31 de julho de 2025
Brasil e Poder

DESTAQUES DO DIA: Mercados globais neutros e no Brasil atenção para noticiário político com influência econômica

Veja os números

Publicado em
Mercados com sinais mistos

(Brasília-DF, 18/01/2023)  A Política Real teve acesso ao relatório “Moorning Call” da XP Investimentos apontando que os mercados globais estão em sinais neutros e sem agenda de indicadores atenção para agenda política.

 

Veja mais:

As bolsas globais amanhecem neutras nesta quarta-feira (EUA +0,1% e Europa +0,1%), em um dia repleto de indicadores a serem divulgados nos Estados Unidos, com destaque para o Índice de Preços ao Produtor (PPI) de dezembro. A agenda americana também traz dados de vendas do varejo, produção industrial e o livro bege do Federal Reserve. Os investidores seguem na expectativa de sinalizações a respeito da política monetária do país.

No cenário internacional, o mercado repercute a decisão de política monetária do Banco do Japão (BoJ), que manteve inalteradas suas taxas de juros ultrabaixas, incluindo seu limite de 0,5% para o rendimento dos títulos de 10 anos, desafiando expectativas de que eliminaria gradualmente seu programa de estímulo após o aumento da inflação no país. A decisão segue o movimento surpresa que o BoJ fez no mês passado para dobrar a banda do rendimento permitida para os títulos de 10 anos.

Nos EUA, os destaques do dia serão a divulgação de vendas no varejo, do índice de preços ao produtor (PPI) e da produção industrial dos EUA, em que os analistas esperam queda de 0,8%, 0,1% e 0,1, respectivamente. Além disso, o livro bege do Fed deve apresentar informações adicionais sobre as condições econômicas atuais nos distritos do banco central norte-americano. A temporada de resultados seguirá hoje com Charles Schwab. Até o momento, das 33 companhias que reportaram seus resultados, 67% superaram as estimativas de lucros, segundo a Refinitiv.

Na Europa, a inflação ao consumidor (CPI) da Zona do Euro registrou uma queda na variação anual para 9,2%, em linha com as estimativas do consenso. O núcleo do CPI, que desconsidera preços de energia e alimentos, também mostrou retração.

Na China, o índice de Hang Seng (+0,5%) encerra em leve alta, com mais sinalizações positivas na frente regulatória.

Mais sobre a China

Nesta terça-feira, a China aprovou o lançamento de 88 jogos e, dentre os títulos estavam produções da Tencent (+1,7%) e NetEase (+6,5%), duas companhias previamente afetadas pelo escrutínio regulatório.

Ainda em território chinês, o relaxamento das medidas de restrição da Covid na China tem impulsionado o preço do petróleo, com a expectativa de uma recuperação na demanda por combustível, dado que a China é a maior importadora de petróleo do mundo. O Petróleo Brent, segue a tendência da véspera, com alta de 0,44%, a USD 86,30 o barril.

IBOVESPA +2,0% | 111.439 Pontos.  CÂMBIO -0,8% | 5,10/USD

No Brasil, a agenda de indicadores segue esvaziada, com atenção voltada ao noticiário político, principalmente sobre a definição do novo salário mínimo.

Brasil

Na contramão do mercado global, o Ibovespa encerrou o pregão de ontem (17) em alta de  2,04%, aos 111.439 pontos, revertendo a tendência negativa dos três dias anteriores. As commodities puxaram o índice, com a repercussão de notícias positivas da China. O destaque foi a performance das ações da Petrobras, que também incorpora a alta do preço do petróleo. Em relação ao caso Americanas, apesar de acumular baixa de 84% em quatro pregões, ontem o papel enfrentou volatilidade e encerrou em queda de 2%.

Já o dólar fechou em queda de 0,84%, cotado a R$ 5,10. As taxas futuras de juros também fecharam em queda, respaldada pela menor tensão com o cenário fiscal e pela melhora do apetite ao risco por ativos emergentes, favorecendo o mercado local. DI jan/24 recuou de 13,55% para 13,475%; DI jan/25 passou de 12,66% para 12,51%; DI jan/26 caiu de 12,505% para 12,365% e DI jan/27 regrediu de 12,485% para 12,37%.

Noticiário político no Brasil

O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, concedeu entrevista ontem no Fórum Econômico Mundial, em Davos, onde afirmou que o governo deve encaminhar uma proposta de novo arcabouço fiscal até abril.

Além disso, o governo pretende encaminhar uma reforma do imposto de renda no segundo semestre, após a aprovação da reforma sobre a tributação indireta.

Em outra entrevista, Haddad disse que a decisão sobre o salário-mínimo cabe ao governo e será tomada após discussões com as centrais sindicais. As alas política e econômica tem opiniões divergentes sobre o aumento.

Mercado em Gráfico

Em 2022 a palavra do ano foi “inflação”. Com os desequilíbrios na oferta e demanda e o choque inflacionário causado pela guerra entre Rússia e Ucrânia, o mundo começou a enfrentar a inflação em níveis recordes. Para conter a inflação, os bancos centrais globais começaram a apertar suas políticas monetárias. O Federal Reserve realizou a subida de juros mais rápida da história e segue com um tom duro, reafirmando que serão necessárias mais evidências de que a inflação está arrefecendo para considerar um a interrupção no ciclo de altas. Com a alta de juros, a palavra “inflação” vai dando espaço para “recessão”, com os mercados se preocupando cada vez mais com as principais economias do mundo vendo uma forte desaceleração, como é o caso dos EUA. Nesse cenário, o S&P 500 encerrou o ano em -18,1%, seu pior desempenho desde 2008. Já o Brasil, no início de 2022, passou a ser a “bola da vez” dos mercados e se beneficiou de uma tríplice combinação de: 1) rotação global de crescimento para valor; 2) forte exposição a commodities e bancos; e 3) múltiplos de entrada muito baixos. O forte fluxo de capital estrangeiro para a Bolsa brasileira sustentou boa parte da alta do Ibovespa no ano. Mesmo com um cenário de incertezas fiscais para 2023, o Brasil acumulou uma performance de 10,1% em dólares em 2022, sendo uma das melhores performances entre as Bolsas globais no ano.

 

(da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr.)