31 de julho de 2025
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Quem consegue deixar Gaza tem que ter logística de transporte, visto e deixar o Egito em 72 horas

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Da redação com EFE.

(Brasília-DF, 03/11/2023) A pressão é grande tanto para quem consegue sair de Gaza  ou para quem chega em Rafah, no Egito.

A saída de Gaza para o Egito de estrangeiros e palestinos com dupla nacionalidade provenientes da Faixa de Gaza, sob cerco israelense, passa por um rigoroso procedimento burocrático que exige a emissão de passagem segura, vistos temporários, alerta que ocorre em última hora e a exigência de que todos aqueles que cheguem ao território egípcio deixem o país no prazo de 72 horas.

Isso foi explicado à EFE por fontes diplomáticas familiarizadas com o processo de evacuação e os procedimentos exigidos pelas autoridades egípcias para esta operação que começou ontem quarta-feira, após várias semanas de negociações entre o Egito, Israel e o Hamas, mediadas pelo Qatar e pelos Estados Unidos.

O primeiro procedimento é um pedido que deve ser apresentado às autoridades egípcias relevantes para o pessoal diplomático que viajará a Rafah para receber os seus nacionais, de uma “autorização de passagem ou salvo-conduto”, válida por 24 horas e que deve incluir todos o pessoal necessário para a evacuação.

Isso inclui também fornecer todos os detalhes do meio de transporte que será utilizado, a documentação dos veículos e dos motoristas.

O uso de veículos SUV grandes não é permitido para esta transferência.

A EFE teve conhecimento de vários diplomatas no Cairo à procura de veículos para contornar esta proibição, uma vez que a frota de muitas legações no país é composta por carros “não permitidos”.

Controles rodoviários

“Com os documentos aprovados, temos que esperar no Cairo até que as autoridades egípcias dêem a aprovação final para o comboio sair da cidade com destino a Rafah, o que equivale a cerca de 7 horas de viagem. Temos conhecimento de vários postos de controle na rota onde são necessários documentos aprovados e autorização de saída das autoridades”, disse a fonte à EFE.

Os diplomatas autorizados a viajar são “cônsules e pessoal de apoio”, uma vez que a principal tarefa será processar a emissão de vistos de trânsito aos compatriotas que saem do território palestiniano e resolver qualquer problema de documentação, uma vez que as autoridades egípcias não aceitarão a entrada de ninguém quem não possui passaporte válido ou salvo-conduto emitido pelas missões diplomáticas correspondentes.

Para a emissão destes vistos de trânsito, as pessoas devem constar de uma lista prévia, numerada e exaustiva que inclua os seus nomes e documentos. Se algum deles não possuir documento válido ou for parente de estrangeiro autorizado a sair, mas com passaporte palestino, também deverá ser incluído em listas independentes anteriores.

“Os colegas que já concluíram o procedimento alertam que são necessárias nada menos que 8 a 12 horas de trabalho na fronteira”, acrescentou a fonte.

A repatriação

Depois de entrarem formalmente em território egípcio, as missões diplomáticas ficam encarregadas de resolver a saída dessas pessoas do país, para o que têm um prazo de 72 horas.

A fonte indicou que a maior parte dos diplomatas pretende transferir estas pessoas para o Cairo e de lá enviá-las para os seus países de origem, embora possa ser possível que saiam pelo aeroporto de Al Arish, o mais próximo da Faixa de Gaza e onde a ajuda humanitária destinado ao enclave chega.

Para a utilização de aviões oficiais ou voos charter para retirar estas pessoas, outro pedido especial terá de ser feito ao Ministério dos Negócios Estrangeiros egípcio.

Numa reunião realizada quarta-feira no Cairo com os diplomatas que vão levar a cabo este processo, o Egipto estimou que cerca de 7.000 pessoas de 60 países poderiam ser evacuadas e repatriadas.

O processo de evacuação começou com cerca de 335 pessoas com passaporte estrangeiro que conseguiram sair da Faixa, muitas delas funcionários de ONGs que operam no território.

(da redação com EFE. Edição: Genésio Araújo Jr.)