Começam a valer as tarifas globais dos Estados Unidos contra 180 países
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( Publicada originalmente às 08h 14 do dia 05/04/2025)
Com agências.
(Brasília-DF, 07/04/2025). Foi anunciado antes mas hoje, 05, sábado, começam as tarifas globais de 10% dos Estados Unidos oficializando uma medida que ameaça perturbar ainda mais os mercados internacionais.
Na quarta-feira passada, dia que batizou de "Dia da Libertação", Trump anunciou uma tarifa mínima de 10% sobre 184 países e territórios, além da União Europeia (UE), e em alguns casos aumentou as taxas.
No caso do Brasil, a alíquota foi mantida em 10%, mas chegou a ser incrementada em até 20% para produtos da UE ou até 54% para as exportações chinesas que chegam ao mercado americano.
Essa escalada tarifária adicional, aplicada apenas a alguns parceiros comerciais de Washington, entrará em vigor na próxima quarta-feira.
O que entra em vigor agora é a tarifa global de 10% que afeta todos os produtos que os Estados Unidos importam de outras nações.
No entanto, produtos já carregados em um navio e em trânsito para os Estados Unidos antes das 00h01 deste sábado estão isentos da tarifa de 10%, de acordo com a ordem executiva assinada por Trump na quarta-feira. Essas mercadorias devem chegar aos EUA até 27 de maio para evitar taxas alfandegárias.
Essa exceção impede que mercadorias já a caminho dos Estados Unidos sejam afetadas pela mudança na alfândega.
A tarifa alfandegária é adicional aos impostos existentes, mas alguns produtos estão isentos, como petróleo, gás, cobre, ouro, prata, platina, paládio, madeira serrada, semicondutores, produtos farmacêuticos e minerais não encontrados em solo americano.
As importações de aço, alumínio e automóveis também não são afetadas, mas porque já estão sujeitas a sobretaxas de 25%.
O Canadá e o México, parceiros dos EUA no Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), estão sob um regime diferente: 25% sobre produtos fora do acordo (exceto 10% sobre hidrocarbonetos canadenses).
Escalada adicional
Na próxima quarta-feira ,09, a guerra comercial declarada pelo republicano se intensifica, quando passam a valer impostos mais altos para outros países, incluindo aqueles que exportam mais do que importam.
Serão +54% no total para a China (somando várias tarifas), +20% para a União Europeia (UE), +46% para o Vietnã, +24% para o Japão, +15% para a Venezuela, +18% para a Nicarágua.
As Ilhas Malvinas terão tarifa de 41%. A Argentina e o Reino Unido reivindicam a soberania sobre esse arquipélago, chamado de Ilhas Falkland pelos britânicos.
A lista de Trump afeta cerca de 180 países e territórios, incluindo os 27 países do bloco europeu, de acordo com um documento oficial publicado na sexta-feira pelo governo dos EUA.
O número de países mais duramente punidos foi reduzido: não inclui mais as ilhas francesas de St Pierre e Miquelon (no Atlântico) ou os territórios australianos das ilhas Heard e McDonald, na região subantártica, habitados apenas por colônias de pinguins.
Sua presença causou estranhamento e deu origem a todos os tipos de memes sobre esses animais nas mídias sociais.
Ameaça às bases do livre-comércio
As tarifas impostas por Trump ameaçam os fundamentos do livre-comércio que definem o mundo há décadas e já desencadearam uma guerra comercial com aliados tradicionais de Washington, como o Canadá, e adversários como a China, que anunciou suas próprias tarifas.
As taxações também alimentaram temores de uma desaceleração econômica, com o maior banco dos EUA, o JPMorgan Chase, aumentando as chances de uma recessão global de 40% para 60%.
Nos EUA, o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Jerome Powell, advertiu na sexta-feira que as tarifas de Trump poderiam levar a uma inflação mais alta e a um menor crescimento econômico, ressaltando que uma inflação mais alta poderia ser persistente e não temporária.
As tarifas também ameaçam aumentar o preço de bens como moradia, carros e roupas nos EUA, prejudicando particularmente as famílias mais pobres do país, que podem sofrer uma perda de capital de até 5,5%, de acordo com um estudo de um centro de pesquisa da Universidade de Yale.
( da redação com DW, EFE, AFP. Edição: Política Real)