31 de julho de 2025
Brasil e Poder

REAÇÃO: Alexandre Padilha, na Câmara Americana de Comércio, diz que proximidade de Lula a China não vai afetar a relação com os Estados Unidos

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( reeditado) 

(Brasília-DF, 14/04/2023) Nesta sexta-feira, 14, a Amcham Brasil – Câmara Americana de Comércio recebeu, em sua sede em São Paulo(SP), o ministro-chefe de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, para realizar um balanço sobre os cem primeiros dias do governo Lula. O encontro reuniu cerca de 80 representantes de empresas associadas à entidade, de diversos setores da economia. A reunião também abordou a agenda de 25 propostas para os 100 dias, que havia sido apresentado pela Amcham à equipe de transição do então governo eleito nas áreas de ambiente de negócios, sustentabilidade, relações Brasil-Estados Unidos, comércio internacional e transformação digital.

O ponto algo da reunião foi quando Padilha afirmou que a proximidade do governo brasileiro com a China não afeta a relação com os Estados Unidos. Segundo ele, a política externa brasileira sempre apostou na multilateralidade, especialmente com a postura do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

"Nos oito anos em que ele governou o país, ele expandiu o papel multipolar do Brasil sem em nenhum momento afetar qualquer relação com os Estados Unidos. O Brasil expandiu seu comércio exterior para outras regiões do mundo durante os oito anos do presidente Lula, reduziu a dependência do comércio exterior com a economia americana, mas ao mesmo tempo cresceu a relação com a economia americana naquele período", afirmou Padilha, após participar de encontro com lideranças e CEOs associados da Amcham Brasil (Câmara de Comércio da América), na capital paulista.

Segundo Padilha, é muito importante, em termos mundiais, que haja atores globais que não estejam restritos a uma certa polarização entre os dois pontos da política e da economia no mundo. Padilha acrescentou é bom para todos que o Brasil seja um país bem recebido tanto nos EUA quanto na China, podendo manter agendas de cooperação com ambos.

Antes

Na abertura do encontro, o CEO da Amcham, Abrão Neto, apontou os principais avanços nesse período, destacando como positiva a priorização dada pelo governo à Reforma Tributária. Nesse sentido, reforçou a importância de se construir apoio em torno de uma proposta de consenso, com a participação empresarial, para a sua aprovação no Congresso Nacional.

 

“É fundamental, agora, buscar uma proposta consensual, com a participação do setor empresarial, e construir apoio político para que a reforma seja aprovada com celeridade”, comentou o CEO da Amcham Brasil ao abrir a reunião fechada exclusiva para associados da entidade.

Abrão também ressaltou o encontro entre os Presidentes Lula e Biden e o aumento de visitas de autoridades americanas ao Brasil. “Como próximo passo, nós entendemos que é preciso adotar planos de trabalho concretos e ambiciosos para aumentar a cooperação ambiental, a integração econômico-comercial e a atração de investimentos entre os dois países”, afirmou ele.

Ressaltou também que “é oportuno voltarmos a discutir um acordo para evitar a dupla tributação e esperamos que a próxima visita do Presidente Lula aos EUA seja acompanhada de uma grande delegação empresarial, na qual podemos contribuir”

O CEO da Amcham destacou também a necessidade de planos de trabalho concretos para ampliar a cooperação ambiental, econômica e comercial entre os dois países, inclusive em cadeias de fornecimento, energias renováveis e economia de baixo carbono.

Arcabouço fiscal

Perguntado sobre a tramitação do projeto do marco fiscal, Padilha falou que a formação de dois blocos diferentes na Câmara dos Deputados tem impacto positivo não só para essa proposta, mas também para o ambiente de governabilidade, porque ambos não são blocos de oposição ao governo. "Pelo contrário, são liderados por parlamentares que defendem o governo. Ambos têm sido muito importantes e com uma postura muito colaborativa com o governo. Nós temos conseguido aprovar tudo o que o governo precisou na Câmara e no Senado, sabendo que vai ser sempre um ambiente de diálogo."

Padilha ressaltou que o tema não é algo que divide governo e oposição e que os diálogos sobre o assunto podem continuar mesmo com Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fora do país. Segundo ele, não deve haver mudanças significativas no projeto, já que as bases já foram apresentadas por Haddad, que lidera o debate, mas pode haver ajustes no texto. "Que será entregue e assinado por Lula e Haddad e os ministros que contribuíram com a elaboração quando eles voltarem. Acredito que, com o retorno deles no início da semana, possamos encaminhar o mais rápido possível."

O ministro destacou que o governo trabalhará para aprovar o marco fiscal o mais rapidamente possível, já que sua aprovação ampliará o ambiente que contribui para uma trajetória decrescente de juros, assim como influenciará tanto na Lei de Diretrizes Orçamentárias, quanto na peça orçamentária que deve ser encaminhada no início do segundo semestre.

Segundo a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, projeto de lei complementar do novo arcabouço fiscal será enviado ao Congresso na segunda-feira ,17.  De acordo com ela, os ministérios do Planejamento e da Fazenda aproveitarão o fim de semana para fazer os ajustes finais no texto.

(da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr.)