31 de julho de 2025
MERCADOS

Mesmo com recuo da B3, dólar fica estável em R$ 4,974; setores reclamam da aprovação do 6x1 na Câmara

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Por Politica Real com agências
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Dolar contínua abaixo de R$ 5,00 Foto: Arquivo da Política Real

(Brasília-DF, 22/04/2026) Nesta quarta-feira, 22, o Ibovespa fechou em queda de 1,65%, aos 192.889 pontos, na contramão das bolsas americanas que subiram após extensão do prazo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. Foi o maior recuo diário do índice brasileiro desde 20 de março.

A queda refletiu um movimento de realização de lucros após a volta do feriado do Dia de Tiradentes. As perdas atingiram principalmente as ações do setor bancário, que foram as principais responsáveis pela baixa do dia.

A Vale também caiu e teve perdas de 1,70% após um acordo da BHP com a China para o fornecimento de minério de ferro.

Já o dólar fechou estável, no patamar de R$ 4,974.

Setores da economia lamentaram aprovação da Escala 6X1 na Câmara

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) vê com extrema preocupação o avanço, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, da proposta legislativa que altera a jornada de trabalho semanal sem redução salarial. Para a entidade, trata-se de uma medida insustentável, que avança sem o devido aprofundamento técnico e sem avaliação consistente dos impactos sobre a economia, o emprego e a renda da população. A Federação reforça que eventuais mudanças na jornada devem partir do limite atual de 44 horas semanais, com ajustes construídos por meio da negociação coletiva, respeitando a realidade de cada setor produtivo.

A Federação alerta que a aprovação da proposta na CCJ reforça o caráter precipitado e eleitoreiro da iniciativa, ao priorizar ganhos políticos de curto prazo em detrimento de uma discussão responsável sobre seus efeitos estruturais no país. A entidade destaca que mudanças dessa magnitude exigem amplo debate com a sociedade, especialmente com o setor produtivo, sob risco de comprometer a competitividade das empresas e a geração de empregos.

A levanta questionamentos jurídicos relevantes. Segundo o advogado Platon Neto, professor de Direito Processual do Trabalho, ex-juiz do Tribunal Regional do Trabalho de Goiás (TRT-18), sócio do escritório Lara Martins Advogados, uma das discussões centrais é a possibilidade de redução da jornada por meio de lei infraconstitucional. “Uma discussão jurídica que pode surgir é se o projeto de lei pode reduzir a jornada sem que haja alteração do artigo 7º, XIII, da Constituição Federal de 1988. Embora a questão possa suscitar questionamentos, entendo, a princípio, que a norma infraconstitucional pode prevalecer, por ser mais benéfica”, afirma. Ele ressalta que a Constituição estabelece um limite máximo e não mínimo de jornada, o que permitiria reduções desde que mais favoráveis ao trabalhador.

De acordo com o especialista, a eventual aprovação do projeto deve elevar significativamente o custo da mão de obra, especialmente em setores que demandam funcionamento contínuo. “Será necessária uma revisão das escalas de trabalho, mais contratações e, muito provavelmente, um aumento do pagamento de horas extras”, explica. Ele destaca ainda que empresas poderão recorrer a mecanismos como banco de horas e compensação de jornada para tentar equilibrar as novas exigências legais.

Setores como comércio, especialmente shopping centers, e atividades industriais que operam de forma ininterrupta tendem a ser os mais afetados. A necessidade de manter operações aos finais de semana pode gerar desafios logísticos e financeiros, com possíveis reflexos na concorrência. “Pode haver, inclusive, perda de competitividade no cenário global e repasse de custos aos consumidores, impactando diretamente o preço final de produtos e serviços”, alerta Platon Neto.

Outro ponto de preocupação é o possível aumento da judicialização das relações de trabalho. Com mudanças estruturais na jornada, a tendência é que surjam conflitos relacionados à adaptação das empresas às novas regras. “Também pode acontecer uma escalada de ações trabalhistas, que já vêm crescendo progressivamente”, observa o professor, destacando a necessidade de segurança jurídica na implementação da medida.

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)