31 de julho de 2025
Mundo e Poder

Cardeal Batista Re falando aos chefes de Estado, além de enaltecer o papado de Francisco, lembrou que ele falava em construir pontes e não muros; foi aplaudido quando disse que a guerra deixa sempre o mundo pior de antes

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( Publicada originalmente às 11h 30 do dia 26/04/2025) 

Com agências

(Brasília-DF, 28/04/2025)   A missa-cerimônia-funeral  neste sábado, 26,  por Francisco na Praça de São Pedro em frente a basílica, destacou o trabalho do primeiro pontífice da América Latina em prol dos mais pobres e da paz mundial.

O funeral foi conduzido pelo decano do Colégio Cardinalício, o cardeal Giovanni Battista Re.   O italiano de 91 anos foi ordenado pela Diocese de Brescia em 1957.

Em 2001, o papa João Paulo 2° o proclamou cardeal.  Ele foi eleito decano do Colégio Cardinalício em 2020 — e o papa Francisco estendeu o mandato de Battista Re em fevereiro deste ano. Ele participou do conclave de abril de 2005, que elegeu o papa Bento 16, e do conclave de março de 2013, que elegeu o papa Francisco.

O cardeal Giovanni Battista Re prestou homenagem à "liderança pastoral" do Papa Francisco, que, segundo ele, foi mantida "por meio de sua personalidade resoluta".

"Ele estabeleceu contato direto com as pessoas e os povos, desejoso de estar próximo de todos, com uma atenção especial aos que se encontravam em dificuldade, doando-se sem medida, especialmente aos marginalizados, aos últimos entre nós", disse o cardeal.

Ele falou mais.

"As demonstrações de afeto que testemunhamos nos últimos dias após sua passagem desta terra para a eternidade nos dizem quanto o pontificado do papa Francisco tocou mentes e corações", afirmou o cardeal italiano Giovanni Battista Re na homilia.

Segundo analistas, a cerimônia teve um tom político ao mencionar os imigrantes e lembrar que o papa "quis construir pontes, não muros".

Apelos pela paz diante de líderes mundiais

Diante de líderes como o presidente americano Donald Trump, e o ucraniano Volodimir Zelenski, o cardeal Re, em sua homilia, foi aplaudido ao afirmar: "A guerra é somente morte de pessoas, destruição de casas, de hospitais e escolas. A guerra deixa sempre o mundo pior de antes".

"Ele foi um papa entre o povo, de coração aberto a todos. Foi também um papa atento aos sinais dos tempos."

Segundo Sarah Rainsford, correspondente da BBC, a homilia foi "cheia de cores" sobre a vida de Francisco.

Ainda segundo ela, em alguns momentos o discurso pareceu político, "especialmente considerando quem está na multidão".

O cardeal Giovanni Battista Re nfalou sobre os apelos do papa Francisco para "construir pontes, não muros" — e sua compaixão pelos migrantes.

O tema da imigração gerou certa tensão com Donald Trump no passado — com Francisco chamando a expulsão de imigrantes sem documentos dos EUA de "uma vergonha".

Para Rainsford, a homilia foi acompanhada por momentos de aplausos entre a multidão.

A menção à primeira viagem do papa ao exterior, quando ele se encontrou com refugiados na ilha italiana de Lampedusa, foi recebida pelo público com palmas.

O cardeal ainda fez referência a uma fala de Francisco sobre "construir pontes, não muros", dita inicialmente pelo falecido papa em 2016, quando Trump ainda concorria ao seu primeiro mandato e tinha como principal proposta construir um muro para separar os EUA do México e conter a imigração.

"Papa com um coração aberto a todos"

Ainda na missa fúnebre o cardeal Battista Re, afirmou hoje que Francisco "foi um papa no meio do povo, com um coração aberto a todos", atento ao que "de novo estava a surgir na sociedade".

Para o cardeal, a decisão de Jorge Bergoglio de adotar o nome Francisco "manifestou-se logo como a escolha do programa e do estilo em que queria basear o seu pontificado, procurando inspirar-se no espírito de São Francisco de Assis".

"Conservou o seu temperamento e a sua forma de orientação pastoral, imprimindo de imediato a marca da sua forte personalidade no governo da Igreja, estabelecendo um contato direto com cada pessoa e com as populações, desejoso de ser próximo a todos, com uma atenção especial às pessoas em dificuldade, gastando-se sem medida, em particular pelos últimos da terra, os marginalizados", acrescentou na sua homilia.

( da redação com agências. Edição: Política Real)