Primeira votação para escolha do papa tem fumaça “preta”; veja quem são os favoritos
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( Publicada originalmente às 16 h 20 do dia 07/05/2025)
(Brasília-DF, 08/05/2025). Nesta quarta-feira, 07, em torno das 16h no horário de Brasília (21h em Roma), uma fumaça preta pôde ser vista saindo da chaminé da Basílica de São Pedro, no Vaticano. Isso quer dizer que os cardeais ainda não escolheram o novo papa.
Uma longa espera começou após o Extra Omnes, a fórmula latina usada para fechar as portas da Capela Sistina para o início do Conclave.
Lá dentro, os 133 cardeais ouviram a meditação do Padre Raniero Cantalamessa, pregador emérito da Casa Pontifícia, para depois começar a preparação e a distribuição das cédulas pelo mestre de cerimônias, que foi chamado à capela junto com o secretário do Colégio de Cardeais, arcebispo Ilson de Jesus Montanari, e o mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, monsenhor Diego Ravelli.
Em seguida, foi realizado o sorteio de três escrutinadores, três enfermeiros - os delegados para coletar os votos dos doentes - e três revisores, para depois a votação.
Nesse meio tempo, cerca de 45 mil pessoas estiveram na Praça São Pedro com o olhar fixo na chaminé da Capela Sistina, habitada por algum tempo por algumas gaivotas que frequentemente monopolizavam a atenção da multidão. Uma praça colorida por bandeiras de diferentes países do mundo, iluminada pelos holofotes das câmeras, pelos flashes de muitas câmeras e pelos celulares dos peregrinos, fiéis e espectadores. Em alguns momentos, ouviam-se aplausos, gritos para enganar o tempo de espera, confrontos e hipóteses sobre o motivo de não haver fumaça.
Às 21 horas, a fumaça preta chegou. A praça recebeu a notícia com um rugido. Portanto, os cardeais votantes não escolheram o 267º Pontífice da história da Igreja.
Amanhã de manhã, quinta-feira, 8 de maio, os cardeais eleitores se reunirão antes das 8h locais no Palácio Apostólico para celebrar a Missa e as Laudes na Capela Paulina. Em seguida, eles se dirigirão para a Capela Sistina às 9h15 para recitar a Hora Média e depois seguirão para a votação. Almoço por volta das 12h30 em Santa Marta, às 15h45 a partida para o Palácio Apostólico, depois às 16h30 o retiro na Sistina com mais votações e, no final (por volta das 19h30), as Vésperas. Duas chaminés estão planejadas para os diferentes dias: uma no final da manhã, por volta das 12 horas; outra à noite, por volta das 19 horas.
A eleição do papa é uma das mais imprevisíveis do mundo — e é comum que cardeais apontados como favoritos acabem ignorados. Existe até um ditado entre os católicos: "Quem entra papa, sai cardeal". Ou seja, quem chega ao conclave como favorito acaba não sendo eleito.
Muitos lembram que o cardeal argentino Jorge Bergoglio não estava em nenhuma das listas de favoritos em 2013 — e acabou sendo escolhido como papa Francisco.
Ainda assim, tem circulado na imprensa mundial os nomes de alguns cardeais apontados como favoritos para o papado:
Pietro Parolin (Itália): Cardeal italiano de fala mansa, Pietro Parolin foi secretário de Estado do Vaticano sob o pontificado de Francisco — ou seja, o principal conselheiro do papa. O cargo também o coloca à frente da Cúria Romana, a administração central da Igreja.
Luis Antonio Gokim Tagle (Filipinas): o filipino tem décadas de experiência pastoral — ou seja, liderou a Igreja diretamente entre o povo, e não como diplomata do Vaticano ou especialista em Direito Canônico. Ele poderia se tornar o primeiro papa asiático.
Fridolin Ambongo Besungu (Congo): É bastante possível que o próximo papa venha da África, onde a Igreja Católica continua ganhando milhões de fiéis. Um dos principais nomes é o cardeal Ambongo, da República Democrática do Congo (RDC).
Peter Kodwo Appiah Turkson (Gana): Se for escolhido, o influente cardeal Turkson será o primeiro papa africano em 1,5 mil anos. Primeiro ganês a ser nomeado cardeal, Turkson já era cotado como papável no conclave de 2013. Na época, chegou a ser o favorito nas casas de apostas.
Peter Erdo (Hungria): Do ponto de vista ideológico, o atual arcebispo de Budapeste, capital húngara, seria uma escolha muito mais conservadora do que foi o último pontificado.
Angelo Scola (Itália): Apenas cardeais com menos de 80 anos podem votar no conclave, mas Angelo Scola, de 83 anos, ainda pode ser eleito. O ex-arcebispo de Milão era um dos favoritos em 2013, quando Francisco foi escolhido.
Reinhard Marx (Alemanha): O principal clérigo católico da Alemanha também é bastante próximo dos bastidores do Vaticano. Ele defende uma abordagem mais acolhedora em relação a pessoas homossexuais ou transgênero no ensino da Igreja Católica.
Marc Ouellet (Canadá): O cardeal Ouellet já foi visto duas vezes como um possível candidato ao papado, em 2005 e 2013. Como outro octogenário, ele não poderá participar diretamente do conclave, o que pode dificultar suas chances.
Robert Prevost (EUA): Será que o papado poderia ir, pela primeira vez, para um americano? Prevost não é visto apenas como um americano, mas também como alguém que presidiu a Pontifícia Comissão para a América Latina. É considerado um reformista, mas, aos 69 anos, pode ser visto como jovem demais para o papado.
Robert Sarah (Guiné): Muito querido pelos conservadores na Igreja, o cardeal Sarah é conhecido por sua firme adesão à doutrina e à liturgia tradicional, sendo frequentemente visto como opositor das inclinações reformistas do papa Francisco.
Pierbattista Pizzaballa (Itália): Ordenado na Itália aos 25 anos, Pizzaballa mudou-se para Jerusalém no mês seguinte e vive lá desde então. Sua idade relativamente jovem e a pouca experiência como cardeal podem pesar contra ele.
Michael Czerny (Canadá): O cardeal Czerny foi nomeado cardeal pelo papa Francisco e, assim como ele, é jesuíta — uma das principais ordens da Igreja Católica, conhecida por seu trabalho missionário e de caridade em todo o mundo.
Matteo Zuppi (Itália): Arcebispo de Bolonha, Zuppi é parte de uma comunidade católica dedicada a cuidar dos pobres e marginalizados. Muito próximo do então papa Francisco, ele escreveu a introdução de um livro sobre a aproximação da Igreja com a comunidade LGBTQIA+.
Joseph Tobin (EUA): O arcebispo de Newark é bastante popular entre os cardeais e é visto como uma figura unificadora. Em seu país, tem pregado contra a polarização política. Tobin já falou a favor de inclusão de LGBTs e mulheres na Igreja.
Jean-Marc Aveline (França): Nascido na Argélia, mas criado em Marselha, na França, Aveline tem pregado contra a "criminalização dos imigrantes" e promoveu diálogos com judeus e muçulmanos. É considerado próximo do então papa Francisco.
Charles Maung Bo (Mianmar): Mais um nome da Ásia, Bo vem de um país onde apenas 1,3% da população é católica. Ele já liderou o grupo de bispos asiáticos por dois anos e tem defendido minorias em seu país.
Pablo Virgilio David (Filipinas): Conhecido como cardeal Ambo, foi um dos últimos cardeais escolhidos por Francisco, em dezembro de 2024. Nas Filipinas, David foi uma voz atuante contra o regime do ex-presidente Rodrigo Duterte e na luta por uma igreja mais inclusiva.
Mario Grech (Malta): Papa Francisco escolheu Grech para ser o secretário-geral do Sínodo dos Bispos em 2019. Nesse papel, ele foi fundamental em repassar a visão de Francisco para a Igreja.
( da redação com informações de agências e Vatican News. Edição: Política Real)