Apesar do feminicídio, pesquisa do IBGE revela que houve queda da taxa de homicídios dolosos nos últimos anos
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(Brasília-DF, 08/03/2024) Os números do Estatísticas de Gênero, em terceira edição, do IBGE, mostraram dados sobre violência.
Considerando o grupo total de mulheres, houve queda da taxa de homicídios dolosos nos últimos anos. Em 2017, início da série histórica, era de 4,7 a cada 100 mil mulheres, caiu para 4,2 no ano seguinte, e entre 2019 e 2021, houve estabilidade (3,5 a cada 100 mil).
“As reduções mais expressivas foram encontradas nas mortes ocorridas fora do domicílio. Isso pode indicar que a redução não necessariamente esteja atrelada à redução da violência doméstica, mas a fatores como a restrição de circulação nos espaços públicos, sobretudo nos anos relacionados à pandemia de Covid-19”, detalha Joice Soares, analista do IBGE.
6,0% das mulheres sofreram alguma forma de violência de ex ou atual parceiro
A violência psicológica, física ou sexual sofrida pelas mulheres por ex ou atual parceiro íntimo foi abordada a partir dos dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do IBGE. Em 2019, última edição da publicação (e com a limitação de se tratar apenas da principal violência nos últimos 12 meses), a proporção de mulheres com 18 anos ou mais que enfrentaram pelo menos uma dessas formas de agressão nos 12 meses que antecederam a entrevista foi de 6,0%. Essa proporção era maior entre o grupo de vítimas mais jovens e diminuía com o avançar da idade: 18 a 29 anos (9,2%); 30 a 49 anos (8,2%); 50 a 59 anos (4,1%) e 60 anos ou mais (2,2%). Entre as unidades da federação, os maiores percentuais foram registrados em Roraima (8,5%), Sergipe (8,4%) e Mato Grosso do Sul (8,2%).
As diferenças por cor ou raça também estão presentes: enquanto 5,7% das mulheres brancas entrevistadas relataram ter passado por uma dessas formas de violência, essa proporção era de 6,3% para as pretas e pardas. Outra desigualdade é evidente quando analisadas as taxas de homicídios dolosos a cada 100 mil mulheres pelo local de ocorrência.
“A maioria dos homicídios aconteceu fora dos domicílios. As taxas de homicídios que ocorreram dentro do domicílio se mantiveram estáveis e sem muita diferença para mulheres brancas e pretas ou pardas. Mas, quando se trata de homicídios ocorridos fora do domicílio, temos uma diferenciação maior por cor ou raça, com mulheres pretas ou pardas sendo mais vítimas do que mulheres brancas”, afirma a analista Joice Soares.
Em números absolutos, em 2021, fora do domicílio, foram registrados 681 homicídios dolosos de mulheres brancas e 1.835 de pretas ou pardas.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr.)