Donald Trump aplica “tarifas recíprocas” sobre o etanol do Brasil; veja o que diz a Casa Branca
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( Publicada originalmente às 18 h 32 do dia 13/02/2025)
(Brasília-DF, 14/02/2025) O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após taxar o aço e o alumínio do Brasil, agora mira no etanol brasileiro.
Nesta quinta ,13, a Casa Branca anunciou o que tem chamado de "tarifas recíprocas" e distribuiu um memorando em que consta uma lista de países e produtos que estariam em condição "injusta" de comércio em relação aos americanos.
O primeiro item da lista é o etanol brasileiro.
"A tarifa dos EUA em etanol é de meros 2,5% Já o Brasil cobra dos EUA tarifas de exportação de 18%. Como resultado, em 2024, os EUA importam mais de US$ 200 milhões em etanol do Brasil enquanto os EUA exportaram apenas US$ 52 milhões em etanol ao Brasil", diz o documento, que também cita produtos agrícolas da Índia e veículos e mariscos da União Europeia.
Segundo funcionários da Casa Branca, informam agência como a BC, as tarifas serão customizadas cada caso, país a país, produto a produto, e por isso o início da cobrança não é imediato, mas acontecerá no "tempo de Trump", ou seja, em poucas semanas ou, no máximo, alguns meses.
Veja a íntegra da declaração que atinge diversos países, inclusive o Brasil:
O "PLANO JUSTO E RECÍPROCO": Hoje, o presidente Donald J. Trump assinou um Memorando Presidencial ordenando o desenvolvimento de um plano abrangente para restaurar a justiça nas relações comerciais dos EUA e combater acordos comerciais não recíprocos.
O "Plano Justo e Recíproco" buscará corrigir desequilíbrios de longa data no comércio internacional e garantir justiça em todos os níveis.
Já se foram os dias em que a América era aproveitada: este plano colocará o trabalhador americano em primeiro lugar, melhorará nossa competitividade em todas as áreas da indústria, reduzirá nosso déficit comercial e reforçará nossa segurança econômica e nacional.
A AMÉRICA NÃO TOLERARÁ MAIS PRÁTICAS COMERCIAIS DESLEAIS: Os Estados Unidos são uma das economias mais abertas do mundo, mas nossos parceiros comerciais mantêm seus mercados fechados para nossas exportações. Essa falta de reciprocidade é injusta e contribui para nosso grande e persistente déficit comercial anual.
Existem inúmeros exemplos em que nossos parceiros comerciais não dão aos Estados Unidos tratamento recíproco.
A tarifa dos EUA sobre o etanol é de apenas 2,5%. No entanto, o Brasil cobra das exportações de etanol dos EUA uma tarifa de 18%. Como resultado, em 2024, os EUA importaram mais de US$ 200 milhões em etanol do Brasil, enquanto os EUA exportaram apenas US$ 52 milhões em etanol para o Brasil.
A tarifa média aplicada da Nação Mais Favorecida (MFN) dos EUA sobre produtos agrícolas é de 5%. Mas a tarifa média aplicada da MFN da Índia é de 39%. A Índia também cobra uma tarifa de 100% sobre motocicletas dos EUA, enquanto cobramos apenas uma tarifa de 2,4% sobre motocicletas indianas.
A União Europeia pode exportar todos os mariscos que quiser para a América. Mas a UE proíbe as exportações de mariscos de 48 dos nossos estados, apesar de se comprometer em 2020 a agilizar as aprovações para exportações de mariscos. Como resultado, em 2023, os EUA importaram US$ 274 milhões em frutos do mar da UE, mas exportaram apenas US$ 38 milhões.
A UE também impõe uma tarifa de 10% sobre carros importados. No entanto, os EUA impõem apenas uma tarifa de 2,5%.
Um relatório de 2019 descobriu que em 132 países e mais de 600.000 linhas de produtos, os exportadores dos Estados Unidos enfrentam tarifas mais altas mais de dois terços do tempo.
Essa falta de reciprocidade é uma fonte do grande e persistente déficit comercial anual em bens dos Estados Unidos: mercados fechados no exterior reduzem as exportações dos EUA e mercados abertos em casa resultam em importações significativas, ambos os quais prejudicam a competitividade americana.
Os Estados Unidos têm um déficit comercial de bens todos os anos desde 1975. Em 2024, nosso déficit comercial em bens ultrapassou US$ 1 trilhão.
Graças à proliferação de barreiras não recíprocas apenas nos últimos anos, os EUA agora têm um déficit comercial na agricultura, no valor de cerca de US$ 40 bilhões em 2024.
Embora a América não tenha tal coisa, e apenas a América deva ter permissão para tributar empresas americanas, os parceiros comerciais entregam às empresas americanas uma conta por algo chamado imposto de serviço digital.
O Canadá e a França usam esses impostos para arrecadar mais de US$ 500 milhões por ano de empresas americanas.
No geral, esses impostos não recíprocos custam às empresas americanas mais de US$ 2 bilhões por ano.
As tarifas recíprocas trarão de volta a justiça e a prosperidade ao sistema distorcido de comércio internacional e impedirão que os americanos sejam aproveitados.
A ARTE DO ACORDO INTERNACIONAL: O presidente Trump continua a cumprir seu mandato dado a ele pelo povo americano de colocar a América em primeiro lugar quando se trata de comércio.
Como o presidente Trump disse no Memorando Presidencial sobre a Política Comercial American First em seu primeiro dia no cargo, a política comercial é um componente crítico de nossa segurança econômica e segurança nacional.
Em seu primeiro mandato, o presidente Trump encerrou com sucesso o NAFTA desatualizado e injusto, substituindo-o pelo histórico USMCA para entregar uma das maiores vitórias para os trabalhadores americanos.
Quando nossa segurança nacional foi ameaçada por um excesso global de aço e alumínio, o presidente Trump tomou medidas rápidas para proteger a segurança nacional dos Estados Unidos implementando tarifas sobre as importações desses bens.
Em resposta ao roubo de propriedade intelectual da China, transferência forçada de tecnologia e outros comportamentos irracionais, o presidente Trump agiu com convicção para impor tarifas sobre as importações da China, usando essa alavancagem para chegar a um acordo econômico bilateral histórico.
Na semana passada, o presidente Trump alavancou tarifas para forçar o Canadá e o México a fazer mudanças há muito esperadas em nossas fronteiras norte e sul, garantindo a segurança dos cidadãos americanos.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)