Lula, em ato pela Renovação da Frota Naval do Sistema Petrobras, disse que o Brasil não é da Petrobras, a Petrobras é do Brasil; FUP entrega carta com “preocupações” e critica revisão do Marco Legal das Estatais
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( Publicada originalmente às 16h 00 do dia 17/02/2025)
(Brasília-DF, 18/02/2025) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou na manhã desta segunda-feira, 17, em Angra dos Reis (RJ) da cerimônia de anúncio do Programa de Renovação da Frota Naval do Sistema Petrobras. Foi lançada, também a segunda licitação para o programa e assinados protocolos de intenções para o reaproveitamento de plataformas da Petrobras em fase de desmobilização.
"A nossa ideia de colocar as coisas nacionais, fabricadas pelas nossas empresas, nos nossos navios, na nossa plataforma, na nossa refinaria, é uma missão que a gente vai cumprir a cada dia. Porque nós precisamos ter consciência que um país só será soberano quando o povo tiver orgulho, não só do seu país, mas daquilo que faz, daquilo que ele acredita", pontuou Lula.
Para Lula, é preciso assumir a responsabilidade de defender com mais coragem aquilo que se acredita.
"Não é o Brasil que é da Petrobras, é a Petrobras que é do Brasil. Vamos continuar construindo navio, construindo sonda, construindo plataforma, pesquisando, produzindo e refinando petróleo", destacou.
A licitação pública internacional lançada pela Transpetro na manhã desta segunda-feira, 17, para a aquisição de oito navios gaseiros com capacidades de 7 mil, 10 mil e 14 mil metros cúbicos, integra o Programa de Renovação e Ampliação da Frota do Sistema Petrobras, que teve início em julho de 2024 e concluiu em janeiro a contratação de quatro navios da classe handy.
Com a contratação, sobe de seis para 14 o número de navios da frota de gaseiros, ampliando a capacidade de transporte de 36 mil para até 108 mil metros cúbicos.
"A indústria naval é soberania nacional, é tecnologia, é estratégica, é desenvolvimento, está na vanguarda da ciência e gera dezenas de milhares de empregos. A Petrobras é um orgulho do Brasil", frisou o vice-presidente Geraldo Alckmin.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o evento marca o fortalecimento da indústria nacional e estimula ainda mais a reindustrialização do país. "O crescimento vem da retomada de políticas para a cadeia dessa indústria que foi desmantelada no governo anterior. Significa retomar o crescimento da exploração de petróleo, gás natural e fertilizantes. Significa apostar no aumento do conteúdo local. Significa garantir soberania, garantir segurança energética e segurança alimentar", disse.
Para o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, a licitação evidencia o novo horizonte de crescimento da companhia, e o evento marca a retomada da indústria naval. "Hoje é um dia simbólico, porque o programa de renovação e ampliação da frota do sistema Petrobras evidencia que a promessa está sendo cumprida. Essa indústria gera muitos empregos e melhora a atividade econômica das regiões onde estão instalados os estaleiros, levando o desenvolvimento econômico e social para vários estados brasileiros de Norte a Sul", detalhou.
Postos de trabalho
Segundo o coordenador-geral da Frente Única dos Petroleiros, David Bacelar, são mais de 44 mil postos de trabalho que serão gerados pela indústria naval a partir das encomendas da Petrobras.
"Nós estamos falando dos estaleiros que estarão em pleno funcionamento, hoje já, com obras e encomendas para o Rio Grande do Sul, para o Espírito Santo, para Santa Catarina, mas chegaremos à Bahia, a Pernambuco, aqui ao Rio de Janeiro. Então, temos motivos de sobra para nós estarmos aqui comemorando a retomada da indústria naval, que será feita a partir da força de trabalho de cada trabalhador e trabalhadora aqui presente", declarou.
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Também neste evento a Frente Única dos Petroleiros entregou uma carta a Lula com algumas “preocupações”
A carta enumera preocupações urgentes, como a revisão do Marco Legal das Estatais, a reestatização dos ativos vendidos, a retomada da produção de fertilizantes e o fortalecimento da indústria naval, com maior conteúdo nacional. Além disso, defende uma transição energética justa e inclusiva, que envolva os trabalhadores e suas representações, e reivindica o reconhecimento e respeito aos aposentados da Petrobrás e suas famílias.
A federação reafirma a necessidade de a Petrobrás fortalecer o diálogo com as entidades sindicais e garantir condições de trabalho mais justas, como a implementação de políticas que respeitem as negociações coletivas, e combatam a individualização das relações de trabalho.
A entrega da carta ao presidente da República foi feita por Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP, destacando que “a retomada das encomendas da Petrobrás é um marco de recuperação e crescimento da construção naval e do país”.
Ele lembrou que a perspectiva é de geração de mais de 44 mil novos postos de trabalho no setor, com investimentos em estaleiros em diversas regiões do país. E se reportou ao período dos primeiros governos de Lula e de Dilma Rousseff quando, em 2013, o setor naval alcançou o pico de 84 mil postos de trabalho, abrangendo 12 estaleiros no Brasil.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)