Líderes europeus fazem cúpula, às pressas, para lidar com crise de um acordo EUA-Rússia e discutem possibilidade de envio de missão de paz na Ucrânia
Eles decidiram aplicar 2% do PIB em defesa
( Publicada originalmente às 19h 00 do dia 17/02/2025)
Com agências.
(Brasília-DF, 18/02/2025) Convocados pelo presidente da França, Emmanoel Macron, numa cúpula informal em Paris prometeram, nesta segunda-feira, 17, continuar a apoiar conjuntamente a Ucrânia face à invasão russa, mas não deram quaisquer novas garantias de segurança que pudessem fazer a diferença no contexto do impulso de Donald Trump para lançar negociações com a Rússia. Não houve anúncio concreto, pois a ideia de enviar tropas de manutenção da paz para a Ucrânia continua suscitando grandes divisões.
A intenção declarada de Trump de chegar a um acordo para resolver a guerra de três anos nas próximas semanas abalou profundamente a Europa e alimentou o receio de que pudesse conduzir a concessões dolorosas para Kiev e deixar o continente vulnerável ao expansionismo do Kremlin.
A Casa Branca enviou um questionário aos aliados europeus perguntando, entre outras coisas, se estariam dispostos a enviar soldados de manutenção da paz para o país devastado pela guerra.
O presidente francês Emmanuel Macron já tinha manifestado a sua abertura a este cenário. Na segunda-feira, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer deixou claro que estava pronto para fazer o mesmo, desde que os Estados Unidos fornecessem apoio.
"Estou preparado para considerar a possibilidade de colocar forças britânicas no terreno, juntamente com outras, se houver um acordo de paz duradouro. Mas tem de haver apoio por parte dos EUA, porque uma garantia de segurança dos EUA é a única forma de dissuadir eficazmente a Rússia de voltar a atacar a Ucrânia", disse Starmer no final de uma cimeira de emergência em Paris.
"Temos de reconhecer a nova era em que nos encontramos e não nos agarrarmos irremediavelmente aos confortos do passado. É altura de assumirmos a responsabilidade pela nossa segurança, pelo nosso continente".
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, disse que o seu país estava "aberto" à ideia da manutenção da paz, mas alertou para o fato de existirem "muitas questões" que necessitam de resposta.
"Uma coisa muito importante é saber como é que os norte-americanos vão encarar estas questões", afirmou. "Será que vão apoiar os europeus no caso de haver botas no terreno?"
Friedriksen afirmou ainda que "um cessar-fogo não é automaticamente paz e não é automaticamente uma paz duradoura" e apelou aos países europeus para que "intensifiquem" a sua ajuda à Ucrânia, de forma a colocar o país na "melhor posição possível" para futuras negociações.
A chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que "a Ucrânia merece paz por meio da força" e que isso deve "respeitar sua independência, soberania e integridade territorial, com fortes garantias de segurança".
O chanceler federal alemão Olaf Scholz disse, após o encontro, que rejeita uma "paz imposta" e o envio de forças de paz para a Ucrânia, o que classificou de "altamente inapropriado".
"Essas discussões me surpreendem, eu admito. Eles estão falando pelas costas dos ucranianos sobre os resultados de negociações que não ocorreram, com as quais a Ucrânia não concordou e não foi convidada a participar", disse Scholz à mídia alemã ao sair da reunião.
"É um debate inadequado no momento errado e sobre o assunto errado", acrescentou. O líder alemão afirmou que os contatos entre os Estados Unidos e a Rússia devem ocorrer, mas enfatizou que "uma paz imposta não pode ser permitida".
O chanceler disse esperar que Kiev continue seu caminho para a adesão à União Europeia e defender sua soberania e segurança, o que precisaria do apoio europeu e dos EUA.
Scholz também destacou que todos os líderes presentes concordaram com a meta de investir 2% do PIB em defesa, embora "alguns não tenham chegado lá, mas estão a caminho".
( da redação com Euro News e DW. Edição: Política Real)