DESTAQUES DO DIA: Mercados globais em leve alta e no mercado do Brasil se digere os detalhes sobre o arcabouço fiscal divulgado na véspera.
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(Brasília-DF, 31/03/2023) A Política Real teve acesso ao relatório “Moorning Call” da XP Investimentos apontando que os mercados globais estão em leve alta e no Brasil mercado digere os detalhes sobre o arcabouço fiscal divulgado na véspera.
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Mercados globais amanhecem com leve alta (EUA +0,1% e Europa +0,3%) com investidores aguardando dados que deve fornecer orientações sobre os rumos taxas de juros após a recente turbulência do mercado, aguardando os dados do PCE. Na Europa, a inflação na Zona do Euro ficou em 6,9% em março, uma retração em relação aos 8,5% vistos em fevereiro, impulsionada por efeitos de base favoráveis e preços mais baixos de energia. Porém o núcleo da inflação – que exclui os itens mais voláteis – aumentou ligeiramente em relação ao mês anterior, o que provavelmente forçará o BCE a manter uma postura agressiva nos próximos meses. Por fim, na China, o índice de gerentes de compras (PMI) composto atingiu 57,0 em março, seu maior valor em cerca de 5 anos, puxado por uma forte recuperação do componente de serviços, indicando uma expansão pós flexibilização das medidas de restrição contra a Covid.
Na agenda internacional de hoje, as atenções estarão voltadas para a divulgação do deflator do consumo de fevereiro (PCE) – indicador de inflação favorito do Federal Reserve – que é um dado fundamental para a análise dos rumos da política monetária dos Estados Unidos. Os mercados estão estimando que o núcleo do deflator PCE avançou 0,4% m/m em fevereiro (4,7% a/a). No Brasil, o mercado digere os detalhes sobre o arcabouço fiscal divulgado na véspera.
PIB Estados Unidos
Nos Estados Unidos, a estimativa final do PIB do quarto trimestre de 2022 confirmou expansão de 3,9% t/t, com ajuste sazonal e anualizado, em relação ao terceiro trimestre. O crescimento do PIB em 2022 ficou em 2,06%, abaixo do crescimento apresentado em 2021 de 5,95%. A atividade econômica deve desacelerar nos próximos trimestres, refletindo os efeitos de condições financeiras mais apertadas, e continuamos acreditando que o país enfrentará uma leve recessão no final deste ano.
IBOVESPA +1,89% | 103.713 Pontos. CÂMBIO -0,64% | 5,10/USD
O Banco Central divulgará o resultado primário do Setor Público Consolidado, que inclui Governo Federal, Governos Regionais e Empresas Estatais. Além disso, o IBGE publicará os dados da PNAD Contínua Mensal, principal pesquisa sobre o mercado de trabalho brasileiro.
Brasil
A bolsa brasileira fechou no positivo pelo quinto dia seguido, com alta de 1,89% no pregão da quinta-feira (30), aos 103.713 pontos. O impulsionador foi o cenário interno, com a apresentação do novo arcabouço fiscal. Apesar dos economistas chamarem a atenção para a ausência de detalhes na proposta e considerarem as projeções de superávit primário como bastante otimistas, os participantes do mercado reagiram de forma positiva, diante da probabilidade menor de um cenário de descontrole fiscal adiante. Já o dólar fechou mais um dia em queda, cotado a R$ 5,10. E na Renda Fixa, as taxas futuras de juros fecharam em queda, contrariando o pregão anterior, com os agentes retirando prêmios de risco da curva. DI jan/24 recuou de 13,225% para 13,17%; DI jan/25 passou de 12,16% para 11,965%; DI jan/26 caiu de 12,13% para 11,895%; e DI jan/27 cedeu de 12,295% para 12,055%.
Arcabouço Fiscal no Brasil
O destaque desta quinta-feira (30) no Brasil foi a apresentação pelo Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, da nova regra fiscal que substituirá o atual teto de gastos. Em linhas gerais, a proposta combina um limite de gastos com metas de resultado primário. O crescimento do limite de gastos é dado pela inflação mais uma parcela de 70% da variação real das receitas do governo. O aumento real será de 0,6% se a variação das receitas for inferior a zero, e de 2,5% se for maior do que isso. As metas de resultado primário foram definidas em 0%, 0,5% e 1% do PIB para os próximos anos, admitida uma banda de flutuação simétrica de 0.25. Se as metas não forem cumpridas, a variação da despesa será de apenas 50% da variação da receita. O ministro anunciou que o governo deve buscar ganhos da ordem de R$ 100 a R$ 150 bilhões com a redução de distorções fiscais, visando atingir as metas de resultado primário estabelecidas. Avaliamos que a manutenção de um limite de despesas é positivo, mas que o governo deixou explícita a opção por um ajuste via aumento de arrecadação.
Conforme também publicado ontem, o Governo Central registrou déficit primário de R$ 41,0 bilhões em fevereiro, entretanto acumula superávit primário de R$ 37,8 bilhões no 1º bimestre no ano, e de R$ 35,9 bilhões nos últimos 12 meses. Olhando adiante, as contas fiscais devem piorar. Projetamos que o Governo Central apresentará déficit primário ao redor de R$ 110 bilhões em 2023 (1,0% do PIB).
Carteiras XP
O mês de março foi marcado por bastante volatilidade tanto no cenário global quanto no doméstico. Lá fora, uma nova crise de confiança em relação ao setor bancário pressionou os mercados, que se iniciou com a intervenção de reguladores no banco americano Silicon Valley Bank, e depois o Signature Bank. Poucos dias depois, na Europa, o Credit Suisse foi vendido às pressas ao UBS com o apoio do Banco Central da Suíça. No Brasil, os riscos fiscais e políticos permaneceram no radar, com os investidores no aguardo do anúncio do arcabouço fiscal que finalmente foi divulgado ao final do mês. Nesse contexto, seguimos com um posicionamento defensivo em nossas carteiras de investimento, escolhendo ativos de qualidade, e mantendo a diversificação. Clique aqui para as mudanças para o mês de abril nas nossas carteiras Top 10, Top Dividendos, Top Small Caps e Top BDRs.
Por fim, atualizamos a nossa carteira ESG XP para abril (link), e estamos fazendo uma mudança: tirando um nome que, embora gostamos, não vemos tanto espaço para valorização, e adicionando uma empresa que vemos perspectivas mais sólidas de crescimento e um valuation atrativo, além das recentes e significativas melhoras na governança.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr.)