31 de julho de 2025
Brasil e Poder

Lula e Antônio Guterres, em reunião preparatória da COP30 com líderes mundiais, cobram mais ambição ambiental e planos climáticos nacionais “mais robustos possíveis”

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( Publicada originalmente às 15h 30 do dia 23/04/2025) 

(Brasília-DF, 24/04/2025). Nesta quarta-feira, 23, foi realizada uma reunião virtual com 17 líderes mundiais para reforçar compromissos com a agenda do clima comandada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

O encontro, que foi virtual e reservado, contou com a presença do presidente chinês, Xi Jinping, da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, além de chefes de Estado de grandes economias, como França e Espanha, e de países vulneráveis a desastres, como Barbados e Palau.

Aumento da ambição rumo à COP30

Também participaram os presidentes de Angola e Malásia, que exercem, respectivamente, a liderança da União Africana e da Associação das Nações do Sudeste Asiático, Asean.

Após o encontro, o líder da ONU fez uma declaração enfatizando que “não há tempo a perder”, pois nenhuma região está sendo poupada dos estragos das catástrofes climáticas.

Guterres declarou que o encontro foi um passo importante para acelerar a ação climática rumo à 30ª Conferencia das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP30, que será no Brasil, na cidade de Belém.

Ele revelou que pediu aos líderes que intensifiquem os esforços para apresentar os planos climáticos nacionais “mais robustos possíveis” antes da conferência.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou que os líderes mundiais entreguem metas ambiciosas de redução de emissões de carbono. Apenas 10% dos países apresentaram suas novas Contribuições Nacionalmente Determinadas, as NDCs, que são os esforços individuais no combate às mudanças do clima.

“A arquitetura de preparação das NDCs é suficientemente flexível para combinar metas ambiciosas e as necessidades de desenvolvimento de cada Estado. Os países ricos, que foram os maiores beneficiados pela economia baseada em carbono, precisam estar à altura de suas responsabilidades. Está em suas mãos antecipar metas de neutralidade climática e ampliar o financiamento até o objetivo de US$ 1,3 trilhão”, disse o presidente.

Lula falou mais.

“Não se pode falar em transição justa sem incorporar a perspectiva de setores historicamente marginalizados, como mulheres, negros e indígenas, e sem considerar as circunstâncias do Sul Global”, afirmou o presidente, lembrando o falecimento do Papa Francisco. “Tenho certeza de que seus ensinamentos sobre a necessidade de uma 'ecologia integral', que enxergue a natureza e o ser humano como uma totalidade, vão nos servir de inspiração”, acrescentou Lula.

Para o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a reunião foi bem-sucedida, com a presença de líderes importantes, como da China e União Europeia, e deve repercutir e mobilizar as 196 nações que fazem parte da convenção da ONU sobre mudanças climáticas. “Foram escolhidos países importantes, atores mundiais, não só grandes economias, como também alguns dos chamados SIDS [Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento]”, contou, em entrevista à imprensa após a reunião.

De acordo com o secretário-geral, muitos líderes se comprometeram em finalizar as Contribuições Nacionalmente Determinadas, NDCs, até setembro, incluindo a China que disse na reunião que irá abordar todos os setores da economia e todos os gases do efeito estufa.

“A oportunidade econômica do século”

Para o chefe das Nações Unidas, esses novos planos oferecem uma oportunidade única de traçar uma visão “ousada” para uma transição verde e justa na próxima década.

Segundo ele, a reunião comprovou que “o mundo está avançando a todo vapor e nenhum grupo ou governo pode impedir a revolução da energia limpa”.

Guterres ressaltou que os países estão despertando para o fato de que “as energias renováveis ​​são a oportunidade econômica do século”.

O secretário-geral destacou que elas oferecem “o caminho mais seguro para a soberania e segurança energética, e para acabar com a dependência de importações voláteis e caras de combustíveis fósseis”.

Uma mensagem “poderosa e unificadora”

As NDCs devem contribuir para limitar o aquecimento global a 1,5°C e estabelecer metas de redução de emissões que abranjam todos os gases de efeito estufa e todos os setores da economia. Além disso, devem acelerar uma transição justa dos combustíveis fósseis para as energias renováveis.

O líder da ONU também pediu aumento do apoio aos países em desenvolvimento, afirmando que eles são os menos responsáveis ​​pelas mudanças climáticas, mas são os que sofrem os piores efeitos.

Como exemplo ele citou que a África e outras partes do mundo em desenvolvimento estão vivenciando um aquecimento mais rápido, e as ilhas do Pacífico estão enfrentando uma elevação mais acelerada do nível do mar.

Ele pediu que na COP30 os líderes apresentem um roteiro concreto para mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano para essas nações até 2035.

Para ele, a reunião deixou uma “mensagem poderosa e unificadora” no combate às mudanças climáticas e enfatizou que essa agenda não será deixada de lado.

Resgate do multilateralismo

O encontro fez parte da Parceria Brasil-ONU por Ambição Climática, lançada em setembro passado por Lula e Guterres para renovar o compromisso político com o Acordo de Paris. O objetivo é criar impulso para planos climáticos nacionais mais fortes, a serem anunciados em 2025.

De acordo com um alto funcionário da ONU que falou em uma sessão informativa  antes da reunião, o encontro serviu para “lembrar aos líderes que o clima continua sendo uma prioridade fundamental e que a colaboração e o multilateralismo ainda importam".

Um alto funcionário brasileiro que participou disse que a COP30 em Belém irá além das negociações para se concentrar na implementação, transparência e entrega. De acordo com ele, os países “já negociaram o suficiente e agora o mundo quer ver ação, resultados, exemplos, soluções".

O representante brasileiro também enfatizou que demonstrar resultados tangíveis é essencial para restaurar a confiança no multilateralismo, provando que não se trata apenas de negociar documentos, mas de torná-los realidade.

( da redação com informações da ONU News. Edição: Política Real)