DESTAQUES DO DIA: Mercados globais em queda e no Brasil expectativa de nomeação de relator do novo marco fiscal e medidas após queda do primeiro ministro
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(Brasília-DF, 20/04/2023) A Política Real teve acesso ao relatório “Moorning Call” da XP investimentos apontando que os mercados globais estão em queda e no Brasil expectativa sobre indicação do relator do Novo Arcabouço Fiscal e e as possíveis medidas de aumento de receitas em meio a ruídos políticos que envolveram a primeira demissão de um ministro no governo.
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Mercados globais amanhecem em queda (EUA -0,7% e Europa -0,2%) após resultados mistos das principais companhias e preocupações com as perspectivas da taxa de juros no Estados Unidos.
Ontem, o resultado do Morgan Stanley fechou o setor de grandes bancos americanos com resultados que bateram estimativas, mas mostrou uma forte contração nos lucros de 19%, impactados por menor atividade no mercado de capitais que afetou o segmento de investment banking. Com isso, a ação começou o dia em queda, mas se recuperou e terminou o dia em leve alta de 0,7%. Além disso, a Tesla divulgou lucros e receitas em linha com expectativas, porém decepcionou na margem operacional e geração de caixa, levando a ação a cair 6% no after market. Outro destaque foram os resultados dos bancos regionais, que apresentaram números melhores que o temido, com o KRE (principal ETF de bancos regionais) subindo 4%, puxado pela alta de 24% de Western Alliance.
Na Europa, a montadora Renault cai quase 7% depois de reportar resultados. Além disso, investidores aguardam a ata da última reunião do Banco Central Europeu e discurso da presidente Christine Lagarde hoje.
Já na Ásia, as bolsas encerraram o dia mistos. Destaque para as montadoras chinesas como BYD, Xpeng e NIO que caíram fortemente depois da Tesla afirmar que vai continuar com a estratégia de corte de preços.
Discursos do Fed e dados de atividade nos EUA
Em um dia com poucos indicadores sendo divulgados no exterior, o destaque fica por conta dos discursos dos diretores do Federal Reserve. Ontem, o presidente do Fed de Nova York, John Willians, disse que a inflação ainda está em níveis problemáticos e ainda demanda ação do banco central para reduzi-la. Ele observou que as previsões do Fed divulgadas recentemente sinalizaram a perspectiva de mais aperto na política monetária. Disse ainda que a crise do setor bancário já mostra sinais de acomodação depois das intervenções. O presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, reforçou que a autoridade monetária ainda está aguardando para ver possíveis problemas de crédito depois da quebra de dois bancos, e que será necessário prudência e paciência na formulação de políticas. Destacou ainda que as restrições de crédito decorrentes da crise bancária acabam por atuar como indutores da desaceleração da atividade e da inflação, fazendo o papel da política monetária. Hoje, discursam a presidente do Fed de Cleveland, Loretta Mester, a presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan, e o presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic.
Ainda nos Estados Unidos, a divulgação do Livro Bege do Fed ontem trouxe poucas novidades. Em linhas gerais, o crescimento do emprego continuou moderando um pouco, os preços parecem desacelerar e os efeitos da quebra de dois bancos afetaram pouco as condições de crédito fora de suas regiões.
Taxas de juros na China
A China manteve suas taxas de juros de referência inalteradas pelo oitavo mês consecutivo na quinta-feira, em linha com as expectativas, já que a recuperação econômica reduziu a necessidade de qualquer suporte monetário imediato. A segunda maior economia do mundo cresceu em um ritmo mais rápido do que o esperado no primeiro trimestre, quando o fim das rígidas restrições do COVID tirou empresas e consumidores das paralisantes interrupções da pandemia. A taxa preferencial de empréstimo de um ano (LPR) foi mantida em 3,65%, enquanto a LPR de cinco anos permaneceu inalterada em 4,30%. No entanto, alguns analistas dizem que os dados econômicos otimistas do primeiro trimestre mascaram a fraqueza subjacente na demanda doméstica e externa, o que sugere que o estímulo ainda pode ser necessário.
IBOVESPA -2,41% | 104.002 Pontos CÂMBIO +2,23% | R$ 5.09/USD
Na agenda do dia, além dos discursos dos diretores do Federal Reserve, temos a divulgação dos dados de vendas de residências usadas (expectativa -1,8% ante o mês anterior), de pedidos de auxílio-desemprego (244 mil ante 239 mil da semana anterior) e do indicador econômico antecedente do Conference Board. Na zona do euro será divulgado o índice de confiança do consumidor, e a ata da última reunião do Banco Central Europeu.
E no Brasil, continuamos acompanhando a recepção do Congresso à proposta de nova regra fiscal e as possíveis medidas de aumento de receitas em meio a ruídos políticos que envolveram a primeira demissão de um ministro no governo.
Brasil
O Ibovespa fechou a quarta-feira (19) em queda forte de -2,1% aos 103.913 pontos, com o mercado reagindo negativamente ao novo arcabouço fiscal apresentado ao Congresso. Ainda que as diretrizes da proposta apresentada no mês passado tenham sido mantidas, a percepção dos investidores é de que o texto é mais frouxo do ponto de vista dos gastos. Com percepção de maior risco, o dólar subiu para R$ 5,08, alta de +2,0% no dia, maior alta diária desde novembro do ano passado.
As taxas futuras de juros também fecharam em alta, em meio à recepção cautelosa dos participantes do mercado ao texto do projeto de arcabouço fiscal. DI jan/24 subiu de 13,25% para 13,275%; DI jan/26 avançou de 11,745% para 12,10%; DI jan/26 passou de 11,745% para 11,925%; DI jan/27 saltou de 11,825% para 12,06%; e DI jan/33 subiu de 12,46% para 12,75%.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr.)