31 de julho de 2025
COMÉRCIO

Perto da Copa do Mundo, vendas nominais no varejo devem subir em abril e nos próximos dois meses, aponta IDV

Índice Antecedente de Vendas registra crescimento que varia de 1,1% a 3,3% entre abril e junho; em março, houve alta de 7,3%

Por Política Real com assessoria
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Vendas de varejo devem avançar Foto: Arquivo da Política Real

(Brasília-DF, 28/04/2026) Nesta terça-feira, 28, faltando 45 dias para o início da Copa do Mundo os últimos dados do IAV-IDV (Índice Antecedente de Vendas do Instituto para Desenvolvimento do Varejo) nominal, que considera a participação das atividades no volume total de vendas do comércio varejista medido pelo IBGE, apresenta previsão de crescimento de 1,1% em abril, 2,3% em maio e 3,3% em junho, sempre em relação aos mesmos meses do ano anterior.

Em março, houve alta de 7,3%. Já os dados apresentados pelo IAV-IDV, ajustados pelo IPCA, apontam queda de 3,3% em abril, 2,2% em maio e 1,3% em junho. Em março, houve alta de 3,2% em relação ao mesmo mês de 2025.

"Em março, o ICC (Índice de Confiança do Consumidor), calculado pela FGV, cresceu. Apesar disso, o indicador que mede a situação atual das famílias apresentou queda, influenciado pela piora na percepção da situação econômica local. Já a tendência de queda da taxa Selic em 2026 pode ser afetada pelo desenvolvimento dos conflitos no Oriente Médio, os quais têm potencial de elevação dos custos globais e pressão sobre os preços de toda a economia. Deste modo, o ímpeto ao consumo pode sofrer impactos negativos indiretos, oriundos tanto da inflação quanto de uma redução da taxa de juros menor do que inicialmente esperada", explica Jorge Gonçalves Filho, presidente do IDV.

O cenário macroeconômico brasileiro para 2026 indica um ambiente de atividade econômica em ritmo moderado, com crescimento do PIB estimado em 1,86%. Esse desempenho reflete, em grande medida, os efeitos defasados da política monetária restritiva ainda vigente, além de um contexto de normalização gradual da demanda doméstica. O mercado de trabalho tende a acompanhar esse movimento, apresentando desaceleração gradual, consistente com um nível de atividade menos dinâmico, ainda que sem sinais abruptos de reversão no nível de ocupação. No campo inflacionário, projeta-se que o IPCA acumule alta de 4,80% em 2026. Essa trajetória reflete, por um lado, os impactos defasados do aperto monetário implementado nos anos anteriores e, por outro, as potenciais pressões negativas sobre as cadeias de suprimentos decorrentes do ambiente de conflitos geopolíticos.

"Neste contexto, as expectativas de mercado apontam para uma taxa Selic em torno de 12,25% ao final de 2026. Esse movimento sinaliza uma transição cautelosa da política monetária, compatível com um cenário de crescimento moderado, inflação controlada dentro do intervalo de tolerância da meta e um mercado de trabalho em

acomodação gradual, na medida em que o colegiado se mantém atento a possíveis consequências adversas no ambiente global", analisa Jorge Gonçalves Filho.

As projeções são feitas a partir dos dados individuais que cada associado do IDV informa em relação à sua expectativa de faturamento para os próximos três meses. Esse conjunto de empresas que compõem o índice possui representantes em todos os setores do varejo e corresponde a, aproximadamente, 20% das vendas no varejo brasileiro.

IAV Setorial

Em março, todos os setores do índice apresentaram alta nas vendas.

No setor de hipermercados e supermercados, março teve alta de 16,1% em relação ao mesmo mês de 2025, acima do previsto no mês anterior. Para abril, a previsão é de queda de 3,2%; já para maio e junho, a perspectiva é de alta de 1,3% e 3,3%, respectivamente.

No setor de atacado, março teve alta de 1,6% em relação ao mesmo mês de 2025, abaixo do previsto no mês anterior. Para abril, maio e junho, a previsão é de alta de 3,4%, 3,5% e 4,2%, respectivamente.

No setor de material de construção, março teve leve alta de 0,5% em relação ao mesmo mês de 2025, abaixo do previsto no mês anterior. Para abril, a previsão é de alta de 1,6%; para maio, estabilidade de 0%; e para junho, alta de 2,1%.

No setor de outros artigos de uso pessoal e doméstico, março teve alta de 8,5% em relação ao mesmo mês de 2025, abaixo do previsto no mês anterior. Para abril, maio e junho, a previsão é de alta de 10,2%, 4,4% e 7,1%, respectivamente.

No setor de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, perfumaria e cosméticos, março teve alta de 12,2% em relação ao mesmo mês de 2025, abaixo do previsto no mês anterior. Para abril, maio e junho, a previsão é de alta de 11,5%, 6,6% e 11,2%, respectivamente.

No setor de móveis e eletrodomésticos, março teve alta de 5,1% em relação ao mesmo mês de 2025, acima do previsto no mês anterior. Para abril, maio e junho, a previsão é de alta de 6,6%, 13,8% e 4,8%, respectivamente.

No setor de tecidos, vestuário e alçados, março teve alta de 5,9% em relação ao mesmo mês de 2025, abaixo do previsto no mês anterior. Para abril, maio e junho, a previsão é de alta de 4,7%, 6,1% e 6,7%, respectivamente.

Criado em outubro de 2007, o IAV-IDV é um índice que consolida a evolução das vendas efetivamente realizadas pelos associados do IDV (Instituto para o Desenvolvimento do Varejo), permite projetar expectativas para os próximos meses e, assim, servir de base de informação para a tomada de decisão dos executivos do varejo.

Sobre o IDV

O IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo) representa 69 empresas varejistas de diferentes setores, como alimentos, eletrodomésticos, móveis, utilidades domésticas, brinquedos, produtos de higiene e limpeza, cosméticos, esportes, material de construção, medicamentos, vestuário e calçados. Juntas, somam um faturamento aproximado de R$ 624 bilhões por ano, geram 938,8 mil empregos diretos e possuem, aproximadamente, 36,7 mil estabelecimentos comerciais e 820 centros logísticos. Atuante em todo o território nacional, o IDV tem como principal objetivo contribuir para o crescimento sustentável da economia brasileira, além do desenvolvimento do varejo ético e formal, que contribua para as mudanças estruturais do Brasil e para a melhoria da vida dos brasileiros.

(da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)