assuntos Exteriores, Kaja Kallas, assinada por todos os Estados-membros do bloco, com exceção da Hungria, afirma-se que “deve ser respeitado o direito do povo venezuelano de determinar o seu próprio futuro”.
“Respeitar a vontade do povo venezuelano continua sendo o único caminho para que a Venezuela restaure a democracia e resolva a crise atual”, acrescenta o comunicado. Até o momento, a representação da Hungria junto à UE não se pronunciou sobre os motivos pelos quais o país não assinou a declaração.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Politica Real)