DIA DO TRABALHO: Centrais sindicais fizeram eventos pelo Brasil com destaque para a redução da jornada com a pauta 6/1; ministro Marinho disse que o Governo apoia a propost, mas destaca a necessidade do diálogo
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( Publicada originalmente às 16h 02 do dia 01/05/2025)
(Brasília-DF,02/05/2025). Foram realizados em várias cidades do Brasil atos das centrais sindicais por conta do Dia do Trabalho.
O 1° de Maio Unficado – “Por um Brasil mais justo: Solidário, Democrático, Soberano e Sustentável”, reuniu milhares de pessoas na Praça Campo de Bagatelle, zona norte de São Paulo.
Participaram do ato os ministros do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho; da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo; e das Mulheres, Aparecida Gonçalves.
O ato político, que ocorreu na Praça Campo de Bagatelle, teve início por volta das 11h e foi organizado pelas centrais sindicais Força Sindical, Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), União Geral dos Trabalhadores (UGT), Nova Central Sindical de Trabalhadores, e pela Pública – Central do Servidor. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) participou como convidada.
O presidente da Força Sindical afirmou que a jornada de trabalho tem que ser reduzida. Ele lembrou que a última redução da jornada foi em 1988. Nós temos certeza de que, hoje, nós temos condições de trabalhar até menos do que as 40 horas semanais. Temos que ter mais tempo para descanso, para família, para estudar, ainda mais no momento em que a gente tem muitos problemas relacionados à saúde mental”, disse o presidente da Força Sindical, Miguel Torres.
Segundo ele, a aprovação da redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 dependerá, no entanto, da mobilização popular e do convencimento de um Congresso Nacional conservador.
“O trabalho que nós vamos ter é de convencer a maioria do Congresso, que é conservador, da necessidade de pensar no Brasil como um todo, pensar nas pessoas, em num país mais desenvolvido, com mais segurança na saúde das pessoas”, acrescentou.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse que a proposta tem apoio do governo, mas necessita de diálogo com o empresariado, principalmente dos setores de comércio e serviço, além do convencimento do Congresso Nacional.
“É preciso de uma construção, de várias mãos, que passa pelo diálogo com o empresariado, que passa especialmente pelo comércio e serviço. E passa, especialmente, pelo diálogo político com o Congresso Nacional”, disse.
Segundo ele, o Congresso deve avaliar o quanto a medida poderá fazer bem para a economia brasileira e para o ambiente de trabalho.
“É assim que temos que olhar. Não é uma coisa ‘A’ contra ‘B’, é preciso olhar o interesse do país”, acrescentou Marinho.
Já o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo, disse ver chances reais de as pautas do fim da escala 6×1 e a isenção do imposto de renda de até R$ 5 mil passarem pelo Congresso. Segundo ele, a redução da jornada de trabalho é uma medida “civilizatória”.
“Eu acho que tem chance de avançar, é uma pauta civilizatória. A escala 6×1 é um crime contra o trabalhador, é cruel contra a classe trabalhadora. Nós todos não precisamos só de trabalho digno e salário justo. É necessário ter tempo para viver, ter tempo para estar com a família, ter tempo para fazer o que gosta, para jogar seu futebol, para ouvir música, para estar com os filhos”, disse.
Rio de Janeiro
O fim da escala 6x1, com redução da jornada de trabalho sem diminuição salarial, foi o tema principal da manifestação de 1º de maio, pelo Dia do Trabalhador, na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro. O ato reuniu representantes de movimentos sociais, centrais sindicais e sindicatos, como o movimento Vida Além do Trabalho (VAT), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), a Intersindical e a Força Sindical.
O coordenador nacional do Movimento VAT, Wesley Fábio, defendeu que o 1º de maio é um dia histórico e, por isso, o VAT entendeu que seria um dia de ir às ruas para exigir o fim dessa escala. O movimento tem a proposta de mobilizar os trabalhadores de forma nacional em favor da derrubada da escala 6x1, que prevê seis dias trabalhados e apenas um dia de folga semanal.
“Os trabalhadores estão voltando a pautar os seus benefícios, aquilo que querem e o que de fato vai fazer diferença na vida deles. A gente acredita que essa manifestação vai dar uma resposta para o Congresso Nacional e para o Hugo Motta [presidente da Câmara dos Deputados], de que a classe trabalhadora está organizada e querendo o fim da escala 6X1. O Movimento VAT conseguiu unir diversas centrais sindicais, movimentos e partidos em prol de uma luta que é real, justa e urgente”, disse à Agência Brasil.
Para Roberto Santana Santos, da Central Intersindical da Classe Trabalhadora, o ato desta quinta-feira na Cinelândia marca o início de uma série de mobilizações nacionais pelo fim da escala 6X1.
“A gente compreende que só com mobilização, só estando nas ruas e praças, é que a gente vai conseguir ter força política para acabar com essa escala escravocrata que existe ainda hoje para milhões de trabalhadores do Brasil. É uma pauta que uniu todas as centrais sindicais, movimentos populares, organizações da classe trabalhadora, associação de moradores, ocupações. É um tema que ganhou as ruas e está presente nas redes. As pessoas estão discutindo o fim da escala 6X1 ”, contou à reportagem.
Odisséia Carvalho, integrante do Conselho Fiscal do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe), lembrou que a igualdade salarial entre homens e mulheres, a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil, proposta pelo governo federal, e a valorização do salário-mínimo também são pautas importantes neste Dia do Trabalhador.
“São lutas nossas. A gente não pode deixar de ter a garantia desses direitos e conquistar mais, porque a gente precisa lutar para ir em busca de mais direitos. Por isso, estamos aqui reunidos: partidos políticos, movimentos organizados, pessoas comuns”, afirmou à Agência Brasil.
O presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Hugo Silva, destacou que a questão da redução da jornada é importante para o presente e o futuro dos estudantes, porque também toca a vida dos estudantes e da juventude do país que está inserida no mercado de trabalho informal, por não conseguir conciliar os estudos com as limitações impostas por uma escala com seis dias trabalhados e apenas uma folga.
“Muitas das vezes, essas pessoas estão na escola e saem para ir para o mercado de trabalho informal por causa dessa escala 6x1. Então, para nós, é fundamental lutar contra essa escala. A gente está falando aqui sobre a dignidade da vida humana, a dignidade da nossa juventude e de não ter tempo para estudar, conhecer a cidade, ter acesso à cultura e ao lazer”, disse em entrevista à Agência Brasil.
São Paulo
Pela manhã, no ato conjunto das centrais sindicais, no Campo de Bagatelle, na zona norte da capital paulisto\a, o presidente da CUT Nacional Sergio Nobre ressaltou a necessidade de luta para que em 2026 seja um ano de recuperação de direitos dos trabalhadores, mas para isso é preciso derrotar a direita nas próximas eleições.
“Temos de consciência de classe e nós vamos lutar pelos nossos direitos em 2026, e enterrar definitivamente essa direita e reeleger nosso presidente Lula”, declarou.
Antes, em São Bernardo do Campo, região metropolitana do estado. Em sua mensagem aos trabalhadores, Nobre destacou que este 1º de maio, é especial porque é o centenário da data, e elogiou a organização da classe trabalhadora.
“Estamos reforçando a nossa pauta que nós entregamos essa semana ao presidente Lula e ao Congresso Nacional, com mais de 30 itens, mas dois são muito importantes, que são a redução da jornada de trabalho sem redução de salário, o fim da escala de 6 por 1 e também a isenção do imposto de renda para quem ganha até cinco mil reais”, declarou.
O presidente da CUT ressaltou que “não é justo alguém que ganha R$ 5 mil por mês ter 27,5% de desconto de imposto de renda e quem tem uma renda de um milhão, pague apenas 1,5% de contribuição.
“É preciso justiça tributária. O 1º de maio é dia de festa, mas também é dia de luta e o ABC está mostrando pro mundo que a classe trabalhadora está reunida no planeta inteiro pra relembrar as lutas e preparar as lutas no futuro”, disse.
Fronteira
Foz do Iguaçu, no Paraná, foi palco de uma celebração do 1° de Maio que reuniu, além da CUT, centrais sindicais do Brasil e dos vizinhos Argentina e Paraguai para o 1º de Maio Internacional das Centrais do Cone Sul. A atividade foi realizada no Campus Jardim Universitário da Universidade Federal de Integração da América Latina (Unila) e organizada pela CUT-Paraná, pela Confederação Sindical das Américas (CSA) e pela Coordenadora das Centrais Sindicais do Cone Sul (CCSCS).
A escolha do local – a região da tríplice fronteira – foi estratégica para reforçar a importância da unidade das trabalhadoras e dos trabalhadores de toda a região. “temos uma tarefa de construir a unidade da classe trabalhadora no extremo sul do nosso continente porque sabemos que é com unidade, respeito, responsabilidade e mobilização que alcançaremos as conquistas que essa classe trabalhadora precisa e, acima de tudo, merece”, disse, durante o evento, o secretário-adjunto de Relações Internacionais da CUT, Quintino Severo.
“Nós queremos garantir que a classe trabalhadora latino-americana, caribenha, mas em especial a classe trabalhadora aqui do Mercosul, possa andar livremente aqui na nossa região”, pontou o dirigente, que também é Secretário-Geral da CCSCS.
( da redação com informações da Ag. Brasil e assessoria. Edição: Política Real)