Mark Rutte, da OTAN, ao comentar possível ataque da Rússia aos europeus a partir de um rompimento da organização com os Estados Unidos disse que se Moscou atacar, "a reação será devastadora"
Veja mais
( Publicada originalmente às 14h 00 do dia 12/02/2025)
Com agências
(Brasília-DF, 13/02/2025). Nesta quarta-feira, 12, Mark Rutte, presidente da Organização do Tratado do Atlântico Norte( OTAN), questionado sobre um novo relatório dos serviços secretos dinamarqueses, que concluiu que a Rússia poderá lançar uma guerra em grande escala contra os aliados europeus da OTAN antes do final da década, caso os Estados Unidos retirem o seu apoio, Rutte afirmou que, se Moscou atacar, "a reação será devastadora"
"Ele [o presidente russo Vladimir Putin] vai perder. Por isso, que não o tente. E ele sabe disso. A dissuasão e a defesa são muito fortes", disse Rutte, que reforçou os apelos para a necessidade de aumentar investimento em defesa por parte dos aliados.
Rutte reconheceu que a Rússia está a "gastar mais" e a ultrapassar os aliados europeus e que a situação poderá ser diferente em 2030.
Os gastos com defesa do Canadá e dos aliados europeus da NATO aumentaram 20% em relação ao ano anterior em 2024, mas é necessário gastar "consideravelmente" mais dinheiro antes do final da década para impedir um ataque russo, disse Mark Rutte nesta quarta-feira.
"Em 2024, os aliados da OTAN na Europa e no Canadá investiram 485 bilhões de dólares (467,5 mil milhões de euros) em defesa, um aumento de quase 20% em comparação com 2023", disse o secretário-geral ds organização aos repórteres.
"Com dois terços dos aliados a gastar pelo menos 2% do seu PIB em defesa, espero que ainda mais aliados atinjam e, em muitos casos, excedam a meta em 2025", acrescentou.
Os ministros da Defesa dos 32 membros da organização vão reunir-se em Bruxelas na quinta-feira para o seu primeiro encontro desde a tomada de posse da nova administração de Donald Trump, com o apoio à Ucrânia e as despesas com a defesa no topo da agenda.
Espera-se que os líderes da OTAN cheguem a acordo sobre um novo objetivo de despesa na cimeira do final de junho, altura em que serão também delineados novos objetivos de capacidade militar.
Rutte sublinhou na quarta-feira que essas novas capacidades vão exigir "que muitos aliados - especialmente na Europa e no Canadá - invistam consideravelmente mais".
Trump pediu que o objetivo de despesa da OTAN fosse aumentado para 5%, um limite que nenhum aliado cumpre atualmente. O Reino Unido já indicou que pretende atingir um objetivo de 3%, enquanto Rutte já afirmou no passado que poderá ser exigido 4% aos aliados.
"Se nos mantivermos nos 2%, não conseguiremos nos defender em quatro ou cinco anos", disse aos jornalistas nesta quarta-feira, argumentando que as lacunas de capacidade são "simplesmente demasiado grandes" para o objetivo atual, estabelecido em 2014.
O número final, acrescentou, "acabará por ficar consideravelmente acima dos 3%".
Além do aumento do invesimento, o secretário-geral da aliança explicou que os países membros devem continuar a apoiar a Ucrânia e aumentar a produção militar.
"Temos de tomar estas decisões este ano", afirmou.
Os líderes da UE dos 27 países estão atualmente a debater a forma de aumentar as despesas e a produção, com várias opções em cima da mesa, uma vez que as estimativas apontam para um défice financeiro de 500 mil milhões de euros na próxima década.
A principal opção para libertar dinheiro rapidamente, que emergiu de um retiro informal no início deste mês, é que a UE altere as regras fiscais do bloco para excluir as despesas com a defesa das suas despesas nacionais.
Alguns Estados-membros estão também a insistir na emissão das chamadas euro-obrigações - ou dívida comum - para financiar projetos comuns. Mas a medida, lançada para dar uma ajuda à economia da UE afetada pela COVID-19, tem a forte oposição de vários países com balanços mais sólidos.
Em 19 de março, será publicado um Livro Branco sobre a defesa, que descreve em detalhes as capacidades militares de que o bloco necessita e as várias opções para as financiar, devendo as decisões ser tomadas na cimeira de junho, um dia depois da reunião da NATO.
(da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)