EUA e Rússia, em comunicado, após reunião na Arábia Saudita acertam criar "equipes de alto nível" para encontrar uma solução "duradoura, sustentável e mutuamente aceitável" para o fim do conflito Rússia/Ucrânia
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( Publicada originalmente às 14 h 10 do dia 18/02/2025 )
(Brasília-DF, 19/02/2025) Nesta terça-feira, 18, foi realizado Riad, capital da Arábia Saudita um encontro entre as delegações dos Estados Unidos e da Rússia que busca, de forma preparativa, poucos dias antes do terceiro aniversário da invasão russa da Ucrânia montar as bases encerrar o conflito "o mais rápido possível".
Para atingir esse objetivo, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, concordaram ,hoje, em nomear "equipes de alto nível" para encontrar uma solução "duradoura, sustentável e mutuamente aceitável".
Este foi um dos resultados da reunião para a qual não foram convidados representantes da Ucrânia ou de qualquer país europeu.
O encontro entre Rubio e Lavrov foi o primeiro encontro deste nível desde que Vladimir Putin lançou sua chamada "operação militar especial" contra a Ucrânia em 22 de fevereiro de 2022.
Além de encerrar os combates, as autoridades concordaram em "preparar o terreno" para uma cooperação futura em "questões de interesse geopolítico mútuo e nas oportunidades históricas econômicas e de investimento que surgirão de uma resolução bem-sucedida do conflito na Ucrânia", disse o comunicado divulgado pelo Departamento de Estado.
"Um telefonema seguido de uma reunião não é suficiente para estabelecer uma paz duradoura. Precisamos agir, e hoje demos um importante passo à frente", acrescentou a declaração.
Moscou, por sua vez, simplesmente afirmou que as negociações "não correram mal".
Após a reunião, que durou cinco horas, Rubio negou que a ausência de representantes da Ucrânia e da União Europeia pudesse ser interpretada como uma exclusão destes países das conversas sobre um acordo de paz.
"Ninguém ficou de fora aqui", disse o chefe da diplomacia dos Estados Unidos durante uma entrevista coletiva.
Rubio disse então que essas negociações poderiam produzir "algumas coisas muito positivas para os Estados Unidos, para a Europa, para a Ucrânia, para o mundo".
"Mas, primeiro, temos que pôr fim a esse conflito", disse Rubio.
Ele disse que esta reunião é "o primeiro passo de um longo e difícil caminho" para acabar com a guerra e que ele busca "estabelecer linhas de comunicação" entre Washington e Moscou.
O ministro russo, por sua vez, considerou que as conversas foram importantes porque "ouvimos uns aos outros".
Rubio disse estar "convencido" de que a Rússia está "disposta a começar a se envolver em um processo sério" para acabar com a guerra na Ucrânia.
Ele disse que os Estados Unidos e a Rússia restabeleceriam mutuamente seus embaixadores, porque precisariam de missões diplomáticas ativas "que pudessem funcionar normalmente para continuar" as negociações.
Sobre as sanções contra a Rússia, ele disse que "todas as partes" devem fazer "concessões" para acabar com "qualquer conflito".
Ele resumiu a reunião de hoje como "o primeiro passo de uma longa e difícil jornada" para acabar com a guerra na Ucrânia.
Rússia reforça suas linhas vermelhas
Sergei Lavrov, por sua vez, descreveu as conversas de terça-feira como "muito úteis".
"Tenho motivos para acreditar que o lado americano agora entende melhor nossa posição", disse ele.
Sobre a reintegração de embaixadores, ele explicou que os Estados Unidos fará primeiro sua nomeação, e a Rússia fará o mesmo em seguida.
Ele disse que ambos os governos também removeriam "obstáculos às missões diplomáticas", incluindo restrições às transferências bancárias.
O ministro das Relações Exteriores russo reiterou a posição de seu governo de que qualquer expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a admissão da Ucrânia seriam uma "ameaça direta" a Moscou.
O chefe da diplomacia russa também rejeitou a possibilidade de enviar soldados estrangeiros para garantir o cumprimento de um possível acordo de paz.
"A presença de forças armadas sob outra bandeira não muda nada. Claro, é totalmente inaceitável", disse ele.
Lavrov se recusou a comentar as declarações feitas pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que disse nos últimos dias que não aceitará nenhum acordo do qual seu país não participe.
O Kremlin que Putin está pronto para conversar com Zelensky "se necessário".
(da redação com BBC. Edição: Política Real)