DESTAQUES DO DIA: Mercados globais em queda e no Brasil todos os olhos para a votação da Reforma Tributária
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(Brasília-DF, 06/07/2023) A Política Real teve acesso ao relatório “Moorning Call” da XP Investimentos apontando os mercados globais em baixa e no Brasil olhos para a reforma tributária na Câmara.
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Na reunião de junho, o Federal Reserve deixou sua taxa de juros de referência inalterada pela primeira vez desde janeiro de 2022, entre 5,00% e 5,25%. A ata da sua última reunião, publicada ontem, não trouxe surpresas. O documento veio em linha com as comunicações recentes e reforçou a intenção do banco central de continuar elevando os juros. Devido à ausência de dados que poderiam deixar o Fed mais confiante de que a inflação está em trajetória de convergência para a meta de 2%, parece se tornar cada vez mais provável que a autoridade monetária dos EUA eleve a taxa de juros em 0,25 p.p. em julho. Hoje, os mercados precificam probabilidade ao redor de 80%. O quadro geral permanece: o Fed está se aproximando do fim do ciclo de aperto, embora a política monetária deva permanecer restritiva por mais tempo em meio à inflação elevada e o mercado de trabalho apertado.
Mercados globais
Refletindo a preocupação com a política monetária mais apertada e uma desaceleração econômica, bolsas caem nessa manhã na Europa (Stoxx 600 -1,3%). Bolsas chinesas também fecharam o dia em queda (Hang Seng -3,0%, CSI 300 -0,7%), ainda repercutindo dados econômicos que seguem mostrando que a recuperação econômica no país perdeu força.
Nos EUA, tanto futuros do S&P 500 quanto do Nasdaq caem 0,4%, repercutindo a ata da última reunião de política monetária do Comitê de Política Monetária dos EUA (FOMC). Agora, investidores seguem atentos a dados de empregos dos EUA que serão divulgados ainda nessa semana, que podem dar mais pistas dos próximos passos da política monetária.
Enquanto isso, a secretária do Tesouro americano, Janet Yellen, chegou hoje à China, onde tem reuniões com autoridades locais e busca estreitar relações entre as duas maiores economias do mundo.
As bolsas globais amanhecem em queda com sinais de que bancos centrais devem continuar a subir as taxas de juros a fim de controlar a inflação.
Na agenda econômica de hoje (6), destaque para a divulgação de indicadores de atividade nos Estados Unidos: pedidos de auxílio-desemprego; geração de empregos no setor privado (relatório ADP) em junho; índice de Serviços ISM e PMIs (Índices de Gerentes de Compras) de Serviços e Composto de junho. Conforme já divulgado nesta manhã, as vendas no varejo da zona do euro ficaram estáveis entre abril e maio, frustrando a projeção de aumento de 0,3%. Enquanto isso, na Alemanha, as encomendas à indústria cresceram 6,4% na mesma comparação mensal, bem acima das expectativas do mercado (alta de 1,5%).
IBOVESPA +0.40% | 119.549 Pontos. CÂMBIO +0,21% | 4,85/USD
Mercado no Brasil ontem
O Ibovespa fechou a quarta-feira (5) em alta de 0,4%, aos 119.549 pontos. Ao longo do dia, o principal índice brasileiro chegou a superar os 120 mil pontos à medida que as discussões da reforma tributária avançaram, mas corrigiu levemente após a ata do Federal Reserve (Fed). No câmbio, com o dólar fechou dia em alta de 0,2%, cotado a R$ 4,85.
As taxas futuras de juros fecharam em alta, em um pregão focado nas negociações das pautas econômicas em Brasília. Além disso, a alta no rendimento (yields) dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) foi outro fator que impulsionou as taxas locais. DI Jan/24 foi de 12,785% para 12,82%; DI Jan/25 passou de 10,705% para 10,78%; DI Jan/26 subiu de 10,06% para 10,19%; e DI Jan/27 foi de 10,075% para 10,23%.
Reforma tributária
O deputado federal Aguinaldo Ribeiro, relator da reforma tributária, apresentou ontem à noite a nova versão da proposta no plenário da Câmara dos Deputados. O texto ainda deve passar por ajustes finais, incluindo acordos que serão feitos nesta quinta-feira. Segundo o Presidente da Câmara, Arthur Lira, a intenção é colocar o texto definitivo para votação em primeiro turno hoje, por volta das 18h. A reforma unifica cinco tributos (IPI, PIS, Cofins, ICMS e ISS) em dois: o IBS (municipal e estadual) e a CBS (federal). Ambos passam a valer em 2026, com prazo de transição até 2033. Segundo o relator da proposta, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional – fundo de compensação – terá R$ 40 bilhões por ano, a serem aportados pela União em valores crescentes a partir de 2025.
Macro Mensal
No Brasil, o time de Macro da XP revisou suas projeções de inflação e taxa de juros. No relatório Brasil Macro Mensal, publicado ontem, as estimativas para o IPCA foram ajustadas para baixo: de 4,9% para 4,7% em 2023, e de 4,5% para 4,1% em 2024. O recuo da inflação reforça o cenário da XP para a taxa Selic, o qual considera corte de juros de 0,25 p.p. em agosto e cortes de 0,50 p.p. nas reuniões seguintes. A taxa básica é projetada em 12,0% no final de 2023 e 10,5% no final de 2024. No entanto, riscos inflacionários de médio prazo persistem, devido sobretudo ao viés expansionista da política fiscal. Para acessar o relatório completo, clique aqui.
Onde Investir no 2º semestre de 2023
Publicamos uma atualização do “Onde Investir 2023”, dessa vez olhando para o segundo semestre de 2023. Na última edição do nosso relatório geral de expectativas, o “100 Dias de 2023: Onde Investir Agora”, faltavam respostas sobre a política fiscal do novo governo e a Bolsa brasileira vinha apresentando desempenho inferior aos pares globais. Porém, o cenário vem se tornando mais positiva e a nossa Bolsa vem apresentando fortes ganhos. Globalmente, a postura dos bancos centrais continua dura, enquanto as economias têm apresentado maior resiliência do que o esperado. Os mercados globais tiveram desempenho forte nos últimos meses, puxado principalmente pelo tema da Inteligência Artificial, e a expectativa de recessão continua não sendo uma realidade. Mas, de maneira geral, é importante notar que o nível de preço da Bolsa americana está elevado. Neste relatório, reunimos as revisões de expectativas dos nossos times de estratégia, macroeconomia, política, alocação e análise de mercado. Recalculamos nossa rota visando ajudar você a selecionar os melhores caminhos para os seus investimentos nos próximos seis meses. Clique aqui para o conteúdo completo.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr.)