CRISE ALEMANHA/EUA: Depois que inteligência alemã considerou partido de origem nazista AfD como extremista, Marco Rubio diz que Alemanha "não é uma democracia, mas uma tirania disfarçada".
“Isso é democracia” reagem, também, chefe da diplomacia alemã
( Publicada originalmente às 09h 27 do dia 02/05/2025)
Com agências
(Brasília-DF, 05/05/2025). Surge uma verdadeira crise política entre os Estados e a Alemanha.
Ontem, 02, a agência de inteligência interna da Alemanha classificou a sigla de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) como uma "organização comprovadamente extremista de direita" que ameaça a democracia.
Segundo o Departamento Federal de Proteção da Constituição (BfV), o partido viola a dignidade humana e a democracia ao tentar excluir grupos populacionais, como imigrantes, da participação igualitária na sociedade.
A medida permite à agência monitorar de forma mais incisiva o partido que ficou em segundo lugar nas eleições federais de fevereiro, incluindo grampos telefônicos, acompanhamento de reuniões e recrutamento de informantes.
Algumas alas da AfD, como seu braço jovem e três diretórios regionais do partido, já haviam sido classificadas como extremistas.
Já as ações da sigla como um todo eram analisadas desde 2019 pelo BfV – à época, o rótulo se limitava a um "caso de interesse". Com isso, a agência de inteligência interna só tinha permissão para coletar e avaliar declarações públicas de dirigentes do AfD.
Em 2021, o órgão atualizou sua análise e passou a tomar a sigla como "suspeita de extremismo". Essa classificação mais rígida permite que as autoridades usem métodos confidenciais para monitorar o partido e seus membros. O entendimento foi confirmado em dois tribunais alemães após o partido entrar com ações judiciais contestando o rótulo.
Os co-líderes da AfD, Alice Weidel e Tino Chrupalla, divulgaram uma nota criticando a decisão do BfV, descrita por eles como um "duro golpe" contra a democracia.
"A AfD, como partido de oposição, está agora sendo publicamente desacreditada e criminalizada", afirmaram. Weidel e Chrupalla prometeram contestar judicialmente a decisão, que eles consideram "de clara motivação política".
Reação
A Administração Trump condenou veementemente a decisão da agência de informação interna da Alemanha de classificar o partido AfD como "extrema-direita confirmada".
O secretário de Estado Marco Rubio postou no X que a Alemanha "não é uma democracia, mas uma tirania disfarçada" quando o serviço de inteligência doméstico monitora a oposição.
Não é o AfD que é extremista, mas sim a "política de imigração mortífera de fronteiras abertas" prosseguida pelo establishment, que o AfD rejeita. Rubio pediu que a decisão fosse reconsiderada.
O Governo alemão rejeitou as críticas de Rubio. "Isto é democracia", publicou o Ministério Federal dos Negócios Estrangeiros no X. "Esta decisão é o resultado de uma investigação exaustiva e independente para proteger a nossa Constituição e o Estado de direito. Os tribunais independentes terão a última palavra. Aprendemos com a nossa história que o extremismo de direita deve ser travado".
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, também salienta que o AfD é "o partido mais popular na Alemanha". Vance sublinha que o AfD é o partido mais representativo da Alemanha de Leste. Os burocratas estavam tentando destruí-lo.
"Juntos, o Ocidente colocou abaixo o Muro de Berlim. Agora está sendo construído de novo - não pelos soviéticos ou russos, mas pelo establishment alemão", publicou Vance no X.
No passado, Vance criticou repetidamente os europeus pela sua relação dividida com a liberdade de expressão e o tratamento dado às forças da oposição.
Na Conferência de Segurança de Munique, acusou os chefes de Estado e de Governo europeus de reprimirem as opiniões divergentes, a liberdade de religião e a liberdade de expressão.
"Para muitos de nós, do outro lado do Atlântico, parece cada vez mais que velhos interesses entrincheirados se escondem atrás de termos feios da era soviética, como desinformação e má informação. Não gostam da ideia de que alguém com uma visão alternativa possa exprimir uma opinião diferente ou, Deus nos livre, votar de forma diferente ou, pior ainda, ganhar uma eleição", afirmou Vance na altura, alertando para o fato de esta situação estar afetando as relações atlânticas.
Vance se encontrou depois com a co-líder da AfD, Alice Weidel, que não tinha sido convidada pelos organizadores da conferência de segurança, à margem da conferência.
( da redação com informações da DW e Euro News. Edição: Política Real)